25 jul 2026, sáb

A suplementação de ômega-3 desperta interesse crescente entre pessoas que buscam melhorar a saúde cardiovascular, cerebral e metabólica. No entanto, especialistas alertam que nem todos precisam recorrer aos suplementos e que a escolha do produto deve considerar critérios de qualidade e orientação profissional. As informações foram divulgadas pela assessoria de imprensa da nutricionista Adriana Stavro, mestre pelo Centro Universitário São Camilo e especialista em doenças crônicas não transmissíveis.

Os ácidos graxos ômega-3 são considerados nutrientes essenciais porque o organismo humano não consegue produzi-los em quantidade suficiente. Dessa forma, eles precisam ser obtidos por meio da alimentação ou, quando necessário, por suplementação indicada por médicos ou nutricionistas.

Benefícios do ômega-3 para a saúde

O ômega-3 participa da estrutura das membranas celulares e influencia processos relacionados à comunicação entre as células, à resposta inflamatória e ao funcionamento do sistema cardiovascular e nervoso.

Entre os principais tipos estão o ALA, encontrado em alimentos de origem vegetal, como linhaça, chia e nozes, e os ácidos graxos EPA e DHA, presentes principalmente em peixes de águas frias, como sardinha, salmão, arenque e cavalinha, além de algas.

Embora o organismo consiga converter parte do ALA em EPA e DHA, essa transformação ocorre de forma limitada. Por isso, especialistas consideram o consumo direto dessas fontes a maneira mais eficiente de garantir níveis adequados desses nutrientes.

Segundo a nutricionista Adriana Stavro, estudos associam o consumo adequado de ômega-3 a benefícios em diferentes áreas da saúde. Entre elas estão:

  • Saúde cardiovascular, com redução dos triglicerídeos e melhora da função dos vasos sanguíneos;
  • Saúde cerebral, devido ao papel do DHA na estrutura dos neurônios;
  • Gestação e desenvolvimento infantil, favorecendo a formação do cérebro e da retina do feto;
  • Controle de processos inflamatórios;
  • Saúde metabólica, com efeitos sobre o metabolismo de gorduras e glicose;
  • Saúde ocular;
  • Saúde da mulher, especialmente durante a síndrome pré-menstrual e a menopausa.

Quando a suplementação de ômega-3 pode ser indicada

A suplementação de ômega-3 não é indicada para toda a população. Em muitos casos, uma alimentação equilibrada, com consumo regular de peixes ricos nesse nutriente, atende às necessidades do organismo.

Entretanto, pessoas com ingestão insuficiente ou determinadas condições clínicas podem receber indicação de suplementação. Nesses casos, a dose deve ser individualizada e definida por um profissional de saúde.

Outro ponto importante é que não existe uma quantidade padrão válida para todos os pacientes. A recomendação depende da condição clínica, da alimentação e dos objetivos do tratamento.

Como escolher um suplemento de qualidade

Na hora da compra, especialistas orientam que o consumidor observe mais do que a quantidade total de óleo de peixe.

Entre os principais critérios estão:

  • concentração de EPA e DHA por dose;
  • certificações internacionais de qualidade, como IFOS;
  • matérias-primas reconhecidas, como MEG-3®;
  • testes de pureza para metais pesados e outros contaminantes;
  • embalagens em vidro escuro para reduzir a oxidação;
  • armazenamento adequado, protegido da luz e do calor;
  • presença de vitamina E como antioxidante.

Esses fatores ajudam a preservar a estabilidade do produto e garantem maior segurança durante o consumo.

Mitos e cuidados sobre o consumo de ômega-3

Apesar da popularidade dos suplementos, ainda existem dúvidas sobre seu uso.

Um dos principais equívocos é acreditar que todas as pessoas precisam suplementar. Segundo a especialista, isso depende da alimentação e das necessidades individuais.

Outro mito frequente afirma que todos os suplementos possuem a mesma qualidade. Na prática, existem diferenças importantes relacionadas à concentração dos princípios ativos, pureza e controle de qualidade.

Também não há comprovação científica para o chamado “teste do freezer”, frequentemente citado nas redes sociais como forma de avaliar a qualidade do produto.

Além disso, embora o ômega-3 possa reduzir discretamente a agregação das plaquetas, o risco de sangramento permanece baixo nas doses habituais. Ainda assim, pessoas que utilizam anticoagulantes ou antiagregantes devem conversar com o médico antes de iniciar a suplementação.

Efeitos adversos e quem precisa de avaliação médica

Os efeitos colaterais mais comuns envolvem desconfortos gastrointestinais, como gosto residual de peixe, arrotos, azia, náuseas, dor abdominal, gases e alterações intestinais.

Para reduzir esses sintomas, recomenda-se ingerir o suplemento junto às refeições, preferencialmente contendo gordura, dividir a dose quando indicado e iniciar o tratamento gradualmente.

A nutricionista também ressalta que pessoas com alergia a peixes, histórico de fibrilação atrial, doença hepática grave, uso de anticoagulantes ou cirurgias programadas devem buscar avaliação médica antes de utilizar o suplemento.

Embora pesquisas recentes apontem um discreto aumento do risco de fibrilação atrial com doses elevadas em grupos específicos, o acompanhamento profissional continua sendo a principal forma de garantir o uso seguro e adequado do ômega-3.