“Novo Céu e Nova Terra” encerra uma jornada iniciada em 2020. Como foi acompanhar o amadurecimento deste projeto ao longo de seis anos?
História complexa, sobretudo nesses tempos de música mais dinâmica e de lançamentos rápidos. Na verdade a música que lancei em 2020, “Hino Perfeito”, foi uma despedida do meu ministério musical. Tinha decidido parar de cantar. Sim, a ideia era que essa música fizesse parte desse álbum temático sobre volta de Jesus e Céu, mas como desisti da música nesse tempo, resolvi lançar essa canção como single de despedida.
Mas a paixão pela música e pela missão não me deixava parar definitivamente.
Gravei essa primeira na Espanha, onde trabalhava. Depois fui chamado para ser pastor nos Estados Unidos. Lá gravei mais algumas. Foi tudo bem lento, já que eu não tinha tanto tempo para o ministério da música.
Mas aí os cenários foram mudando. E a reviravolta foi que deixei meu trabalho full-time como pastor e me tornar um pastor da música.
De volta ao Brasil, depois de uma longa saga, retomei a ideia do álbum e finalmente ele foi lançado – depois de tanto tempo, tantas mudanças e tantas incertezas.
A promessa bíblica de um novo céu e uma nova Terra é o eixo central do álbum. De que forma esse tema dialoga com sua caminhada pessoal e ministerial?
Eu sempre fui apaixonada pela volta de Jesus. Pra mim, todas as provações e lutas que passamos aqui só fazem sentido por causa da certeza de que um dia vamos ver o seu rosto. Essa esperança é o que me move. Desde nossos projetos infantis, como o “Minha Vida é uma Viagem”, até as músicas pra jovens e congregacionais que faço, todos têm a centralidade em Jesus. Crer no que ele fez no passado e faz no presente, se complementa com o sonho de vê-lo em breve no futuro. Só assim a vida faz sentido. E é isso o que mais quero pregar através da música.
O disco reúne seis singles já conhecidos e seis faixas inéditas. Como foi construir um álbum que mantivesse unidade mesmo sendo desenvolvido ao longo de diferentes momentos?
Boa pergunta. Muita gente diz que álbum autoral fica com as músicas todas parecidas, então questão da unidade já estaria resolvida (risos). Bem, mas falando sério, acho que a unidade está na construção linear e cronológica dos fatos antes e depois da volta de Cristo, e também na produção musical, feita pelo Gabriel Mendes. Embora o álbum tenha estilos bem diversos, desde worship, folk, piano e voz e até acapela, a proposta da produção musical harmoniza tudo.
Entre as novas canções, qual representa melhor o coração deste projeto e por quê?
Pergunta difícil. Se fosse das antigas, eu diria “Me promete” ou “Este é o nosso Deus”. Mas entr as inéditas, eu diria “Ninguém vai te adorar como eu”. Era pra responder só uma, né? (risos)
O álbum conta com participações de Sérgio Saas, Vocal Livre, Laura Morena e Communion. Como surgiram essas colaborações e o que cada artista acrescentou à mensagem do trabalho?
Raramente eu faço collabs. Como sou cantautor, acho que minhas músicas são muito pessoais e viscerais. E acabo não chamando outras pessoas pra cantar. Mas nesse álbum, que traz a ideia da esperança de várias gerações, quis trazer várias vários cantores, trazendo uma ideia de esperança coletiva. As participações especiais ficaram maravilhosas!!
Você é reconhecido por transformar textos bíblicos em canções. Como acontece seu processo de composição para manter fidelidade às Escrituras e, ao mesmo tempo, criar músicas que dialoguem com diferentes públicos?
É um desafio mesmo. A música “Este é o nosso Deus”, por exemplo, traz vários versículos ipsis litteris sobre a volta de Jesus. Fiquei sentado 6 horas direto tentando encaixar esses versos de uma maneira que fizessem sentido. E ainda a gente tem que deixar a melodia bonita. É difícil mesmo.
