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Outubro Rosa: alimentação e hábitos fazem parte da prevenção - Marramaque

Outubro Rosa: alimentação e hábitos fazem parte da prevenção

O Outubro Rosa reforça a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de mama. Além do acompanhamento de saúde, alimentação equilibrada, atividade física e outros hábitos podem contribuir para a redução de fatores de risco.

Criado nos Estados Unidos na década de 1990, o movimento internacional utiliza o laço cor-de-rosa para ampliar a conscientização sobre a doença. A campanha também incentiva o acesso à informação, aos exames e ao tratamento.

O câncer de mama é a neoplasia maligna mais diagnosticada entre as mulheres no mundo. Em 2022, foram estimados 2,3 milhões de novos casos e aproximadamente 670 mil mortes pela doença.

Fatores de risco para o câncer de mama

Os fatores de risco do câncer de mama podem ser divididos entre aqueles que não podem ser modificados e os relacionados ao estilo de vida.

Entre os fatores não modificáveis estão o envelhecimento, histórico familiar, determinadas alterações genéticas, menarca precoce e menopausa tardia.

Já o consumo de álcool, tabagismo, inatividade física e excesso de gordura corporal estão entre os fatores modificáveis. A alimentação também integra as estratégias relacionadas à redução de riscos.

Segundo a nutricionista Adriana Stavro, mudanças no estilo de vida podem contribuir para o cuidado com a saúde. A profissional é mestre pelo Centro Universitário São Camilo e possui formação em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School.

Alimentação e prevenção do câncer de mama

A alimentação pode influenciar processos como função imunológica, gordura corporal, sensibilidade à insulina, metabolismo dos estrogênios e microbiota intestinal. Esses mecanismos são estudados em relação ao desenvolvimento do câncer de mama e à resposta ao tratamento.

Entre os padrões alimentares avaliados pela ciência está a dieta mediterrânea. O modelo prioriza azeite de oliva, frutas, verduras, legumes, leguminosas, cereais integrais, castanhas e peixes.

Por outro lado, carnes vermelhas e processadas, doces e alimentos ultraprocessados ocupam menor espaço nesse padrão alimentar.

Na alimentação brasileira, esses princípios podem ser adaptados aos alimentos disponíveis localmente. Feijão, outras leguminosas, frutas, verduras, legumes, cereais integrais, amendoim, castanhas e peixes, como a sardinha, podem fazer parte da rotina.

Uma meta-análise publicada em 2026 encontrou associação entre maior adesão a um padrão alimentar vegetal saudável e aproximadamente 9% menos risco de câncer de mama em estudos de coorte.

Além disso, uma revisão sistemática do USDA/NESR, publicada em 2024, identificou evidência moderada de associação entre determinados padrões alimentares e menor risco de câncer de mama após a menopausa.

Atividade física também integra os cuidados

A prática regular de atividade física está relacionada à prevenção e ao cuidado de diferentes tipos de câncer.

Uma análise publicada em 2024 no Journal of Clinical Oncology reuniu 19 estudos de coorte, com 547.601 mulheres antes da menopausa.

Na análise, mulheres que praticavam mais atividade física no tempo livre apresentaram risco relativo 10% menor de desenvolver câncer de mama. O resultado foi observado após ajustes pelo índice de massa corporal (IMC).

A atividade física, portanto, aparece entre os hábitos relacionados à prevenção da doença e à manutenção da saúde ao longo da vida.

Excesso de peso e câncer de mama

O excesso de gordura corporal é considerado fator de risco para o câncer de mama após a menopausa.

Uma estimativa mundial referente a 2012 apontou que aproximadamente 7% dos casos da doença nessa fase da vida eram atribuíveis ao excesso de peso.

Outra meta-análise, vinculada ao World Cancer Research Fund, reuniu 75 estudos e mais de 91 mil casos. O trabalho encontrou associação entre cada aumento de 5 kg/m² no IMC e um risco relativo 12% maior de câncer de mama após a menopausa.

A relação envolve mecanismos como alterações hormonais, resistência à insulina e inflamação crônica de baixo grau.

Após a menopausa, o tecido adiposo passa a ser uma fonte importante de estrogênios. Esse processo ajuda a explicar a associação entre excesso de gordura corporal e maior risco de alguns tumores de mama.

A microbiota intestinal também é estudada nesse contexto. Entre os mecanismos investigados está o estroboloma, conjunto de genes de bactérias intestinais envolvidos no metabolismo dos estrogênios.

Álcool está entre os fatores modificáveis

O consumo de bebidas alcoólicas também aparece entre os fatores associados ao risco de câncer de mama.

Uma meta-análise publicada em 2026 reuniu 37 estudos e 2.565.920 mulheres para avaliar a relação entre consumo de álcool, incidência e prognóstico da doença.

Na análise de incidência, o consumo de álcool esteve associado a risco relativo 13% maior entre mulheres com baixo consumo, 28% maior entre aquelas com consumo intermediário e 52% maior entre as que apresentavam consumo elevado.

Os resultados foram comparados às mulheres que não consumiam álcool.

Para a prevenção do câncer, o World Cancer Research Fund recomenda não consumir bebidas alcoólicas, incluindo vinho.

Ultraprocessados e carnes processadas

O consumo de alimentos ultraprocessados também é investigado em relação ao câncer de mama.

Uma meta-análise publicada em 2025 reuniu 17 estudos, 744.277 participantes e 20.351 casos da doença. O trabalho encontrou associação entre maior consumo de fast-foods e ultraprocessados e uma chance 25% maior de câncer de mama.

Entretanto, a associação não apresentou significância estatística nos estudos de coorte. Por isso, os resultados devem ser interpretados considerando as limitações das evidências disponíveis.

As carnes processadas também fazem parte das discussões sobre alimentação e câncer. Presunto, salame, bacon, salsicha e linguiça são exemplos desses produtos.

Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde, classificou o consumo de carnes processadas como carcinogênico para humanos, com base em evidências suficientes de relação causal com o câncer colorretal.

Para o câncer de mama, uma meta-análise de estudos prospectivos encontrou associação entre o consumo adicional de 50 g de carnes processadas por dia e risco relativo 18% maior de desenvolver a doença.

O resultado se refere ao consumo habitual e não permite estimar o risco associado ao consumo ocasional.

Cuidados devem continuar durante todo o ano

O Outubro Rosa concentra a atenção na saúde da mama durante o mês de outubro, mas os cuidados não precisam ficar restritos ao período da campanha.

Alimentação de qualidade, atividade física, controle do excesso de peso, evitar bebidas alcoólicas e não fumar estão entre os hábitos relacionados à promoção da saúde.

A prevenção também deve ser acompanhada pelo cuidado individualizado e pela detecção precoce, de acordo com as orientações dos profissionais e dos serviços de saúde.

Sobre Adriana Stavro

Adriana Stavro é nutricionista, mestre pelo Centro Universitário São Camilo e possui formação em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School. É especialista em Doenças Crônicas Não Transmissíveis pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional pelo Instituto Valéria Pascoal e em Fitoterapia pela Courses4U.