1) “Uma Voz, Uma Lembrança e Uma Canção” é um álbum marcado pela memória afetiva. Como foi participar do projeto que transforma lembranças em um álbum especial?
TC: Para mim foi um grande privilégio. Eu acredito que esse é o maior poder da música, marcar história, marcar época. E também trazer lembranças. E a ideia do álbum, “Uma Voz, Uma Lembrança e Uma Canção”, é justamente isso, canções que marcaram época na minha vida. Lembranças da minha vida. Então todas as canções marcaram um momento muito importante que eu estava vivendo. E poder transformar isso em música, para mim foi muito bom.
2) O repertório reúne canções que fizeram parte da sua caminhada. Como foi revisitar essas músicas tantos anos depois?
TC: Realmente, marcou muito a minha história. A gente fez um briefing de quais foram as canções que marcaram a minha vida. A gente selecionou umas 50. Depois, a gente foi peneirando, peneirando, até chegar em sete músicas. Todas elas marcaram um momento muito especial da minha vida. Tanto a do J Neto, que é “Pensando Bem”, Eu lembro de mim na infância, minha mãe ouvindo essa canção. E eu ouvindo desde criança. E até as mais recentes, mais atuais, por exemplo, “Bênçãos Que Não Tem Fim”, poxa, marcou um ano incrível que eu tive. E no final do ano, acho que eu não me engano, até postei uma foto com essa música, “Bênçãos Que Não Tem Fim”. Então, para mim foi muito bacana revisitar tudo isso e transformar em música.
3) O álbum traz influências marcantes da black music. De que forma esse estilo ajudou a construir a identidade sonora deste trabalho?
TC: Bom, eu sou fruto da black music. A minha construção musical toda foi baseada na black music. Então, para mim foi uma delícia gravar esse álbum com essas influências, daquilo que é a minha origem. As pessoas que me conhecem sabem que eu transito por muitos gêneros musicais diferentes. Mas a minha raiz, o berço, o principal é a black music. Então eu canto melhor quando é black music. A minha musicalidade aflora mais, justamente porque carrega referências que eu tive ao longo da minha vida musical.
4) Você costuma transitar entre o gospel, o R&B, o soul e o pop. Como essas referências dialogam neste projeto acústico?
TC: Eu sou uma pessoa que transita muito entre R&B, soul, pop. Recentemente gravei um blues também. E agora a gente meio que regravou também um blues, “Vida aos Sepulcros”. A ideia também é ser um blues. Então, como eu já transito muito, também foi tranquilo gravar esse álbum. Só que, olha que interessante, mesmo eu transitando por todos esses álbuns, a forma que eu mais gosto de gravar músicas ou cantar é a forma acústica. Eu amo violão e voz. Então, para mim foi muito bom, muito marcante esse álbum.
5) Depois de quase 20 anos, você voltou a trabalhar com o produtor Jhessé. Como foi esse reencontro e o que ele agregou ao álbum?
TC: Trabalhar com o Jhessé foi um privilégio, aliás é um privilégio. Jhessé esteve presente no meu primeiro álbum solo. Ele quem produziu o meu álbum solo. Depois nós produzimos um álbum juntos, chamado Caminhos. Produziu algumas coisas minhas e agora a gente se uniu novamente para gravar “Uma Voz, Uma Lembrança e Uma Canção”. E toda aquela sinergia que a gente teve nos primeiros álbuns que eu gravei com ele, voltou agora. A sinergia não só musical, mas afetiva, de amizade, um conhecer a história do outro. Então, acho que tudo isso ajudou a construir esse álbum, tanto na parte musical quanto na parte do repertório também. Inclusive, ele que sugeriu a canção “Pensando Bem”, do J Neto, e eu de prontidão logo aceitei. Então, o Jhessé contribuiu muito, muito na construção desse álbum, inclusive na parte de voz também. Como ele é um excelente cantor, eu falei: Jhessé, me manda ideias que você tem, que eu vou executar também. E aí, foi e ficou lindo. Ficou maravilhoso.
6) A direção da Musile Records propôs que os artistas compartilhassem histórias por meio das canções escolhidas. O que mais chamou sua atenção nessa proposta?
TC: O que mais me chamou a atenção foi a liberdade para você mostrar a sua personalidade artística. Por quê? Porque o projeto não é simplesmente: olha, tem umas músicas aqui, grava aí. Não! O Ricardo Carreras chegou para mim e falou: Ton, quais são as músicas que marcaram a sua vida, sua história? E é isso que define a personalidade de um cantor, de um músico, é a história dele, a vivência, é o que ele ouviu, é o que ele viveu. Então, o sucesso que este álbum está fazendo se dá também por esta questão, de ser eu mesmo que estou cantando. Nós, em conjunto, escolhemos as músicas, mas tudo tem a ver com a minha história e com a minha jornada na música.
7) Entre todas as faixas, existe alguma que tenha uma história especialmente marcante ou emocionante para você? Por quê?