A música de abertura (“Voltarei”), é o texto de João 14. Eu queria que o verso falasse da maneira mais familiar possível, já que é uma passagem da Bíblia bem conhecida. Mas o desafio era tirar as conjugações com “vosso” da da versão mais tradicional que estamos acostumados. Acho que consegui.
Um dos maiores desafios foi a música tema, “Novo Céu e Nova Terra”, que traz o texto de Apocalipse 21. Acho que quem escuta, sente uma fluidez da letra e da melodia. Mas ninguém faz ideia de como foi complexo colocar tanto texto e deixar a melodia intuitiva e agradável.
Além da carreira como cantor, você atua como pastor, produtor musical e desenvolve projetos voltados ao público infantil. Como essas diferentes frentes enriquecem sua visão sobre o papel da música cristã?
A música cristã precisa fazer parte do nosso dia a dia. Não simplesmente em momentos específicos de culto. Então tento criar músicas para todas as faixas etárias e também para os momentos mais diversos da vida. Música pra fazer faxina na casa e música para cantar no momento de consagração na igreja. Música romântica para casamento e música triste para momentos de dor. Músicas para crianças e músicas para os mais experientes que tem um apego tão lindo com os versos da Bíblia. Já fiz um álbum para adolescentes e até uma série de canções para juvenis, que seria uma faixa etária que não é mais criança, mas ainda não adolescente. Amo fazer música cristã pra todos.
O videoclipe de “Ninguém Vai Te Adorar Como Eu” marca o encerramento deste ciclo. O que essa canção representa dentro da narrativa do álbum?
(AINDA NÃO LANÇAMOS ESSE CLIPE HEHE)
Em um cenário musical cada vez mais acelerado, qual você acredita ser a importância de produzir um álbum conceitual, pensado para ser ouvido do início ao fim?
Primeira coisa é que as pessoas precisam assinar alguma plataforma digital.porque com a conta grátis ou pelo YouTube isso nunca dá pra acontecer (risos).
Mas voltando ao cerne da sua pergunta, acho que álbuns construídos numa linha cronológica como esse, passam mensagens mais profundas e duradouras. O impacto conjunto das canções dentro de um eixo central, com certeza é mais forte.
Seus projetos infantis já ultrapassaram a marca de um bilhão de visualizações no YouTube. Como essa experiência influencia sua comunicação com diferentes gerações dentro da música cristã?
(PASSOU DE DOIS BILHÕES, TÁ? Hehe)
Uma das coisas que mais amo é que essas músicas não são mais SÓ infantis. Se vou cantar pra adolescentes, ou pra jovens, ou pra adultos, mesmo sem nenhuma criança presente, eu preciso cantar essas músicas. São mensagens tão bíblicas e criativas, que extrapolaram uma única faixa etária. Então esses 2 bilhões de views ainda tb são de adolescentes que vão de ônibus pra escola ouvindo “a vida é tão boa”, como já me segredaram muitos (risos).
Depois de mais de 13 álbuns e mais de 120 canções lançadas, quais aprendizados você considera mais importantes na sua trajetória artística e ministerial?
Deus realmente abre portas quando temos o espírito de servos. Anos atrás, quando apresentei os salmos à Gravadora Novo Tempo, sinceramente nem pensava em ser cantor, ser “famoso” ou lucrar com isso. Acho que quando sinceramente queremos servir o Reino, Deus manda oportunidades, inspiração, recursos, pessoas certas e nos mostra qual o foco que Ele tem para nossa música.
Que mensagem você espera que as pessoas levem consigo após ouvir Novo Céu e Nova Terra, especialmente em um momento em que tantos buscam esperança e propósito?
Sonhem com o encontro com Jesus. Sonhem com o céu. Essa é a maior promessa que Jesus fez. E Ele sempre cumpre o que promete. Nós pés estão na terra, e acabamos focando demais nas coisas daqui. Vamos olhar para o céu e realmente crer que Ele virá em breve. E vai ser muito do que imaginamos!!
E que lembremos das palavras que o próprio Jesus nos dirá, como escritas em Apocalipse 21:5-7 e cantada na canção “Novo Céu e Nova Terra”:
Eis que faço novas todas as coisas…
Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim.
Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.
O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele será filho

