Caju de Leitores encerra 5ª edição em Porto Seguro

O Caju de Leitores encerrou sua 5ª edição nesta sexta-feira (4), na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, em Porto Seguro (BA). O último dia reuniu literatura, arte indígena, encontros com autores, contação de histórias e apresentações culturais.

Realizado ao longo de três dias, o festival recebeu 16 autores e convidados. A programação também promoveu atividades relacionadas à oralidade, educação, artes e saberes indígenas.

A edição de 2026 teve como tema “Um Manifesto de Bichos”. A proposta relacionou animais, ancestralidade, território, língua, natureza e diferentes formas de compreender a existência.

Caju de Leitores destaca saberes Pataxó

A programação final começou com a participação da anciã e mestra dos saberes ancestrais Pataxó Maria Coruja. Homenageada desta edição, ela dividiu o momento com a escritora Lucia Tucuju.

As duas compartilharam histórias ancestrais, cantos e danças com o público. Lucia também participou do Caju de Leitores pela quarta vez.

Neste ano, a escritora integrou ainda o Caju Itinerante. O projeto passou por dez escolas da região com contações de histórias e conversas com estudantes.

Para Lucia, a participação no festival representa uma oportunidade de encontro e aprendizado. A escritora também destacou a experiência de dividir a programação com Maria Coruja.

Festival debate imagens e grafismos indígenas

A mesa “Quando as imagens também contam as histórias dos bichos” reuniu diferentes perspectivas sobre arte e ancestralidade.

Participaram do encontro a desenhista e roteirista Sol Itaputyr, do povo Jeripankó, o artista e tatuador Tucunã Pataxó e o ilustrador Maurício Negro.

Os convidados discutiram o papel dos desenhos, ilustrações e grafismos na transmissão de histórias e conhecimentos. A conversa também abordou referências ancestrais presentes nas produções artísticas.

Sol Itaputyr participou pela primeira vez do Caju de Leitores. Durante o encontro, ela ressaltou o acolhimento recebido e os conhecimentos compartilhados durante o festival.

Tucunã Pataxó, responsável pela identidade visual do evento desde 2024, falou sobre a relação entre sua produção artística e a cultura Pataxó.

Segundo o artista, o contato com os mais velhos e os processos educativos contribuem para fortalecer essa conexão entre gerações.

Já Maurício Negro destacou a formação de uma rede envolvendo escritores, artistas, educadores e comunidades. Para o ilustrador, o festival também cria espaços de diálogo sobre educação e cultura.

Colheita de Livros reúne autores

A programação da tarde contou com a Colheita de Livros – Encontro com Autores. A atividade reuniu nomes ligados à literatura indígena, memória e território.

Participaram Duca Caraíva, Adriana Pesca, Lucia Tucuju, Auritha Tabajara, Geni Nuñez, Maurício Negro e Carina Pataxó, entre outros convidados.

Adriana Pesca também destacou a importância do encontro para a literatura indígena brasileira contemporânea. Ela é a primeira mulher indígena da Bahia a ocupar uma cadeira na Academia de Letras de Porto Seguro.

A escritora classificou o encontro como uma oportunidade de compartilhar uma trajetória relacionada à construção da literatura indígena contemporânea.

Festival também aborda proteção animal

No Palco Sabará, o projeto Caraíva Proteção Animal promoveu uma atividade voltada à conscientização sobre cuidado e proteção dos animais.

O espaço também recebeu uma contação de histórias do projeto Corra pro Abraço. A iniciativa desenvolve ações relacionadas à garantia de direitos e à redução de riscos entre jovens.

Na sequência, os Marujos Pataxó realizaram uma apresentação cultural. A atividade marcou o encerramento da programação do último dia.

Caju de Leitores confirma edição em 2027

Para Joanna Savaglia, idealizadora e gestora do Caju de Leitores, a quinta edição representa uma etapa de amadurecimento do festival.

Segundo ela, a programação deste ano ampliou o diálogo com a comunidade e apresentou uma curadoria mais direcionada. A edição também contou com a participação de uma artista internacional pela primeira vez.

Joanna também confirmou a realização da 6ª edição do Caju de Leitores em 2027.

Criado em 2022, o festival tem entre seus objetivos a formação de leitores e a ampliação do acesso à literatura indígena. O evento também promove encontros entre escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças e comunidades.

Até 2025, as diferentes ações do Caju de Leitores haviam alcançado mais de 12 mil pessoas.

Programação aproxima literatura e comunidades

A proposta do festival inclui atividades realizadas dentro e fora da programação principal. O Caju Itinerante, por exemplo, leva autores e contadores de histórias para escolas da região.

Além disso, as rodas de conversa e encontros permitem o contato direto entre público e escritores. As atividades também valorizam a oralidade e a transmissão de conhecimentos entre gerações.

A 5ª edição foi realizada pelo Ministério da Cultura e pela Savá Cultural. O festival contou com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, por meio da Lei Rouanet.

A programação também teve apoio da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. A Universidade Federal do Sul da Bahia participou como parceira acadêmica.

Público destaca diversidade do festival

Moradores e participantes também avaliaram a experiência proporcionada pelo Caju de Leitores. Entre os destaques aparecem o contato com autores indígenas, as contações de histórias e a participação das escolas.

A moradora Ana Cunha ressaltou a diversidade de escritores e a possibilidade de conhecer as trajetórias dos autores além dos livros.

Já Maíny Brás, de 10 anos, destacou as contações de histórias e a participação no espaço de artesanato ao lado da mãe.

O estudante Wekanã Alves falou sobre a importância do evento para o aprendizado da cultura indígena e da língua Patxohã.

A artesã indígena Thayane Brás Ferreira, da Aldeia Bugigão, também participou pela primeira vez. Ela destacou o contato com os mais velhos e a homenagem aos anciãos.

Michelle Souza Braz, indígena da Aldeia Xandó, ressaltou a participação das escolas e a troca entre diferentes etnias. Para ela, o festival contribui para aproximar crianças e famílias dos livros.

Já a designer Maria Paula, moradora de Arraial d’Ajuda, destacou as histórias compartilhadas por diferentes aldeias e a presença da arte indígena na programação.

Assim, a quinta edição encerrou sua programação reforçando os eixos de literatura, memória, território e saberes indígenas. O festival retorna em 2027 para sua sexta edição.