Héloa revela capa de ÁRIDA inspirada em Arthur Bispo do Rosário

A cantora Héloa divulgou a capa de “ÁRIDA”, seu quarto álbum de estúdio, que chega às plataformas no dia 8 de outubro. A identidade visual do projeto tem como elemento central um figurino inspirado na obra de Arthur Bispo do Rosário.

Chamado de Manto Árida, o figurino foi criado pelo estilista sergipano Althair Santo e confeccionado inteiramente à mão. A fotografia da capa foi feita por Edu Freire, com arte de Roniery e Mariana Veloso.

O ensaio aconteceu no Ateliê Boca do Vento, na Ilha do Ferro, em Alagoas. A escolha do local está relacionada à pesquisa artística desenvolvida por Héloa para o novo trabalho.

Manto Árida dialoga com obra de Bispo do Rosário

O figurino parte de uma referência direta ao Manto da Apresentação, uma das obras mais conhecidas de Arthur Bispo do Rosário.

A partir dessa inspiração, Héloa desenvolveu uma interpretação própria do manto. A peça reúne palavras, cores e elementos relacionados às referências culturais e musicais presentes em “ÁRIDA”.

Entre os elementos incorporados estão referências a ancestralidades de matrizes africanas e indígenas, símbolos nordestinos, diferentes povos e etnias, além de palavras ligadas às canções e composições do álbum.

Héloa também assina a direção artística e criativa do projeto. Segundo a cantora, o figurino foi pensado como uma forma de reunir memórias, referências e caminhos percorridos durante sua pesquisa musical.

Althair Santo também destaca o papel do trabalho manual na construção da peça. O estilista explica que os bordados foram utilizados como parte da linguagem visual, e não apenas como decoração.

Cada palavra bordada integra a narrativa proposta para o álbum e aproxima a roupa de tradições relacionadas à transmissão de conhecimentos entre gerações.

Capa de ÁRIDA foi fotografada na Ilha do Ferro

A sessão de fotos aconteceu no Ateliê Boca do Vento, espaço ligado ao Mestre Fernando e à sua família. A região da Ilha do Ferro é conhecida pela produção artesanal, incluindo trabalhos com madeira, bordados e esculturas.

Para Héloa, o território escolhido para as imagens se relaciona diretamente com a proposta de “ÁRIDA”. A artista considera que os trabalhos produzidos no local refletem a relação entre território, matéria e criação.

A presença do artesanato também estabelece uma conexão entre a identidade visual do álbum e os saberes transmitidos entre diferentes gerações.

A capa tem fotografia de Edu Freire e direção de arte de Roniery e Mariana Veloso.

Novo álbum investiga diferentes matrizes culturais

“ÁRIDA” é o quarto álbum de Héloa e tem como eixo uma pesquisa sobre matrizes afro-indígenas e árabe-africanas presentes na formação cultural do Nordeste.

O trabalho também propõe uma mudança na representação do sertão. Em vez de associá-lo apenas à escassez, o álbum o apresenta como espaço de ancestralidade, criação, conhecimento e transformação.

Essa abordagem aparece tanto nas músicas quanto na identidade visual do projeto. O repertório combina referências de forró, baião, rap, xaxado, rojão, afrobeat, reggae, MPB e axé.

O álbum também incorpora cantos aos orixás, sons de terreiro e elementos eletrônicos. A combinação cria uma proposta musical que aproxima diferentes matrizes culturais.

Nesse contexto, a aridez apresentada por Héloa também está relacionada à resistência e à capacidade de transformação. A artista utiliza a ideia para abordar processos de criação baseados em memória, território e conhecimentos transmitidos ao longo do tempo.

Héloa prepara lançamento de novo trabalho

Com mais de 20 anos de carreira, Héloa construiu sua trajetória entre diferentes circuitos culturais brasileiros. A artista já passou por espaços e eventos como Auditório Ibirapuera, Feira Preta, Itaú Cultural, Galo da Madrugada e Marco Zero.

Sua trajetória também inclui apresentações no Festival de Artes de São Cristóvão, Festival de Inverno de Garanhuns, Rock The Mountain, Festival Carambola, Forró Caju e Virada Cultural de São Paulo e Belo Horizonte.

“ÁRIDA” chega ao público em 8 de outubro e amplia a pesquisa da cantora sobre as relações entre música, ancestralidade, território e identidade cultural.