8 ago 2026, sáb

Pergunta 1

O conceito de Barrobeat é apresentado como a identidade sonora da banda. Como essa linguagem foi construída e em que momento vocês perceberam que ela representava o caminho artístico do grupo?

Desde o surgimento do Surubim e os Pocomã, uma coisa já estava muito firmada na ideia inicial das composições que deram origem à banda: a gente queria propor, no palco, uma musicalidade, uma sonoridade que apresentasse o nosso território e as vivências que acontecem nele, nas suas mais diversas dimensões. Isso passa pela luta pela terra, pela vida das comunidades tradicionais, pela dinâmica religiosa do território e por toda essa noção de cultura popular.

Ao mesmo tempo, a gente queria juntar tudo isso aos elementos musicais presentes na trajetória dos integrantes da banda, como as linguagens do jazz, harmonias mais diferentes e modernas, o uso de instrumentos tradicionais e também de instrumentos eletrificados.

Então, desde o início, em 2022, a ideia sempre foi promover essa dinâmica. E, à medida que fomos caminhando, fomos afunilando, adentrando e nos enraizando cada vez mais nessa identidade.

Quando estávamos nos preparando para gravar o disco Peixes dos Milagres, fizemos um show em Belo Horizonte e uma pessoa que é muito fã da banda e estava presente na apresentação falou: “Poxa, isso que vocês fazem é Barrobeat”.

A gente já se identificava como música barranqueira, porque é uma musicalidade muito viva nas margens do Rio São Francisco. Mas o termo Barrobeat fez muito sentido também por causa das nossas influências, como a música de Chico Science e Nação Zumbi e, ao mesmo tempo, da própria música barranqueira, de artistas como Marku Ribas e Tuta Bastos.

Então, o Barrobeat fez muito sentido a partir desse encontro entre a nossa identidade musical e a maneira como projetamos essa identidade, enraizada no nosso território, para o mundo.

Pergunta 2

“Peixes dos Milagres” dialoga diretamente com Milagre dos Peixes, de Milton Nascimento. Como nasceu essa homenagem e o que significa contar essa história “a partir dos próprios peixes”?

Eu acho que, mais do que falar em homenagem — que certamente é uma homenagem ao grandioso Milton Nascimento —, esse disco propõe um diálogo e, de certa forma, também um contraponto. Obviamente, Peixes dos Milagres faz referência a Milagre dos Peixes, mas existe uma questão muito importante por trás dessa escolha.

É muito consolidada no imaginário do nosso estado, de Minas Gerais, uma determinada ideia de “música mineira”. E nós, apesar de estarmos em Minas Gerais, fazemos parte de um movimento que busca afirmar uma música que não necessariamente carrega os mesmos símbolos dessa ideia tradicional de música mineira. Nós somos de uma música norte-mineira ou, melhor dizendo, de uma música geraizeira, do sertão de Minas Gerais que apresenta outros símbolos, imagens, texturas e formas de enxergar o mundo a partir do nosso território.

Surubim e Pocomã são dois nomes de peixes, dois peixes do Rio São Francisco. O rio atravessa e estrutura a vida de grande parte do Norte de Minas Gerais e é muito importante para as cidades, para as comunidades e para as pessoas que vivem nesse território. A partir disso, a gente propõe uma ressignificação e convida as pessoas a olharem para esse território a partir de outro contexto.

Então, quando escolhemos esse nome, estamos também chamando a atenção para a necessidade de inverter o olhar. Em vez de pensar a música de Minas Gerais a partir das “Minas”, a gente propõe pensar a música mineira a partir dos “Gerais”.

E, por ser um disco que traz elementos de fé, também propomos um olhar diferente para os atos de milagre. A gente busca olhar não necessariamente a partir de quem realiza o milagre, mas de quem o recebe — ou, melhor dizendo, de quem é o veio por onde o milagre passa, o mediador de toda essa experiência.

Existe o milagre de Jesus Cristo, por exemplo, e existe a referência a Milagre dos Peixes, de Milton Nascimento, com aquela história dos cinco pães e dois peixes. Agora, a gente apresenta uma nova perspectiva: são os próprios peixes que contam a história do milagre.

