Celebrado em 29 de outubro, data chama atenção para a formação de leitores; escritor Ademir Luiz estreia na literatura infantil com o livro “Cara de Nada”.
O Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro, coloca em pauta a formação de leitores e o papel da literatura na infância. Em um mercado editorial brasileiro que apresenta sinais de crescimento, o escritor e historiador Ademir Luiz estreia no segmento infantil com Cara de Nada, publicado pela Editora Mondru e ilustrado por Tiago Duarte. A obra aborda identidade, autoestima e pertencimento por meio da história de um menino que questiona a própria aparência e seu lugar no mundo.
O lançamento ocorreu em 14 de outubro de 2026, na sede da União Brasileira de Escritores de Goiás (UBE-GO), instituição presidida pelo autor. A publicação parte de questões relacionadas à percepção de si mesmo para propor reflexões sobre diferenças, emoções e reconhecimento individual.
Mercado editorial brasileiro registra crescimento
Dados de uma pesquisa internacional realizada pela NielsenIQ BookData e pela GfK Entertainment apontaram crescimento de 12,6% nas vendas de livros impressos no Brasil no primeiro semestre de 2026. O levantamento considerou pontos de venda de 19 países.
Outro indicador citado no material de divulgação é o Panorama do Consumo de Livros, que aponta a entrada de quase 3 milhões de novos compradores de livros no país em 2025.
Nesse contexto, a literatura infantil ocupa um espaço importante na discussão sobre a formação de leitores. Para Ademir Luiz, os livros destinados às crianças precisam considerar sua capacidade de compreensão e dialogar com os interesses culturais de diferentes gerações.
“A infância, e por consequência a proteção da infância e mesmo o direito de ser criança, é uma conquista da modernidade. Por tudo isso, é fundamental que a criança tenha livros pensados especialmente para elas”, afirma o escritor.
Doutor em História, com especialização no período medieval, Ademir relaciona essa visão à necessidade de reconhecer as particularidades da infância. Ele também defende que a leitura pode conviver com esportes, jogos eletrônicos e outras formas de entretenimento no cotidiano das crianças.
“Cara de Nada” aborda identidade e autoestima na infância
Publicado pela Editora Mondru, Cara de Nada acompanha um menino que, desde o nascimento, sente que tem uma “cara de nada” e se compara a um “zero bem redondinho”. A partir dessa percepção, a narrativa explora inseguranças, comparações e a maneira como o olhar dos outros pode influenciar a construção da identidade.
Ao longo da história, o protagonista enfrenta associações com familiares e situações inusitadas, como a comparação com um joelho. Esses episódios ajudam a discutir como as crianças interpretam características próprias e lidam com comentários externos.
A obra também aborda a expressão das emoções e questiona estereótipos de masculinidade, como a ideia de que homens não devem chorar. Na narrativa, as lágrimas do menino se transformam simbolicamente em um mar no qual ele pode nadar.
Outro recurso importante é a metáfora matemática do zero. O personagem descobre que o algarismo pode parecer insignificante quando está à esquerda de um número, mas, colocado à direita, altera seu valor. A imagem funciona como uma reflexão sobre autoestima, potencial e pertencimento.
A mudança das máscaras usadas pelo menino nas brincadeiras de pirata ou policial para o uso de óculos também representa uma transformação na forma de enxergar o mundo e a si mesmo.
Com texto e ilustrações integrados, o livro propõe diferentes camadas de leitura. A intenção é que as crianças acompanhem a história, compreendam o humor e encontrem outros significados nas imagens e metáforas.
Autor defende livros infantis que respeitem a inteligência das crianças
A decisão de escrever para o público infantil surgiu da experiência de Ademir Luiz como gestor cultural e crítico literário. Segundo ele, algumas obras destinadas às crianças apresentam narrativas artificiais e subestimam a capacidade de compreensão dos leitores.
“Um livro infantil precisa ser tão caprichado quanto um livro para adultos”, afirma.
Entre suas referências estão A Parte que Falta e A Parte que Falta Encontra o Grande O, do escritor e ilustrador norte-americano Shel Silverstein. O autor destaca a relação entre texto e imagem nessas publicações e adotou uma proposta semelhante em Cara de Nada.
Ademir elaborou os esboços das ilustrações e convidou Tiago Duarte para desenvolver os desenhos definitivos. A parceria resultou em uma obra na qual os elementos visuais participam da construção da narrativa.
O escritor também buscou estabelecer um diálogo com crianças que acompanham filmes de super-heróis, assistem a Star Wars, colecionam álbuns de figurinhas, andam de skate e jogam videogame. A proposta é ampliar as possibilidades da literatura infantil para além dos contos de fadas e das histórias com mensagens moralizantes.
A experiência despertou o interesse do autor em desenvolver novos projetos voltados à infância, com outras perspectivas e experiências.
Sobre o autor
Ademir Luiz é escritor, historiador, gestor cultural e crítico literário. Doutor em História, com especialização no período medieval, preside a União Brasileira de Escritores de Goiás (UBE-GO).
Com Cara de Nada, o autor passa a explorar a literatura infantil, mantendo o interesse por narrativas que combinam construção estética e reflexão. O livro aborda questões relacionadas à identidade e à autoestima por meio de metáforas, humor e recursos visuais.
Serviço
- Livro: Cara de Nada
- Autor: Ademir Luiz
- Ilustrações: Tiago Duarte
- Editora: Mondru
- Gênero: Literatura infantil
- Lançamento: 14 de outubro de 2026
- Local do lançamento: União Brasileira de Escritores de Goiás (UBE-GO)
