O romance de Bruno Crispim, da morte sua, chega ao público como uma reflexão sensível sobre luto, memória e masculinidade. Publicado pela editora Faria e Silva, o livro acompanha a trajetória de um homem que precisa reconstruir a própria vida após a morte da companheira, enfrentando os desafios da despedida, da paternidade solo e da convivência com a ausência. Finalista do Prêmio Kindle de Literatura, a obra será lançada oficialmente no dia 3 de julho de 2026, na Livraria Travessa Icaraí, no Rio de Janeiro.
Com narrativa não linear, o romance retrata os primeiros dias de Igor sem Bibi, sua esposa, enquanto alterna lembranças do presente e do passado. A estrutura acompanha o funcionamento da memória durante o processo de luto, mostrando como recordações, afetos e experiências compartilhadas permanecem vivos mesmo diante da perda.
A publicação reforça a trajetória literária de Bruno Crispim, escritor reconhecido por romances premiados e indicado ao Prêmio Jabuti, consolidando seu nome na literatura contemporânea brasileira.
O livro é resultado de um longo processo criativo. Bruno Crispim trabalhou durante sete anos na construção da narrativa e realizou mais de dez reescritas até chegar à versão publicada.
Segundo o autor, a origem da história nasceu de uma conversa com sua esposa durante uma noite descontraída. A frase dita por ela — de que ele só faria sucesso ao escrever sobre sua morte — permaneceu em sua memória e acabou dando origem ao romance.
Embora a obra trate de uma situação fictícia, Crispim revela que escreveu movido por um de seus maiores medos: imaginar a perda da companheira com quem compartilha a vida desde a adolescência.
Essa experiência pessoal confere intensidade emocional ao livro, que transforma um temor íntimo em uma narrativa universal sobre o impacto da ausência e a reconstrução dos vínculos afetivos.
Além da história de amor interrompida pela morte, da morte sua propõe uma reflexão sobre os modelos tradicionais de masculinidade.
Ao longo da narrativa, Igor enfrenta não apenas o sofrimento provocado pela perda, mas também a dificuldade de expressar emoções. Educado em uma cultura que associa força ao silêncio, o protagonista reprime o choro e tenta suportar sozinho o peso do luto.
O romance alterna momentos do presente com lembranças da juventude do casal. As memórias revelam como pequenos acontecimentos cotidianos, partidas de futebol, conversas e experiências compartilhadas construíram uma relação que se tornou o centro da vida dos personagens.
Essa estrutura fragmentada aproxima o leitor da forma como o luto costuma ser vivido, em que o passado invade constantemente o presente.
Segundo Bruno Crispim, o livro também pretende despertar empatia. O autor convida os leitores a compreenderem a complexidade das dores vividas por outras pessoas, suspendendo julgamentos precipitados diante de situações delicadas.
Durante a escrita de da morte sua, Bruno Crispim cursou o mestrado em Escrita Criativa pela PUC-RS, experiência que contribuiu para o amadurecimento da obra.
As discussões em Teoria Literária, Filosofia e Literatura, aliadas ao diálogo com professores e escritores, ajudaram a consolidar a linguagem do romance. O autor também consultou profissionais da área médica para conferir maior realismo às cenas hospitalares presentes na narrativa.
Entre suas principais influências literárias estão Hilda Hilst e Vinicius de Moraes. Da escritora, herdou a liberdade de experimentar a linguagem diante da dor. Do poeta, absorveu a força da emoção organizada pela construção literária.
O lançamento de da morte sua será realizado no dia 3 de julho de 2026, às 19h, na Livraria Travessa Icaraí, localizada na Rua Doutor Tavares de Macedo, 240, em Icaraí, no Rio de Janeiro.
Publicado pela editora Faria e Silva, o romance possui 209 páginas, preço sugerido de R$ 69 e integra a produção recente de Bruno Crispim, autor de Kaito: reze por uma boa morte, eleito Livro do Ano pelo Prêmio Book Brasil, O Segundo Caçador, vencedor do Prêmio UFES de Literatura, e Ascensão, indicado ao Prêmio Jabuti 2025.
Ao abordar temas como amor, perda, memória e vulnerabilidade masculina, da morte sua amplia o debate sobre saúde emocional e relações humanas, utiliza