Por isso, Peixes dos Milagres. É o milagre contado a partir do olhar dos peixes. E, ao mesmo tempo, é uma maneira de apresentar Minas Gerais não a partir das “Minas”, mas a partir dos “Gerais”.

Pergunta 3

O Rio São Francisco aparece como personagem central do álbum. De que maneira o território barranqueiro influencia as composições, os arranjos e a visão de mundo da banda?

Grande parte das composições do disco são minhas,de Pedro Surubim e eu trago muito forte comigo a minha identidade, que é a identidade do barranco do Rio São Francisco. Para mim, é muito tranquilo falar sobre isso, porque é aquilo que me é mais precioso, que é íntimo e com o qual consigo me comunicar artisticamente de uma forma muito natural.

Isso está inteiramente ligado ao território barranqueiro, cujo personagem principal e central é o Rio São Francisco. É a partir dele e da relação das pessoas com o rio e com o território que brotam as diversas dinâmicas de vida que dão matéria para as composições desse disco.

E não são apenas questões temáticas. Existe toda uma filosofia, todo um jeito de observar e pensar a vida a partir desse ser barranqueiro, que observa o movimento da natureza através do movimento do rio, os fluxos da vida e, talvez, os fluxos de uma cosmovisão barranqueira. É uma cosmovisão tradicional, que tem raízes ancestrais e que já foi narrada por outros artistas, inclusive musicalmente, como o próprio Marku Ribas, que é uma referência muito importante para nós.

Ao mesmo tempo, tudo isso está interligado a uma musicalidade tradicional, muito presente não apenas no território norte-mineiro, mas também no território tradicional barranqueiro. Existe um jeito próprio de perceber e de fazer música que é diferente de outros contextos, e é isso que deságua na musicalidade do Surubim e os Pocomã.

A gente tenta apresentar no palco um pouco do que é essa experiência de viver no território norte-mineiro: o que é festejar nesse território, o que é contemplar e vivenciar tudo aquilo que acontece nas barrancas do Rio São Francisco.

É uma celebração ao nosso território, mas, ao mesmo tempo, é uma proposta de vivência que fazemos com o ouvinte, um convite para que ele conheça mais o nosso barranco, o nosso jeito de ver o mundo e de perceber as coisas — e, certamente, também o nosso jeito de fazer música.

Pergunta 4

disco aborda a fé sob diferentes perspectivas. Como esse tema atravessa as cinco faixas e quais reflexões vocês esperam despertar no público?

A fé é um tema muito presente no disco, não apenas porque o álbum se chama Peixes dos Milagres, mas porque acreditamos e vivenciamos isso de maneira muito intensa: o território norte-mineiro é um território de muita fé.

E aqui eu não estou falando de fé apenas no sentido religioso, embora a religiosidade também seja muito central no território, tanto nas práticas e cultos tradicionais quanto na devoção cristã e em outras perspectivas espirituais. O norte-mineiro é um povo de fé.

Existem práticas corriqueiras do dia a dia e práticas tradicionais que revelam essa dimensão. Um exemplo é a presença das benzedeiras no território, como aparece na música Destinada a Zezé Guerreira, uma homenagem a Dona Zezé, que é benzedeira e, ao mesmo tempo, uma guerreira. Ela luta pelo território e, nesse sentido, também deposita sua fé nele.

Em Poeira Vermelha, por exemplo, aparece um antigo ato de fé do povo de Pirapora e da relação com o Rio São Francisco: a prática de molhar os pés de um cruzeiro que existia na região como forma de pedir chuva.

Não Nado Só é outra cantiga que fala sobre uma reza que eu atribuo à minha avó, Dona Joana, que era pescadora e cantava essa cantiga para os filhos.

Então, existem vários atos de fé que precisam ser reverenciados no ser norte-mineiro. É a fé de pessoas que acreditam no mundo, no povo, no rio, em si mesmas e na possibilidade de que as coisas vão dar certo.

O Norte de Minas é um território de fé, e essa fé precisa ser celebrada. Peixes dos Milagres é um disco que busca evidenciar essa dimensão. E a fé não precisa, necessariamente, estar ligada a um culto ou a uma religião. Ela também pode ser a crença em si próprio, a esperança, a certeza íntima de que algo pode ser bom.

É sobre essa fé que a gente está falando.