TC: A faixa que mais marcou história é “O Melhor de Deus”, uma canção de minha autoria. E marcou principalmente por uma mudança na minha carreira. Eu estava numa gravadora, e essa gravadora não estava sendo legal, eu com essa gravadora. Não estávamos conseguindo ir para frente, parecia que tinha algo emperrando. Algo não estava dando certo e eu até fiz uma oração para Deus fazer com que alguma coisa acontecesse, intervisse. O que aconteceu foi que os sócios dessa gravadora brigaram entre si e automaticamente meu contrato foi rescindido. Eu fiquei sem gravadora e aí eu escrevo essa música. Com fé, né, porque imagina, eu voltei a ser independente de novo. Parece que eu dei uns passos para trás, mas na verdade eu estava dando muitos passos à frente, só que eu não sabia. E aí eu escrevi profeticamente, o melhor de Deus está por vir, e a partir daí eu comecei a viver coisas muito maiores do que eu tinha vivido antes.
8) Em 2025 você recebeu sua primeira indicação ao Latin GRAMMY. Como esse reconhecimento influenciou sua confiança e suas escolhas artísticas para este novo projeto?
TC: A indicação ao Grammy Latino foi algo muito especial para qualquer cantor e na minha vida não foi diferente. Isso reafirmou para mim o meu chamado, a minha personalidade artística, musical, esse reconhecimento de que eu podia ser eu mesmo, que as pessoas iriam acreditar. Então, o artista passa por essas fases de acreditar que: poxa, será que eu posso continuar a fazer o que eu estou fazendo, será que eu posso continuar a ser eu mesmo, ou tenho que me moldar a alguma situação? E não. A gente tem que ser a gente mesmo. Então, o Grammy Latino veio para isso e me ajudou a encarar esse novo projeto, “Uma Voz, Uma Lembrança e Uma Canção” e colocar ali todo meu perfil, minha personalidade e a minha musicalidade.
9) Vivemos um período em que as músicas parecem ter um ciclo de vida cada vez mais curto. Você afirmou que este álbum foi pensado para atravessar o tempo. O que faz uma obra se tornar atemporal na sua visão?
TC: O que faz um álbum se tornar atemporal, é quando as músicas são escritas para serem atemporais. Hoje, tem muito, por exemplo: eu quero gravar música para o carnaval. Tem muito isso no meio secular. Então, a pessoa quer que a música dela seja um hit do carnaval, então, escreve a música para aquele momento, não tem a pretensão da música tocar em vários momentos. Ela escreve para ser um hit do momento. E não é isso que acontece com nosso álbum, porque todas as músicas dele já são atemporais. Então, por exemplo, “Bênçãos Que Não Tem Fim”, é uma música que daqui a 10 anos a gente vai estar cantando. “Pensando Bem”, de J Neto, já estamos cantando há 20 anos e ela vai continuar a ser cantada. “Deus é Deus”, não tem como acabar. “Deus é Deus” daqui 30 anos as igrejas estarão cantando. Então, a escolha do repertório já determinou que vai ser um álbum atemporal.
10) Os videoclipes foram lançados gradualmente e acompanhados das histórias por trás das músicas. O que o público que ainda não viu pode esperar desse conteúdo audiovisual?
TC: Nós acabamos de lançar todos os vídeos do álbum “Uma Voz, Uma Lembrança e Uma Canção” e eu queria muito incentivar as pessoas a assistirem aos vídeos. Mesmo sendo mais importante ouvir a canção, o videoclipe e a estética dos vídeos estão tão maravilhosos, tão incríveis, que eu quero que todo mundo vá lá ver. É uma obra de arte e a arte foi feita para ser apreciada, para as pessoas assistirem. Então, eu faço o convite para as pessoas que, de repente, já ouviram num streaming de música, ou que viram só um corte no Instagram, no reels, TikTok, vão lá no YouTube, assistam, que está a coisa mais linda do mundo!
11) Ao longo de mais de duas décadas de carreira, como você avalia a evolução da música cristã brasileira em termos de produção, qualidade e alcance?
TC: Algumas coisas melhoraram, mas algumas pioraram, na minha visão. As coisas que melhoraram foi o acesso e o surgimento de excelentes músicos, excelentes novos cantores. A democratização. Hoje, uma pessoa, às vezes grava um vídeo no YouTube e já estoura e já consegue entrar na música, crescer na música. Isso foi uma coisa que, para mim, teve uma evolução. Agora, uma coisa que foi ruim é que as músicas ficaram meio iguais, muito parecidas umas com as outras. Perdeu-se um pouco a poesia, perdeu-se um pouco a harmonia, tudo para se adequar a um formato que faz mais sucesso. Já esse álbum, “Uma Voz, Uma Lembrança e Uma Canção” veio meio que na contramão disso, trazendo musicalidade, trazendo novas formas de cantar, novas formas de se interpretar a música e eu tenho certeza de que vai ser um marco na nossa música gospel.
12) Depois deste projeto, quais são os próximos passos da sua carreira? Os fãs podem esperar músicas inéditas, novas turnês ou outras surpresas ainda este ano?
TC: Com certeza. Eu não vou parar de lançar coisas, não vou parar de fazer. Tem turnê nova, tem música nova, já vou lançar mais música nova esse ano, singles. Estou preparando um álbum novo para o ano que vem, também, lindo, não posso revelar muita coisa agora, mas vai ser um álbum incrível, impactante. E a gente não vai parar. Quem colocou a mão no arado não pode olhar para trás, como diz o versículo (Lucas 9:62). Um abraço, gente!

