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Livro de Kalaf Epalanga ganhará adaptação para o cinema - Marramaque
15 ago 2026, sáb

Também os Brancos Sabem Dançar, romance do escritor e músico angolano Kalaf Epalanga, será adaptado para o cinema. A produtora portuguesa Wonder Maria Filmes adquiriu os direitos da obra, publicada originalmente em Portugal em 2017 e lançada no Brasil pela editora Todavia em 2018. A previsão é que o longa-metragem chegue ao público em 2028.

O próprio Kalaf participará da adaptação como roteirista, ao lado da cineasta e escritora Fernanda Polacow. A notícia reforça a projeção internacional da obra, que também ganhou edições no Reino Unido e na Espanha.

Também os Brancos Sabem Dançar leva ao cinema temas de identidade e migração

O romance acompanha a trajetória de um músico angolano que vive em Lisboa. Ao longo da narrativa, o protagonista enfrenta questões relacionadas à migração, identidade cultural e pertencimento.

A história também explora o impacto da música como elemento de transformação social e cultural. Nesse contexto, o livro utiliza como pano de fundo o surgimento do Buraka Som Sistema, coletivo musical que ajudou a popularizar o kuduro e as sonoridades afro-eletrônicas em diferentes partes do mundo.

A adaptação cinematográfica deverá preservar esses elementos centrais da obra, que dialoga com temas contemporâneos ligados à diáspora africana e às conexões culturais entre África e Europa.

Kalaf Epalanga retorna ao Brasil com Buraka Som Sistema

Além da novidade sobre o filme, Kalaf Epalanga tem encontro marcado com o público brasileiro em setembro. O artista participa da apresentação do Buraka Som Sistema no Coala Festival, que acontece no dia 12 de setembro, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

O show marca a volta do grupo aos palcos após uma pausa de cerca de dez anos. A apresentação contará com a formação original do coletivo: Kalaf, Branko, Blaya, Conductor e Riot.

Segundo a organização da turnê, esta será a única apresentação do Buraka Som Sistema na América do Sul durante a atual série de shows.

Buraka Som Sistema ajudou a internacionalizar o kuduro

Fundado em Lisboa, em 2006, o Buraka Som Sistema se tornou referência na cena musical global ao combinar ritmos africanos com música eletrônica.

O grupo lançou os álbuns From Buraka to World (2006), Komba (2011) e Buraka (2014). Em 2008, conquistou o prêmio de Melhor Artista Português no MTV Europe Music Awards.

A trajetória do coletivo teve papel importante na difusão internacional do kuduro, gênero musical originário de Angola, contribuindo para ampliar o alcance das produções africanas no mercado global.

Kalaf Epalanga se destaca na literatura e na curadoria cultural

Além da carreira musical, Kalaf Epalanga construiu reconhecimento como escritor e pensador cultural. No Brasil, também publicou Minha Pátria É a Língua Pretuguesa: Crônicas, lançado pela Todavia em 2023.

A obra utiliza o conceito de “pretuguês”, criado pela intelectual brasileira Lélia Gonzalez, para refletir sobre linguagem, cultura e identidade negra.

Radicado em Berlim, Kalaf atua ainda como curador, produtor cultural e pesquisador. Seu trabalho reúne projetos ligados à memória, às diásporas africanas e às relações culturais entre Angola, Portugal e Brasil.

De acordo com informações divulgadas pela assessoria de imprensa, a adaptação de Também os Brancos Sabem Dançar amplia a presença internacional da obra e reforça a relevância de Kalaf Epalanga como uma das principais vozes contemporâneas da cultura lusófona.