O espetáculo SEMENTEIRA, do Núcleo Menos 1 Invisível, aborda crise climática, injustiça ambiental e resistência coletiva por meio da dança. Com concepção e direção artística de Cléia Plácido, a montagem tem apresentações no Centro de Referência da Dança (CRD), nos dias 14 e 15 de outubro, e no Complexo Cultural Funarte SP, de 21 a 24 de outubro.
A criação parte de experiências em hortas urbanas e periféricas da zona Leste de São Paulo. A partir dessas vivências, o espetáculo transforma práticas de cultivo, trabalho comunitário e cuidado com a terra em material para a pesquisa artística.
A circulação integra um projeto contemplado pela 38ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. Durante a temporada na Funarte SP, o grupo também lançará uma exposição virtual com registros fotográficos do processo criativo.
SEMENTEIRA relaciona dança e crise climática
A montagem se inspira no trabalho coletivo de quem planta, cultiva e participa de mutirões em hortas urbanas. Em cena, corpos humanos e elementos associados ao mundo não humano compõem imagens que remetem à germinação, às sementes e à possibilidade de imaginar outros futuros para a cidade.
A pesquisa artística dialoga com obras de Malcom Ferdinand, autor de Ecologia Decolonial; Nêgo Bispo, de A Terra Dá, a Terra Quer; e Denetèm Touam Bona, de A Sabedoria dos Cipós. O espetáculo também homenageia Wangari Maathai, ambientalista queniana que recebeu o Prêmio Nobel da Paz e criou o movimento Cinturão Verde.
A proposta conecta questões ambientais a debates sobre território, desigualdade e organização coletiva. Em vez de apresentar o contato com a natureza de forma idealizada, a criação destaca o trabalho cotidiano de quem cultiva a terra e enfrenta condições climáticas variadas.
Segundo Cléia Plácido, a experiência nas hortas mostrou que essas práticas envolvem não apenas a relação com a natureza, mas também disputas territoriais, resistência e trabalho. Para a diretora, levar essas experiências à cena permite refletir sobre formas de convivência diante da crise climática.
Hortas da zona Leste inspiram a criação do espetáculo
Duas experiências são referências centrais para SEMENTEIRA: as atividades nas Hortas da Jô, em Ermelino Matarazzo, e uma intervenção artística realizada no Viveiro Escola das Mulheres do Gaú. Ambos ficam na zona Leste da capital paulista, região onde parte do elenco reside.
O processo criativo também incorporou vivências em mutirões organizados pela Rede Permaperifa, com práticas ligadas à agroecologia e à permacultura.
Essas experiências orientaram a pesquisa de movimento e a construção da dramaturgia. O grupo buscou questionar representações que romantizam o trabalho no campo e deixam em segundo plano as dimensões sociais e políticas da agricultura familiar e das hortas urbanas.
A partir dessa investigação, o espetáculo propõe pensar o cuidado com a terra como uma prática que exige persistência e ação coletiva. A dança se torna, assim, uma forma de elaborar questões relacionadas ao território e às transformações ambientais.
Espetáculo terá apresentações no CRD e na Funarte SP
A circulação de SEMENTEIRA inclui apresentações em dois espaços culturais de São Paulo durante outubro. No Centro de Referência da Dança, as sessões acontecem nos dias 14 e 15, às 19h.
Na sequência, o espetáculo chega ao Complexo Cultural Funarte SP, com apresentações de 21 a 24 de outubro, também às 19h.
O projeto prevê ainda o lançamento de uma exposição virtual com fotografias do processo criativo. A iniciativa busca compartilhar com o público registros da pesquisa e das etapas de desenvolvimento da obra.
A ficha técnica reúne profissionais de diferentes áreas. Além da direção artística de Cléia Plácido, participam os intérpretes criadores Eduardo Reis, Emily Kimura, Júlia Lima, Rafael Markhez e Keithy Alves, além da própria diretora.
A equipe inclui orientação dramatúrgica de Paula Salles, assistência de coreografia de Clara Gouvêa, desenho de luz e cenário de Hernandes Oliveira, figurino de Karine Lopes e trilha sonora de Sarine Mariano. A direção de produção é de Iolanda Costa.
Cléia Plácido pesquisa dança e ativismo ambiental
Artista da dança, coreógrafa, pesquisadora, professora e preparadora corporal, Cléia Plácido atua na área desde 2003. É doutoranda em Artes pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde desenvolve uma pesquisa sobre dança, ativismo ambiental e contra-colonialidades.
A artista é bacharel e licenciada em Dança pela Universidade Anhembi Morumbi e estudou o sistema Laban/Bartenieff na Faculdade Angel Vianna, no Rio de Janeiro. Também é cofundadora do Núcleo Menos 1 Invisível, criado em 2013 para investigar procedimentos artísticos que integram corpo, imagem, composição e improvisação cênica.
Em 2017, Cléia recebeu o Prêmio Denilto Gomes na categoria de melhor atuação política na dança. Entre seus trabalhos estão Turning Dance (2014), Flutuante (2019), Zona (2019), Poemas Atlânticos (2021) e Refúgio (2023).
O núcleo desenvolve pesquisas que articulam dança, imagem e questões sociais. Entre suas criações anteriores estão Poemas Atlânticos, inspirado nas ideias do poeta martinicano Édouard Glissant, e Refúgio, que circulou por espaços culturais de São Paulo.
Serviço
Espetáculo: SEMENTEIRA — Núcleo Menos 1 Invisível
Centro de Referência da Dança (CRD)
- Datas: 14 e 15 de outubro de 2026
- Horário: 19h
- Local: Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Galeria Formosa, baixos do Viaduto do Chá, Centro, São Paulo (SP).
Complexo Cultural Funarte SP
- Datas: 21 a 24 de outubro de 2026
- Horário: 19h
- Local: Alameda Nothmann, 1.058, Campos Elíseos, São Paulo (SP).
Exposição virtual: lançamento durante a temporada na Funarte SP, com registros fotográficos do processo criativo.