Pergunta 5

Personagens reais, como Dona Zezé, Dona Joana Alves de Mello e Nádia, inspiram canções do álbum. Como foi transformar essas histórias em música sem perder sua autenticidade?

É muito natural para nós que essas figuras estejam presentes no disco, porque são personagens que representam muito bem o território norte-mineiro. São mulheres de luta, mulheres que batalharam pela criação de seus filhos e que, ao mesmo tempo, são lideranças natas em suas comunidades.

Minha avó, Dona Joana, era pescadora e criou os filhos sozinha depois que o marido morreu de tuberculose. Dona Zezé é uma guerreira, uma militante que luta pela terra. Nádia também é militante e comandante de uma comunidade, de um assentamento da reforma agrária em Montes Claros, chamado Estrela do Norte, que dá nome à música.

Estrela do Norte fala sobre esse assentamento, mas também sobre essa mulher, sobre a figura feminina que é, ela própria, uma Estrela do Norte de Minas Gerais, que lidera e guia um povo.

A figura feminina ocupa um lugar central nessa dimensão da fé e da identidade do território. A mulher é um núcleo matriarcal de um pensamento norte-mineiro e, por isso, precisa estar em evidência. E ela está presente neste disco por meio dessas homenagens.

A gente apresenta essas histórias para que essas mulheres possam ser também um espelho do nosso território. São figuras que nos ajudam, enquanto Surubim e os Pocomã, a apresentar o Norte de Minas para o mundo a partir de suas próprias histórias, de suas lutas e de suas memórias.


Pergunta 6

O álbum foi gravado integralmente em processo analógico, com todos os músicos tocando juntos. O que essa escolha acrescentou ao resultado final e por que ela era importante neste momento da trajetória da banda?

Desde o surgimento da banda, em 2022, o palco sempre foi o nosso principal território de criação. O trabalho ao vivo sempre teve um papel muito importante para o Surubim e os Pocomã, tanto que nosso primeiro álbum foi gravado ao vivo no formato de Show.

Para este segundo trabalho, nós já vínhamos interessados no trabalho do Lisciel Franco, do Forest Lab Studio, onde Peixes dos Milagres foi gravado. A pesquisa que ele desenvolve com a gravação e estética analógica dialogam muito com a identidade do grupo.

Embora este seja um álbum concebido dentro de estúdio, nós não queríamos abrir mão dessa energia do tocar junto, que é algo muito presente no Surubim e os Pocomã. Não fez sentido para a gente gravar cada instrumento separadamente e depois montar tudo nesse momento do projeto. Preferimos registrar a banda tocando ao mesmo tempo, porque isso cria uma interação entre os músicos que faz muita diferença no resultado final.

Essa escolha traz mais fluidez, mais espontaneidade e deixa a música realmente mais viva. O processo analógico reforça justamente essa característica orgânica que sempre fez parte do nosso som e que também está muito presente no trabalho do Lisciel.

Pergunta 7

Em um cenário musical cada vez mais marcado pela produção digital e pelo avanço da inteligência artificial, por que preservar a organicidade da gravação se tornou uma posição artística para vocês?

Nós, do Surubim e os Pocomã, acreditamos que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta importante em diversos contextos, mas não é capaz de substituir a dimensão humana da criação artística. Isso é especialmente verdadeiro na música: quando uma pessoa compõe, canta ou toca um instrumento, ela coloca ali a sua história, as suas emoções, a sua sensibilidade e a sua experiência de vida. A música é feita de sentimentos, de encontros e de vivências que não podem ser reproduzidos apenas por algoritmos.

Essa visão também está presente na maneira como escolhemos gravar este disco. Optamos pelo processo analógico não apenas por uma questão estética, mas porque queríamos estar integralmente envolvidos no fazer musical, com nossas mãos, nossas mentes e nossos corações participando de cada etapa da criação.Tocar juntos, registrar a performance de forma orgânica e preservar o que torna a música viva fazem parte da identidade do grupo.

Nesse sentido, essa escolha também representa uma forma de resistência. Em um momento em que a inteligência artificial ocupa cada vez mais espaço naprodução de conteúdos, reafirmamos o valor da criação humana, da presença, da escuta e da experiência coletiva que só acontece quando pessoas se encontram para fazer música.

