A 5ª edição do Festival Caju de Leitores será realizada entre 2 e 4 de setembro de 2026, na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, em Porto Seguro (BA). Neste ano, o evento terá como tema “Um Manifesto de Bichos”, texto desenvolvido pela escritora e pesquisadora indígena Trudruá Dorrico, coordenadora curatorial do festival.
A proposta parte da relação dos povos indígenas com os animais para abordar temas como ancestralidade, memória, território, língua, natureza e diferentes formas de compreender a existência.
Durante os três dias de programação, o manifesto servirá como eixo para rodas de conversa, contações de histórias, encontros literários e atividades destinadas às escolas. A programação será gratuita.
Realizado no Território Indígena Barra Velha, o festival estabelece uma relação direta entre literatura, cultura indígena e território Pataxó. Nesse contexto, os animais ganham papel central nas atividades e nas discussões propostas pelo evento.
A abordagem não se limita à fauna da região. O Festival Caju de Leitores 2026 apresenta os bichos como parte das narrativas e dos conhecimentos transmitidos entre gerações.
Segundo Trudruá Dorrico, o manifesto também propõe reconhecer os animais como seres ancestrais. O texto faz referência a Abya Yala, denominação ancestral utilizada para o continente posteriormente chamado de Américas durante a colonização.
Nas narrativas indígenas, os animais aparecem associados a ensinamentos sobre coragem, inteligência, afetos, vida e morte. Além disso, suas histórias contribuem para transmitir conhecimentos relacionados ao território e à convivência coletiva.
Para o escritor Sairi Pataxó, anfitrião do Caju de Leitores, a escolha do tema reforça a importância de manter crianças e jovens próximos dos animais presentes na região.
Essa relação, porém, ultrapassa a observação da natureza. Ela integra uma conexão histórica entre os povos indígenas, o território e os seres que nele vivem.
O tema também busca estimular o conhecimento sobre os sinais e as transformações do território. Dessa maneira, o festival relaciona literatura, oralidade, memória e preservação ambiental.
Além disso, a iniciativa evidencia o papel dos povos indígenas na proteção dos territórios e na conservação da natureza. O manifesto propõe, portanto, uma reflexão sobre formas de convivência entre seres humanos, animais e ambiente.
Criado em 2022, o Festival Caju de Leitores tem entre seus objetivos a formação de leitores e a ampliação do acesso à literatura indígena.
O evento também promove encontros entre escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças e comunidades. Até 2025, suas ações reuniram mais de 12 mil pessoas.
Em 2026, o festival ampliou sua atuação com uma ação itinerante realizada em maio. A iniciativa levou atividades para escolas e outras comunidades da região.
Na quinta edição, a programação reunirá encontros com autores, rodas de conversa, apresentações culturais e contações de histórias. Também haverá atividades educativas relacionadas à literatura, à língua, à oralidade, ao território e à natureza.
A realização ocorre no contexto de uma agenda cultural voltada à valorização dos conhecimentos indígenas. Ao colocar os animais como ponto de partida, o evento aproxima produção literária, memória coletiva e saberes tradicionais.
Evento: 5ª edição do Festival Caju de Leitores
Tema: “Um Manifesto de Bichos”
Data: 2, 3 e 4 de setembro de 2026
Local: Oca Tururim, Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, Porto Seguro (BA)
Acesso: gratuito
O Festival Caju de Leitores é realizado pelo Ministério da Cultura e pela Savá Cultural. O projeto conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, por meio da Lei Rouanet.
A iniciativa também tem apoio da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico. A Universidade Federal do Sul da Bahia participa como parceira acadêmica.
As informações sobre o evento foram divulgadas pela assessoria de imprensa da organização.

