Entrevista: Daniela Barretto Andolphi, escritora
1. Como surgiu a ideia de criar “Mar de Música” e relacionar canções populares ao universo da Cultura Oceânica?
Eu pego onda de Bodyboard e escrevo para crianças desde 2015 e sempre tive conexão com o mar. Minha filha faz Oceanografia e tudo me levou a escrever esse livro.
2. De que forma o livro traduz, para o público infantil, as recomendações da ONU sobre o Currículo Azul e a Década dos Oceanos?
O livro conscientiza de forma lúdica sobre a importância das espécies marinhas e também sobre como o oceano é fundamental para a nossa existência.
3. Por que você acredita que a música é uma ferramenta tão potente para introduzir temas ambientais às crianças?
A musicalização em ambientes de aprendizagem tem se mostrado não apenas como fio condutor, mas como base de formação. Aprimorando a escuta sensível, a percepção, a coletividade, a leveza e também a disciplina e solidariedade.
4. Como foi o processo de adaptação de cantigas conhecidas para abordar preservação marinha sem perder o encanto original das melodias?
O processo de criação foi leve, pois são canções que fazem parte do nosso imaginário e das nossas vidas desde sempre. Escolher os temas foi mais trabalhoso, decidi escolher os animais pela urgência na preservação, visto que as crianças têm um apelo forte com a proteção dos animais.
5. O que os educadores podem esperar ao trabalhar “Mar de Música” em sala de aula? Há propostas pedagógicas implícitas na obra?
Muitas escolas já trabalham o livro e para as escolas parceiras, nós disponibilizamos os áudios das músicas, uma conversa com a oceanógrafa, interação com nosso mascote Titu, o tubarão e ainda conversa com a autora.
6. O Brasil é pioneiro na incorporação da Cultura Oceânica ao currículo escolar. Como você enxerga o impacto disso na formação das futuras gerações?
Achei uma sacada de grande importância e responsabilidade o Brasil ser pioneiro nesse currículo, mostra a boa vontade em fomentar o assunto e assim implementar mais políticas públicas para o tema.
7. Quais foram os principais aprendizados na parceria com o curso de Oceanografia da UFES e como eles influenciaram este livro?
Minha filha está se formando em Oceanografia pela Ufes e recebi através de um dos laboratórios de lá, um convite para escrever os e-books infantis sobre espécies marinhas e preservação ambiental marinha. Aprendi muitas coisas e com a ciência acadêmica fica mais robusta e certeira a informação para a criação de um livro infantil.
8. Você acredita que crianças leitoras de “Mar de Música” passam a compreender melhor temas como mudanças climáticas, consumo sustentável e biodiversidade marinha?
Acredito totalmente. Elas cantam os animais e com isso os trazem pra perto, para a sala de aula. Querem entender, conhecer a ao final já falam como pequenos oceanógrafos, rs
9. O livro também busca dialogar com pais e responsáveis. Que mudanças de comportamento você espera inspirar nas famílias após a leitura?
Muitas vezes é a criança quem educa os pais, que já estão com hábitos consolidados pela vida corrida. Essa criança explica, conversa, alerta e corrige quando um adulto joga um lixo na praia, por exemplo… o adulto acaba ficando sem graça e muda sua postura.
10. Além da preservação marinha, suas obras frequentemente abordam temas como diversidade e neurodivergência. Como essas pautas conversam na sua produção literária?
Sim, tenho livros que abordam outros temas também. Conversando com pedagogas e professores, vi a necessidade de abordar temas sensíveis nas escolas e a partir das falas tanto delas como das crianças, comecei a escrever sobre temas dessa importância.
11. Quais desafios você enxerga na alfabetização oceânica no Brasil, mesmo com o avanço institucional do Currículo Azul?
O desafio é o do novo. Apesar do tema ser vasto e antigo, a conscientização ambiental é eterna, porém com o currículo azul haverá uma espécie de sistematização do ensino, um certo rigor, o que gera uma necessidade de adequação nas escolas, mas o tema é tão lindo e necessário que elas vão tirar de letra.
12. O que você diria para professores e bibliotecários que desejam introduzir Cultura Oceânica de forma lúdica, mas ainda não sabem por onde começar?
Comecem pela importância dos oceanos em nossas vidas, na humanização dele, na riqueza que produzem. Lembrando que os oceanos são os maiores responsáveis pela fotossíntese do planeta e quase ninguém fala sobre. Apresentar os animais e suas casas, falar da beleza que neles existem e por aí vai…