Pergunta 8 

Barrobeat aproxima manifestações tradicionais do Norte de Minas de referências como jazz, funk, pop e Manguebeat. Como acontece esse equilíbrio entre respeito às raízes e experimentação contemporânea?

Quando se ouve Peixes dos Milagres, é possível perceber que preservamos muitos elementos das nossas raízes regionais. Isso aparece não apenas nas letras, que carregam vivências e características do ser norte-mineiro, mas também nas rítmicas, nos batuques e nas referências sonoras que fazem parte da nossa formação.

Todos os integrantes do grupo cresceram em diferentes regiões das Gerais e tivemos contato, desde muito cedo, com manifestações como os catopês, os congados e outras expressões da cultura popular. O Pedro Surubim, por exemplo, também traz uma vivência mais profunda ligada ao universo dos terreiros e dos batuques de matriz africana, que fazem parte dessa construção sonora.

Essa junção entre tradição e experimentação contemporânea acontece para nós de uma forma muito natural e respeitosa. A ideia não é afastar esses elementos das suas origens, mas preservá-los e, ao mesmo tempo, criar novas possibilidades a partir deles.

A relação com os territórios e com as manifestações populares é mantida, mas também dialoga com outras linguagens musicais. Isso aparece nas harmonias por exemplo e na forma como construímos determinados arranjos.

No fim, Peixes dos Milagres nasce justamente desse encontro: da força das nossas raízes com a liberdade da experimentação. É uma música que olha para a tradição, mas também busca novos caminhos para expressar essa identidade no presente.

Pergunta 9

Em pouco mais de três anos, a banda passou do álbum ao vivo para um trabalho de estúdio bastante conceitual. Quais foram os principais aprendizados e transformações nesse percurso?

Esses anos foram muito importantes para nós, tanto pelo aprendizado musical quanto pelo convívio e pela construção da identidade do grupo. Principalmente Pedro Surubim e Pedroca Neves, que estão juntos desde o início, foram construindo essa base do grupo.

Pra além da técnica, a música também carrega a sintonia entre as pessoas que estão criando juntas, o convívio, a amizade e toda a história construída ao longo do caminho. Essa conexão entre os integrantes acaba fazendo parte do som.

Uma diferença importante entre o primeiro disco e o Peixes dos Milagres está justamente na formação da banda. No primeiro trabalho, houve a presença do baterista Davi Ramos (A Outra Banda da Lua) e do percussionista Bicho Carranca. Durante esse processo, eles seguiram novos caminhos, e o Danilo Guinu passou a integrar a banda, fazendo com que o grupo assumisse uma formação em trio.

Para este segundo trabalho, convidamos o percussionista Jander Magalhães. A partir dessa nova formação, nós conseguimos construir uma nova sintonia, sem perder a essência e a base que já vinham sendo desenvolvidas anteriormente.

Essa nova configuração trouxe também novos elementos para a nossa sonoridade. O disco tem uma aproximação maior com o universo pop, algo que também vem da bagagem do Danilo, ao mesmo tempo em que preserva as características que sempre fizeram parte do grupo. Cada músico traz uma camada diferente para a obra, e é justamente essa soma de personalidades e experiências que faz o resultado ter sentido.

Com o tempo, também fomos aprimorando nossa comunicação musical e mergulhando ainda mais nasonoridade que buscávamos construir. O processo de gravação no Forest Lab, com o Lisciel Franco e toda a proposta analógica do estúdio, ajudou a registrar essa evolução de uma forma muito fiel, captando a energia e a interação do grupo.

Pergunta 10

Vocês citam artistas como Marku Ribas, Tuta Bastos, Gilberto Gil, Djavan e Chico Science & Nação Zumbi como influências. Que elementos de cada um dialogam com a identidade do Surubim e os Pocomã?

Tuta Bastos e Marku Ribas são dois artistas que ocupam um lugar muito especial dentro das nossas influências.Além de grandes músicos, eles têm uma importância enorme por serem artistas norte-mineiros, por terem construído suas trajetórias a partir desse território das Gerais e por deixarem um legado de valorização da nossa identidade cultural.
Ambos desenvolveram uma linguagem muito própria, com vozes marcantes, uma instrumentação muito cuidadosa e uma grande diversidade de gêneros musicais. O que mais nos inspira é justamente essa capacidade de unir o regional — presente nos ritmos, nas letras e nas referências do território — com uma visão contemporânea da música, conectada ao mundo.

