O que representa para você lançar “Entre a Resistência e a Existência” neste momento da
sua trajetória artística e pessoal?
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Tudo que eu faço, escreve, canto, tem haver com meus caminhos, sejam eles
artísticos ou pessoal. Entre a Resistência e a Existência é mais um degrau na
construção de quem eu sou.
O título do EP é bastante forte. Como surgiu a ideia de unir os conceitos de resistência e
existência em uma mesma obra?
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Esse projeto nasce da Luta e do Luto, do luto pela perda do meu tio, e da Luta do
dia-a-dia, pra ser reconhecida, pra continuar existindo, pra não ser invisibilidade, e
poder continuar me expressando.
Você define o trabalho como autobiográfico. Quais experiências pessoais foram essenciais
para a construção das três faixas?
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Bom várias experiências foram e são essenciais para a minha Existência e do meu
trabalho, primeiro a minha ancestralidade, o afeto, apesar de falar de realidades
duras, é preciso ter um olhar atento e afetuoso, pra falar do que vivemos no
cotidiano, que são minhas vivências , mas também coletivas.
Como a sua identidade como mulher preta, periférica e nordestina influencia sua forma de
compor e fazer música?
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Acho que a palavra não é influência, é vivência, porque tudo que escreve, que
compartilho, que troco, é sobre mas do que meu lugar de fala, é do meu lugar de
existência.
A faixa-título homenageia Salvador e suas contradições. Quais aspectos da cidade estão
mais presentes na sua arte e na sua visão de mundo?
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Salvador ne formou, seus becos e vielas, sua risada frouxa, seu magnetismo, sua
força, mas também sua dureza com a arte underground, o abandono da sua história,
seu sagrado e profano, só quem vivi em Salvador sabe o que eu to falando, mas eu
trago isso pra que as pessoas abram o coração pra conhecer a verdade Salvador
que não é só os cartões postais.
Em “Sem Filtro, Sem Maquiagem”
, você aborda os desafios de ser uma artista
independente. Quais foram os maiores obstáculos que enfrentou até aqui e o que a
manteve em movimento?
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Sem Filtro e sem Maquiagem é a própria descrição do processo do ep. Como
compor, gravar, está nas redes sociais, nos streamings, vender seus próprios shows,
gerir sua carreira que tem mais investimentos que colheitas, mas também pagar ascontas, cuidar da saúde física e mental, comer bem? São questões que vivem a
maioria dos artistas underground, e tem o agravante de um mercado que acolhe arte
engessada, e exige cada vez mais da gente, não é nada fácil, as vezes eu penso em
parar e voltar pra sala de aula, não quero estar em vulnerabilidade, quero uma vida
digna e tranquila.
“Bonde Delas” celebra o protagonismo feminino. Como você enxerga a força das mulheres
na música independente e no cenário cultural brasileiro atual?
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Eu sempre questiono, se o cenário da música tem abraçado a força das mulheres,
ou ele tem sido forçado a abraçar, exatamente por essa força e nossa luta? Bonde
delas tem esse questionamento, acho que sim temos mais visibilidade, porém
estamos na arte a muito tempo, criamos, produzimos, e encabeçamos vários
movimentos, no país onde mais da metade é de mulheres, queremos
proporcionalidade.
Você afirma que as músicas representam passado, presente e futuro. De que maneira a
ancestralidade ajuda a compreender quem você é hoje e quem deseja se tornar?
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Tem musicas, que não sei explicar já vem prontas, eu só sento e coloco no papel,
tem momentos que parecem que ja vivi, caminhos que se apresentam no meu
caminho, e tenho certeza que é a ancestralidade, são meus antepassados se
comunicando comigo, me mostrando que tem saída, tem solução, que preciso falar,
que preciso calar, eu sou e estou realizando os sonhos das minhas ancestrais.
Vencer a categoria Sementes do MBoraFest 2025 ampliou a visibilidade do seu trabalho. O
que esse reconhecimento significou para a sua carreira?
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Pra quem tem trabalhado a muito tempo é necessária sim, ser reconhecido,
aplaudido, amplificado, nosso país é racista e sexista, e o rap não é diferente. Então
saber que meu trabalho, está sendo celebrado, em lugares fora das comunidades, e
melhor levar pra outros públicos a minha realidade é de extrema importância. O
Mbora me trouxe isso, celebração, reconhecimento e principalmente oportunidade.
O EP foi produzido entre Salvador e São Paulo. Como o diálogo entre essas duas cidades e
seus diferentes contextos musicais contribuiu para o resultado final do projeto?
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Salvador e São Paulo são mais parecidas que a galera pensa, são dois pólos de
cultura, arte, educação, são cidades efervescentes, mágicas, muito momentos maus
interpretadas, mas são amadas e odiadas na mesma proporção. Viver entre
Salvador e São Paulo é entender minha continuidade, a continuidade dessas
cidades, e acolher elas, trazer elas pra minhas letras e falar tudo que eu proporciono
a elas e elas me proporcionam.Muitas das questões presentes no EP são vivências pessoais, mas também refletem

