Livro sobre a vida de seringueiros da Amazônia será lançado na Bienal de Arquitetura

Livro sobre a vida de seringueiros da Amazônia será lançado na Bienal de Arquitetura

A arquiteta e urbanista Marlúcia Cândida lança, no dia 21 de abril, o livro A colocação e a Casa do Seringueiro: exemplo de arquitetura vernácula da Amazônia durante a Bienal de Arquitetura Brasileira, realizada no Parque Ibirapuera.

A obra é fruto de sua pesquisa de mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília e reúne estudos aprofundados sobre os modos de construir e habitar na floresta amazônica. O trabalho foi desenvolvido a partir da convivência com comunidades extrativistas no Acre, especialmente na Reserva Extrativista Chico Mendes.


Pesquisa revela saberes tradicionais da Amazônia

O livro investiga a origem e o modo de vida das famílias seringueiras, destacando a adaptação de populações migrantes do semiárido nordestino ao ambiente amazônico. A pesquisa evidencia como esses grupos desenvolveram soluções arquitetônicas específicas para lidar com a alta umidade, os rios e os solos alagados da região.

Entre as principais características estão construções elevadas e uma organização espacial que reflete tanto as condições ambientais quanto a dinâmica social das famílias. Segundo Marlúcia, essas moradias representam um conhecimento construído ao longo do tempo, transmitido entre gerações e profundamente conectado à identidade e à memória dessas comunidades.

A autora também ressalta o papel fundamental das mulheres na transformação dessas casas. A chegada feminina ampliou os espaços internos e definiu funções essenciais, como cozinhas, quartos e áreas de convivência, evidenciando a dimensão social e cultural da arquitetura vernacular.


Influência na arquitetura contemporânea

A publicação também aborda como o repertório da arquitetura vernacular amazônica influenciou nomes importantes da arquitetura moderna brasileira, como Lina Bo Bardi.

Elementos como ventilação cruzada, uso de materiais naturais e estruturas elevadas — como os pilotis — mostram a integração entre saber popular e arquitetura erudita. O livro demonstra como essas soluções tradicionais continuam relevantes e inspiradoras para projetos contemporâneos.


Pavilhão Casa Empate traduz experiência do livro

O conteúdo da obra inspira diretamente o Pavilhão Casa Empate, espaço expositivo apresentado durante a Bienal. Desenvolvido por Marlúcia com apoio do designer Marcelo Rosenbaum, o projeto recria o interior de uma moradia seringueira.

A instalação utiliza materiais, objetos e ambientações para traduzir os modos de vida da floresta, destacando o protagonismo feminino e o papel da casa como espaço de convivência, organização social e resistência.


Programação inclui debate e lançamento oficial

A Bienal segue até o dia 30 de abril e contará, no dia 21, com uma programação especial no pavilhão. Às 18h, será realizado um encontro aberto ao público com Marlúcia Cândida, Marcelo Rosenbaum e lideranças seringueiras, como Emília Campos e Ronaira Barros.

O debate abordará os chamados “empates”, movimentos pacíficos de resistência ao desmatamento associados a figuras históricas como Chico Mendes, além das vivências na floresta amazônica.

Na sequência, às 19h, acontece o lançamento oficial do livro, seguido de sessão de autógrafos. A autora também apresentará como os saberes tradicionais estudados influenciam seus projetos contemporâneos, que exploram a relação entre memória, território e biofilia.


Sobre a autora

Marlúcia Cândida é arquiteta e urbanista formada pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, com especialização em planejamento ambiental pela Universidade Federal do Acre e mestrado pela Universidade de Brasília.

Com experiências internacionais, realizou cursos no POLI.design, em Milão, e no Instituto Europeu de Design, em Barcelona, além de colaborar com o escritório Simone Micheli Architectural Hero, na Itália. Em seus projetos, integra conceitos de memória, território, biofilia e neurociência aplicada à arquitetura.


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