O inimigo do apocalipse, novo livro de Felipe Catalani, chega às livrarias em 17 de julho de 2026 propondo uma reflexão urgente sobre os riscos da Era Atômica e os desafios políticos do mundo contemporâneo. Publicada pela Boitempo, a obra apresenta uma leitura inédita das “Teses para a Era Atômica”, do filósofo alemão Günther Anders, considerado um dos principais pensadores sobre tecnologia, guerra e ameaça nuclear no século XX.
Em um contexto internacional marcado pelo retorno das tensões geopolíticas e pelo ressurgimento do debate sobre armamentos nucleares, o livro resgata questões que permanecem atuais. Para Catalani, compreender o pensamento de Anders ajuda a refletir sobre os limites da ação humana diante do avanço tecnológico.
A publicação integra a coleção Estado de Sítio e representa o primeiro livro lançado em português dedicado exclusivamente à obra de Günther Anders.
Pesquisador, professor e tradutor, Felipe Catalani constrói a obra em diálogo direto com os escritos do filósofo alemão. O livro alterna duas vozes narrativas: a do próprio Anders e a do autor brasileiro, responsável por contextualizar e comentar os textos.
A primeira parte apresenta a tradução integral das “Teses para a Era Atômica”, acompanhada de análises que exploram seus principais conceitos. Entre eles, destacam-se as noções de “tempo do fim” e a ideia de que a humanidade passou a viver sob a possibilidade permanente da autodestruição.
Segundo a obra, a explosão das bombas atômicas em 1945 inaugurou uma ruptura histórica sem precedentes, alterando a própria compreensão sobre o tempo e o futuro.
Além da tradução comentada das teses, o volume traz dois excursos que aprofundam a discussão sobre o descompasso entre o desenvolvimento tecnológico e a capacidade humana de compreender suas consequências.
Embora o medo de uma guerra nuclear tenha perdido espaço após o fim da Guerra Fria, Catalani argumenta que a ameaça nunca deixou de existir. Nesse sentido, a obra sugere que a Era Atômica possui características irreversíveis.
Os ensaios presentes no livro também discutem os impactos da modernização em diferentes contextos sociais, estabelecendo conexões entre países centrais e periféricos.
A publicação se encerra com uma análise sobre violência e contraviolência baseada em duas entrevistas inéditas concedidas por Günther Anders nos últimos anos de sua vida.
O lançamento conta com contribuições de intelectuais reconhecidos. O texto de orelha é assinado pelo historiador Jorge Grespan, que destaca a atualidade das reflexões propostas no livro.
A edição também traz comentários de Roberto Schwarz e Olgária Matos na quarta capa, além de um posfácio de Christophe David, pesquisador francês especializado nos estudos sobre Anders e Theodor Adorno.
Para Roberto Schwarz, a obra se destaca pela relevância diante dos desafios do presente. “Um livro realmente à altura do tempo. Perto dele, boa parte do que se publica empalidece”, afirma.
Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Felipe Catalani atua como pesquisador de pós-doutorado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ao longo da carreira, traduziu obras de Theodor Adorno e Günther Anders para o público brasileiro.
Entre suas publicações estão o livro Cada um por si e o Brasil contra todos: ensaios e intervenções (2025) e a coorganização de Marx a contrapelo: contribuições para uma releitura da crítica da economia política (2026).
Com O inimigo do apocalipse, o pesquisador amplia o acesso à obra de Anders no Brasil e convida leitores a refletirem sobre questões que permanecem decisivas em um mundo marcado pela incerteza tecnológica e política.

