A tecnologia na educação contemporânea é o tema central do livro Educar as tecnologias: elogio à presença e aos tempos do pensar, novo lançamento das Edições Sesc São Paulo. Na obra, o educador e filósofo Fernando José de Almeida discute os desafios impostos pelo avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial ao ambiente escolar, defendendo que o ensino permanece um ato essencialmente humano e insubstituível.
Em meio às discussões sobre o potencial da inteligência artificial e suas implicações para a sociedade, o autor propõe uma reflexão sobre os limites e as possibilidades das ferramentas tecnológicas na educação formal. Segundo Almeida, a incorporação das tecnologias ao processo de ensino não deve ocorrer de maneira automática ou acrítica, mas precisa ser orientada por princípios éticos, culturais e democráticos.
Ao longo da obra, Fernando José de Almeida analisa as transformações aceleradas pela pandemia de covid-19, período em que as plataformas digitais deixaram de ser apenas recursos emergenciais para se tornarem parte estruturante das práticas pedagógicas.
Nesse contexto, o autor apresenta o conceito de “hibridismo crítico”. A proposta consiste em integrar aspectos sociopolíticos, éticos e culturais ao currículo escolar, considerando as especificidades de cada sociedade. Dessa forma, o currículo passa a ser entendido como uma construção social voltada ao exercício da cidadania e da democracia.
A publicação também levanta questionamentos sobre a forma como as tecnologias são introduzidas nas escolas. Para Almeida, é preciso inverter a lógica predominante e, antes de adaptar a educação às tecnologias, educar essas ferramentas para que elas contribuam de maneira efetiva para a formação humana.
Outro tema abordado em Educar as tecnologias é a chamada “silicolonização”, expressão derivada do Vale do Silício. O conceito descreve o crescente poder das grandes empresas de tecnologia sobre os sistemas educacionais.
Segundo o autor, as big techs exercem influência por meio da coleta de dados e do desenvolvimento de algoritmos capazes de direcionar tendências e comportamentos. Esse processo amplia o controle corporativo sobre os rumos da educação e fortalece discursos que defendem a substituição de políticas públicas por iniciativas privadas, frequentemente associadas à promessa de maior eficiência.
Para Almeida, esse cenário exige reflexão crítica sobre os limites da tecnologia e o papel do Estado na garantia de uma educação inclusiva e democrática.
Embora reconheça as mudanças provocadas pelas ferramentas digitais, o livro reafirma a importância das relações humanas na construção do conhecimento. A obra argumenta que a formação da capacidade crítica depende de experiências pedagógicas marcadas pela convivência, pelo diálogo e pela presença.
Nesse sentido, o professor é apresentado como figura indispensável no processo de ensino e aprendizagem. O vínculo entre docentes e estudantes, segundo Almeida, contribui para ampliar perspectivas, promover a pluralidade de ideias e fortalecer a construção da cidadania.
De acordo com informações divulgadas pela assessoria das Edições Sesc São Paulo, o livro integra o catálogo da editora, que publica obras voltadas à educação permanente, à cultura e à reflexão sobre temas contemporâneos. Os exemplares estão disponíveis nas unidades do Sesc São Paulo, no portal da instituição e nas principais livrarias do país.

