Setembro Amarelo: Clerson Pacheco transforma experiência em propósito

Ator e palhaço profissional encontrou na palhaçaria uma forma de reconstrução pessoal e hoje atua com humanização em hospitais

O Setembro Amarelo ganha um relato pessoal de quem transformou uma experiência de sofrimento em um trabalho voltado ao acolhimento. Clerson Pacheco enfrentou uma tentativa de suicídio em 2004/2005 e, anos depois, encontrou na palhaçaria um novo sentido para sua trajetória.

Ator e palhaço profissional, Clerson é fundador e diretor artístico do Grupo Soul Alegria. O negócio social foi criado em 2011 e atua com palhaçaria hospitalar e humanização.

No projeto, ele interpreta o personagem Dr. Miojo. A atuação acontece em hospitais e envolve pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde.

Para Clerson, falar sobre sua experiência durante o Setembro Amarelo ajuda a abrir espaço para conversas sobre saúde mental. Ele também destaca a importância da escuta e do acolhimento para pessoas que atravessam períodos de sofrimento.

“Eu falo sobre essa parte da minha história há bastante tempo e hoje consigo olhar para ela de outra maneira. A palhaçaria foi muito importante na minha reconstrução e acabou se tornando um propósito”, afirma.

Segundo o ator, cada pessoa precisa encontrar seus próprios caminhos. Nesse processo, considera fundamental que exista espaço para falar, ser ouvida e receber acolhimento.

Setembro Amarelo e a palhaçaria hospitalar

A relação entre o Setembro Amarelo e o trabalho desenvolvido pelo Soul Alegria passa pela valorização do diálogo e das conexões humanas. Durante o mês, o grupo também realiza ações relacionadas à campanha nos ambientes onde atua.

Entretanto, a palhaçaria hospitalar não se resume ao humor. Em ambientes de saúde, o profissional precisa compreender as particularidades de cada situação.

Por isso, Clerson destaca que saber quando brincar é tão importante quanto reconhecer momentos em que a escuta ou o silêncio são mais adequados.

O trabalho também exige preparo técnico. A palhaçaria hospitalar profissional envolve formação específica, conhecimento sobre o ambiente de saúde e atenção aos protocolos de cada instituição.

Clerson é formado pela TENP – Teatro Escola Nill de Pádua. Ele também possui experiência em relacionamento interpessoal na área da saúde e formação como cuidador de idosos.

Humanização dentro dos hospitais

O Soul Alegria desenvolve intervenções com diferentes públicos dentro das instituições de saúde. Entre eles estão pacientes, acompanhantes e profissionais.

As ações podem ocorrer em contextos que exigem cuidados específicos, incluindo UTIs, isolamentos e situações de maior fragilidade física ou emocional.

Entre as instituições visitadas pelo grupo estão o A.C. Camargo Cancer Center, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, o Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo e o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus.

“Dentro de um hospital, o palhaço precisa entender que não está em um palco convencional. Existe uma responsabilidade muito grande”, explica Clerson.

De acordo com o artista, cada abordagem precisa considerar o momento e as necessidades da pessoa atendida. A atuação também deve respeitar os protocolos e as características do ambiente hospitalar.

Da experiência pessoal ao propósito

A trajetória de Clerson também relaciona a palhaçaria com a criação de novas conexões. A atividade, que inicialmente surgiu como possibilidade profissional, passou a ocupar outro espaço em sua vida.

Com o tempo, a arte tornou-se uma ferramenta para promover encontros em ambientes marcados pela doença, pela espera e pela vulnerabilidade.

Nesse contexto, o trabalho do Soul Alegria busca utilizar a arte, a ludicidade e a escuta como instrumentos de humanização.

Para Clerson, sua experiência pessoal não precisa definir toda a trajetória de uma pessoa. O relato também reforça a importância de buscar caminhos e construir redes de apoio durante períodos difíceis.

Sobre Clerson Pacheco e o Soul Alegria

Clerson Pacheco é ator, palhaço profissional, fundador e diretor artístico do Grupo Soul Alegria. Criado em 2011, o negócio social atua com palhaçaria hospitalar e humanização em empresas.

Como Dr. Miojo, Clerson desenvolve intervenções voltadas principalmente para adultos e idosos. O trabalho também contempla pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde.

Além da atuação artística, ele trabalha como professor de relacionamento interpessoal na área da saúde.

O Soul Alegria defende a profissionalização da palhaçaria hospitalar. O grupo utiliza arte, escuta e ludicidade como instrumentos de humanização e cuidado.

Se você estiver passando por uma crise ou pensando em suicídio, procure ajuda imediatamente. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em uma emergência, procure um serviço de saúde ou acione o SAMU pelo 192.