A dança das memórias resgata ancestral negra
A dança das memórias transforma a busca por uma ancestral negra em uma narrativa sensível sobre memória, identidade e resistência. O livro infantil propõe uma travessia afetiva rumo ao passado, ao investigar a história de Maria Gaivota, ancestral mineira de Sueli Carneiro.
Publicado pela Editora UFMG, pelo selo Estraladabão, em coedição com a Crivo Editorial, o título reafirma a potência da literatura infantil ao abordar temas sociais e históricos com profundidade e imaginação.
A dança das memórias aborda ancestralidade negra
Em A dança das memórias, documentos de arquivo se tornam matéria viva de enredo literário. A narrativa acompanha personagens que viajam no tempo e no espaço para reconstruir trajetórias familiares apagadas dos registros oficiais.
Ao fazer isso, o livro mostra que a história não se constrói apenas por grandes eventos. Pelo contrário, ela também nasce de trajetórias silenciosas, sobretudo de mulheres negras que enfrentaram invisibilidade.
Escrito por Ivana Parrela, Bianca Santana, Cecília Santana e Luanda Carneiro Jacoel, o livro mistura ficção, autobiografia e ensaio histórico. Essa escolha aproxima o público infantil dos processos reais de pesquisa e construção da memória.
Memória e resistência em A dança das memórias
A metáfora central de A dança das memórias é a dança como gesto transmitido entre gerações. O movimento simboliza saberes, afetos e lembranças que habitam o corpo.
Assim, o livro amplia a noção tradicional de arquivo e documento. Ele sugere que a memória também vive na experiência sensível.
Outro eixo importante é a construção de genealogias femininas. Mães, filhas, avós e bisavós aparecem conectadas por laços de cuidado e resistência.
Ao destacar mulheres negras intelectuais, artistas e pesquisadoras, a obra oferece referências potentes para crianças. Dessa forma, contribui para ampliar repertórios e fortalecer identidades.
A dança das memórias reforça literatura infantil crítica
Com 52 páginas e preço de R$ 50, A dança das memórias está disponível no site da Editora UFMG. A obra contou com apoio institucional por meio da Lei Paulo Gustavo, via Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.
O selo Estraladabão, criado pela Editora UFMG, aposta em livros que valorizam diversidade, direitos humanos e imaginação. Portanto, o lançamento dialoga com crianças sem subestimar sua capacidade de reflexão.
As ilustrações de Alessandra Alixandrino ampliam a experiência de leitura. Seu trabalho transforma palavras em imagens poéticas e envolventes.
Ao transformar a busca por uma ancestral em narrativa acessível e potente, A dança das memórias contribui para formar leitores atentos à justiça histórica e às múltiplas histórias que compõem o Brasil.