O Marku Ribas, de Pirapora, teve uma trajetória mais conhecida, mas o Tuta Bastos, de Januária, também deixou uma obra muito importante. Inclusive, no nosso disco, fizemos uma releitura da canção “Caco de Telha”, uma homenagem ao trabalho do Tuta.

Eles são especiais para nós porque mostram que é possível criar uma música profundamente ligada às nossas raízes, sem deixar de dialogar com outras linguagens e sonoridades. Essa mistura entre o local e o universal é algo que também buscamos no Surubim e os Pocomã.

Quando pensamos no nosso próprio som, percebemos essas conexões em diversos elementos. Existe, por exemplo, essa relação com o violão muito ritmado e dotado de riqueza harmônica presente no trabalho de Marku, Djavan e de Gil, que dialoga com a forma como o Pedro Surubim conduz o instrumento. Também há uma pesquisa de timbres e grooves no contrabaixo de Pedroca Neves, além das influências rítmicas de diferentes gêneros.

Na faixa Poeira Vermelha, por exemplo, trazemos elementos do maracatu, uma referência que dialoga com a força da Nação Zumbi. São referências que nos ajudam a construir uma música que carrega a força do território, mas que também conversa com o mundo.

Pergunta 11

O álbum apresenta o sertão norte-mineiro como um território criativo e conectado ao mundo. Como vocês enxergam o papel da música na valorização dessa identidade cultural brasileira?

O Norte de Minas, as Gerais, sempre foi um território de muita inventividade e de profunda conexão com o mundo. Como dizia Guimarães Rosa, “o sertão é o mundo”, e as Gerais fazem parte desse sertão. Existe aqui uma riqueza cultural imensa, marcada pela diversidade de manifestações artísticas, pelos saberes populares e por uma identidade muito própria.

Ao mesmo tempo, historicamente, esse também é um território periférico. Mesmo dentro de Minas Gerais, muitas vezes o que é produzido aqui encontra menos oportunidades de circulação e visibilidade do que o que vem de outras regiões do estado. Essa é uma realidade que passa por questões econômicas, de acesso e de concentração dos grandes circuitos culturais.

Nós acreditamos que a música é uma das formas mais potentes de transformar esse cenário. Ela tem a capacidade de atravessar fronteiras, de despertar emoções e de levar consigo as histórias, os modos de vida, os ritmos e a identidade de um povo. Quando fazemos música, não estamos levando apenas canções, mas também um pouco do território de onde viemos.

Por isso, entendemos que o fazer artístico é uma forma de fortalecer e valorizar o Norte de Minas. Quanto mais nossa produção circula, mais pessoas conhecem a potência cultural das Gerais e percebem que esse território pulsa criação, não apenas na música, mas em diversas expressões artísticas que merecem ser reconhecidas e celebradas.

Pergunta 12

Depois do lançamento de “Peixes dos Milagres”, quais são os próximos passos do Surubim e os Pocomã? Há planos para turnê, novos videoclipes ou outras ações para ampliar o alcance do Barrobeat?

Estamos apenas começando essa jornada de colocar o Peixes dos Milagres para rodar pelo Brasil. Já temos alguns passos bem definidos, com shows de lançamento programados para agosto em Belo Horizonte e em Acuruí, distrito de Itabirito. Também estaremos presentes na Virada Cultural de Belo Horizonte, no último fim de semana do mês, e, em setembro, faremos um show de lançamento em Bocaiuva. Além disso, outras apresentações já estão sendo preparadas e serão divulgadas em breve.

Em relação aos próximos lançamentos, ainda temos bastante material vindo por aí. Em breve, vamos divulgar um mini documentário sobre os bastidores da gravação do disco e também um clipe de Estrela do Norte, faixa que abre o EP.

Enquanto isso, o convite é para que as pessoas ouçam Peixe dos Milagres e acompanhem o Surubim e os Pocomã nas redes sociais. Estamos compartilhando ensaios fotográficos, curiosidades, histórias das músicase muitos conteúdos sobre o processo de criação e gravação do disco. Tem muita coisa bonita chegando, e esperamos que as pessoas acompanhem essa caminhada junto com a gente.