O projeto OGÓ debate masculinidades negras por meio da música, do audiovisual e de reflexões sobre identidade racial no Brasil. A iniciativa dos artistas capixabas Gessé Paixão, Vitor Martins e Douglas Bonella apresenta um álbum autoral e um cineclube com atividades realizadas em Vitória, no Espírito Santo.
Em atividade desde 2019, o trio desenvolve ações que unem arte, ancestralidade e discussão social. O projeto foi selecionado pelo Edital 026/2020 da Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES), voltado à produção, difusão e distribuição musical.
A programação inclui o lançamento do Cine OGÓ, realizado em 25 de novembro de 2022, no Espaço Thelema, no Centro de Vitória. Além disso, o grupo promoveu o pré-lançamento do álbum “OGÓ” em 30 de novembro, no Museu Capixaba do Negro Verônica da Pas (Mucane).
O projeto OGÓ debate masculinidades negras a partir de uma abordagem artística que questiona desigualdades históricas e valoriza trajetórias de homens negros. O nome do grupo faz referência ao objeto carregado por Exu, orixá ligado à comunicação na cosmologia iorubá.
Segundo os integrantes, o conceito representa movimento, criação e circulação por diferentes espaços. Assim, a proposta busca ampliar discussões sobre pertencimento, ancestralidade e construção de identidades negras na sociedade brasileira.
No palco, Gessé Paixão e Vitor Martins formam o duo responsável pela apresentação musical. Já Douglas Bonella atua na produção executiva, fotografia, design e conteúdos audiovisuais do projeto.
O álbum “OGÓ” reúne seis faixas autorais: “OGÓ”, “Canto à Nanã (As Paneleiras)”, “Capitão do Mato”, “Mangará”, “Preto Pensa” e “Afrofuturo Negro”.
Gravado no Gama Soundz Studio, em Vitória, o trabalho teve produção musical de Thiago Perovano e engenharia de gravação de Felipe Gama. As músicas combinam elementos da cultura popular brasileira com referências de coco, baião, ijexá, barravento, maracatu, samba e rap.
Além disso, o grupo incorpora instrumentos como trompete, pandeiro, handpan, didgeridoo e outros recursos percussivos. Dessa maneira, o projeto cria uma sonoridade que aproxima tradição, espiritualidade e novas linguagens musicais.
A estreia do Cine Ogó contou com a exibição do curta-metragem “Rapsódia para o Homem Negro” (2015), dirigido por Gabriel Martins. A produção aborda relações raciais, ancestralidade, política e perspectivas afrofuturistas.
Após a sessão, o público participou de uma roda de conversa sobre masculinidades e negritudes. A atividade discutiu temas como racismo estrutural, violência contra a população negra e desigualdades sociais.
De acordo com os integrantes, o projeto pretende contribuir para a educação das relações étnico-raciais e incentivar debates sobre equidade racial. A iniciativa também dialoga com dados do Atlas da Violência, que apontam a vulnerabilidade da população negra diante da violência no país.
Ao longo de três anos de atuação, o OGÓ participou de eventos como o Festival POCAR, em Conceição da Barra, o Marien Calixte Jazz Music Festival, em Vitória, e o 1º Prêmio da Música Capixaba.
Além disso, a composição “Manga” recebeu reconhecimento no III Festival de Música do Matuto, realizado em Itaoca (ES), em 2019.
Com suas ações, o grupo busca transformar a música em ferramenta de diálogo sobre história, cultura negra e direitos civis. O projeto reúne poesia falada, música instrumental e referências da diáspora africana para construir novas narrativas.
Cine Ogó
Exibição do filme “Rapsódia para o Homem Negro” (2015), seguida de roda de conversa.
Data: 25 de novembro de 2022
Horário: 19h30
Local: Espaço Thelema – Rua Graciano Neves, 90, Centro, Vitória (ES)
Entrada: gratuita
Pré-lançamento do álbum “OGÓ”
Apresentação musical do duo OGÓ.
Data: 30 de novembro de 2022
Horário: 19h
Local: Museu Capixaba do Negro Verônica da Pas (Mucane) – Vitória (ES)
Entrada: gratuita

