A CBL debate IA e futuro do mercado editorial durante a 5ª edição do Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos (EELDG). O evento reuniu mais de 400 participantes no Casa Grande Hotel Resort & Spa, no Guarujá (SP). Durante dois dias, especialistas brasileiros e internacionais analisaram tendências, desafios e oportunidades para o setor do livro no Brasil.
Promovido pela Câmara Brasileira do Livro, o encontro destacou o impacto da inteligência artificial, das plataformas digitais e da análise de dados nas estratégias editoriais.
A programação começou com debates sobre como os dados influenciam decisões editoriais. Julia Barreto, da HarperCollins Brasil, afirmou que os dados ajudam a reduzir riscos. Porém, ela destacou que o instinto editorial continua essencial.
Nana Vaz de Castro, diretora da Sextante, reforçou que o mercado precisa unir sensibilidade e análise quantitativa. Segundo ela, acompanhar tendências e ouvir leitores ajuda editoras a identificar oportunidades de publicação.
Além disso, Nana explicou que listas de livros mais vendidos servem como ferramenta estratégica. Para ela, entender o comportamento do público é um diferencial competitivo no cenário atual.
A inteligência artificial também dominou parte importante das discussões. Cinthya Müller e José Fernando Tavares apresentaram o Manual de Uso Ético e Responsável de IA para o mercado editorial brasileiro.
O documento busca orientar editoras sobre práticas responsáveis no uso da tecnologia. Segundo os especialistas, a IA organiza conteúdos disponíveis na internet, mas não substitui a criatividade humana.
O consultor internacional Thad McIlroy, fundador do site The Future of Publishing, afirmou que a transformação digital será gradual. Ele explicou que o mercado editorial ainda avança de forma cautelosa diante das novas tecnologias.
McIlroy destacou que editoras precisam estabelecer metas realistas para implementar ferramentas tecnológicas. Para ele, os avanços e os riscos da IA coexistem no setor.
Além disso, o especialista reforçou que a publicação de livros não funciona na mesma velocidade das grandes empresas de tecnologia. Mesmo assim, acredita que mudanças serão inevitáveis nos próximos anos.
Representantes do Mercado Livre, Amazon e TikTok participaram dos painéis do encontro. As empresas defenderam a colaboração com editoras e livrarias brasileiras.
Arthur Bonamini, líder da categoria Livros no Mercado Livre, destacou o potencial das pré-vendas para impulsionar lançamentos. Segundo ele, o setor editorial brasileiro possui forte espírito colaborativo.
Já Ricardo Perez, da Amazon Brasil, afirmou que a empresa busca aproximar autores e leitores. Ele também declarou que a plataforma seguirá qualquer regulamentação relacionada à Lei Cortez.
O TikTok apresentou números expressivos sobre o impacto do BookTok. A plataforma acumulou mais de 2 bilhões de visualizações em apenas 120 dias.
Além disso, o TikTok conta atualmente com 160 milhões de usuários ativos mensais no Brasil. Segundo os executivos da empresa, o conteúdo literário influencia diretamente as vendas nas livrarias físicas.
O encontro também abordou o papel dos autores na construção de livros de sucesso. Michel Alcoforado compartilhou estratégias usadas no lançamento de “Coisa de Rico”, obra que superou 160 mil exemplares vendidos.
Entre as ações, o autor destacou vídeos de pré-lançamento, campanhas digitais e parcerias com livrarias. Segundo ele, a divulgação exige planejamento constante e presença em múltiplas plataformas.
Lulie Macedo, da Editora Todavia, afirmou que o relacionamento entre autor e leitor tornou-se mais próximo nos últimos anos. Por isso, as estratégias digitais ganharam importância crescente no mercado editorial.
O papel das livrarias físicas também entrou em debate durante o evento. Shannon DeVito, diretora da Barnes & Noble, afirmou que comprar livros presencialmente oferece uma experiência única.
Segundo ela, leitores valorizam a descoberta de títulos, o contato com obras e as recomendações dos livreiros. Dessa forma, livrarias e plataformas digitais podem coexistir no mercado.
Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura, destacou o crescimento superior a 10% nas vendas do setor. Ele afirmou ainda que o livro digital complementa o formato físico, sem substituí-lo.
Marcus Teles também revelou que a Livraria Leitura pretende expandir para cidades sem livrarias. Além disso, defendeu a concorrência saudável entre varejo físico e digital.
O executivo ressaltou que produtos como livros de colorir e álbuns de figurinhas ajudam a atrair novos consumidores. Para ele, toda iniciativa que amplia o acesso ao livro fortalece o setor editorial.
A Câmara Brasileira do Livro atua há 77 anos na defesa do mercado editorial brasileiro. A entidade representa editoras, livrarias, distribuidores e profissionais do setor.
Desde 2020, a CBL também responde pela Agência Nacional do ISBN no Brasil. Além disso, mantém iniciativas voltadas à democratização da leitura e à valorização da literatura nacional.
Mais informações estão disponíveis no site oficial da CBL.

