Entrevista: Tiquequê, dupla musical

1. O que motivou a decisão de transformar a canção “Bebezinho, Bebezão” em um livro? Como surgiu essa ideia?
Já faz muito tempo que queremos transformar alguma canção nossa em um livro, até quando surgiu um contato da Jujuba – uma editora que gostamos muito, de onde pegamos livros para ler os nossos filhos. Ficamos muito felizes primeiro com o contato e tínhamos uma música em mente que poderia se transformar em um livro, entre outras músicas que são mais narrativas também. Aí a Jujuba teve a ideia em páginas a música “Bebezinho, Bebezão”. Foi uma surpresa muito especial pra gente. Ela é especialista em literatura de colo. Depois desse desdobramento, precisamos achar uma ilustradora, e ela mesma trouxe a Isabela Santos – e simplesmente adoramos. Pensamos como é que ela contaria essa história através das ilustrações, e, com a chegada do livro, nossa satisfação ficou além, nós amamos o resultado final.
2. Quais aspectos da rotina dos bebês, descritos na música, foram mais desafiadores de retratar visualmente no livro?
A Isabela quem teve esse trabalho de ilustração, de pensar como transformar essa letra em imagens, ilustrando a história. Tem uma coisa muito legal que ela trouxe: o gato – um verdadeiro companheiro para o bebezinho. O gato é um animal que os bebês se identificam bastante.
3. Como foi o processo criativo para integrar a música com as ilustrações feitas por Isabela Santos? Houve alguma troca colaborativa entre vocês?
Não houve necessariamente uma troca, pois a letra já estava pronta. O processo criativo inteiro da ilustração foi da Isa. Inclusive ela não havia escutado a música, mas ela leu muitas vezes a letra de “Bebezinho, Bebezão” e a partir daí criou uma narrativa com as ilustrações dela a partir da letra.
4. Você menciona que a relação da criança com a leitura é poderosa desde o nascimento. Como o livro “Bebezinho, Bebezão” contribui para estimular esse vínculo afetivo entre pais e filhos?
O momento da leitura entre pais e filhos é um momento muito especial. Primeiramente, a leitura já tira a gente das questões do dia a dia, da rotina que muitas vezes o adulto está em um descompasso com a criança. O livro tem o poder de unir e transformar esses instantes em um momento especial e único. A leitura tem o prazer de proporcionar uma conexão forte entre pais e filhos. E pensando em um ambiente familiar, colocamos o filho no colo muitas vezes em um lugar acolhedor como o sofá ou na cama. E ali, as atenções começam a ser direcionadas para uma história – as crianças vêem as ilustrações. É um momento de muita intimidade tanto para o adulto quanto para a criança que o livro proporciona. E essa memória afetiva fica pro resto da vida. Ler um um livro para uma criança estimula um vínculo e cria uma proximidade.
5. Com a popularidade da música, que já atingiu milhões de visualizações no YouTube, quais são suas expectativas em relação ao alcance e impacto do livro entre os leitores?
A expectativa é muito boa, principalmente porque o sucesso em formato de páginas atinge agora uma outra plataforma, e o livro agora traz esse novo tempo. Essa letra foi pensada muito em cima de uma melodia que tem ritmo, que tem as suas pausas. O livro proporciona uma outra experiência, e até a própria diagramação e edição ajudam isso. Tem a relação do gato com o bebê com o gato, do bebê com o adulto, ou seja, ora reforçam coisas que estão ali na própria página, ora traz novos elementos. Essa é uma expectativa de uma outra forma, que abre outras possibilidades, inclusive de compreensão dessa narrativa. Estamos muito felizes e orgulhosos dessa obra.
6. O Tiquequê é conhecido por suas performances musicais inovadoras. Você vê o lançamento do livro como uma extensão natural dessa inovação? Como ele complementa o trabalho musical do grupo?
Tudo que diz respeito à infância e é ligado a criatividade, a gente tende a cultivar. Então, podemos classificar que o livro também é uma expressão artística que está muito próxima do que a gente faz. Nos nossos espetáculos, bem no começo, tinha contação de história – a gente sempre fazia uma história e números musicais e no final tinha uma história que a gente apresentava para o público. Muita gente não sabia se era música ou teatro, se era um grupo musical ou um grupo de teatro. Nesse sentido, o universo literário sempre esteve muito presente desde o começo do Tiquequê.
7. Quais são os planos futuros do Tiquequê no universo literário? Podemos esperar mais adaptações de outras canções ou projetos similares?
Temos, sim, muita vontade de continuar esse projeto, que é um desejo antigo de ter uma coleção de livros do Tiquequê. “Bebezinho Bebezão” é a primeira obra que abre caminho para continuar e transformar nosso conteúdo em uma coleção de livros do Tiquequê. E não só das canções, como foi no primeiro, mas talvez de histórias que criamos, histórias literárias. O que foi originalmente uma música, se transformou num livro, quem sabe a gente não faça um livro que depois se transforme em uma música ou em uma peça de teatro ou algo semelhante.