A exposição Baile Funk Invasion apresenta a história e a expansão internacional do funk brasileiro durante a WOMEX 2026, uma das principais feiras dedicadas à música no mundo. Realizado pela Embratur em parceria com o festival Favela Sounds, o projeto ocupa um espaço em Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha, com atividades previstas entre 21 e 24 de outubro.
A iniciativa reúne conteúdos históricos, recursos audiovisuais e experiências interativas para mostrar como o funk se desenvolveu nas periferias brasileiras e conquistou públicos em diferentes países. Além disso, a exposição busca ampliar o reconhecimento dos artistas e produtores brasileiros que construíram a trajetória do gênero.
O projeto também chama a atenção para um desafio da internacionalização do funk: embora o estilo tenha conquistado espaço nas pistas estrangeiras, os profissionais brasileiros ainda enfrentam dificuldades para ocupar posições de protagonismo nesse mercado.
Exposição Baile Funk Invasion percorre a história do gênero
A mostra apresenta mais de três décadas de desenvolvimento do funk, desde os bailes e as equipes de som que ajudaram a consolidar a cena carioca até a formação de diferentes vertentes musicais em outras regiões do Brasil.
A exposição também aborda a circulação internacional do gênero e sua influência sobre artistas, DJs e produtores de diferentes continentes. Para isso, combina arquivos históricos, depoimentos, vídeos, telas e recursos gráficos que relacionam a música às transformações sociais, tecnológicas e culturais brasileiras.
A experiência está organizada em três etapas. A primeira aborda o surgimento do funk no Rio de Janeiro. A segunda acompanha sua disseminação pelo território nacional. Por fim, a terceira investiga o alcance internacional do gênero e suas possibilidades futuras.
Com apoio da Embratur, o projeto também apresenta a música como um elemento da identidade brasileira capaz de despertar o interesse de visitantes estrangeiros.
Segundo Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da agência, o funk segue uma trajetória que apresenta semelhanças com a do samba. Ambos enfrentaram preconceito antes de alcançarem maior reconhecimento internacional.
Experiências interativas aproximam público do funk
Instalada em uma área de 24 metros quadrados no mercado profissional da WOMEX, a exposição pretende aproximar os participantes da feira da história e da diversidade do funk. O espaço estará disponível para profissionais credenciados do mercado musical internacional.
Entre as atrações está a experiência Let’s Dance Passinho, conduzida por Arielle Macedo, bailarina e coreógrafa de Anitta há mais de uma década. Nessa atividade, o público aprende uma coreografia criada especialmente para uma faixa original do DJ e produtor paulista Rafinha MPC.
Por meio de uma tela vertical, os visitantes acompanham os movimentos e reproduzem a dança enquanto são filmados. Ao final, recebem um vídeo da experiência por QR code, que pode ser compartilhado nas redes sociais.
Outra atividade permite experimentar a produção musical com uma MPC, equipamento utilizado por DJs para criar e manipular sons. Desenvolvida por Rafinha MPC, a instalação convida os participantes a improvisar batidas e interferências sonoras.
A mostra também inclui um mapa do Brasil dedicado às diferentes vertentes do funk. O recurso apresenta características musicais e estéticas que ajudam a compreender a diversidade regional do gênero.
A direção criativa e a curadoria são assinadas por Guilherme Tavares e Amanda Bittar. A equipe conta ainda com os visuais do artista plástico Dnego Justino, as edições de Ada Souza e o motion design de Thiago “Penahx” Macedo.
Funk brasileiro busca maior protagonismo internacional
Além de apresentar a história do gênero, o Baile Funk Invasion propõe uma reflexão sobre a representação da cultura brasileira no exterior. O crescimento do consumo internacional do funk contrasta com a participação ainda limitada de artistas e produtores brasileiros em determinados circuitos musicais.
Amanda Bittar, diretora-geral do Favela Sounds e cocuradora da exposição, destaca a importância de contextualizar as origens do estilo para públicos que já consomem sua música. A proposta também busca aproximar profissionais brasileiros de agentes interessados na produção musical do Sul Global.
Guilherme Tavares, diretor artístico do festival e cocurador da mostra, aponta que produtores de diferentes países já incorporam elementos do funk em seus trabalhos. Entretanto, a expansão não garante, por si só, o reconhecimento dos criadores brasileiros nem a compreensão do contexto social em que o gênero surgiu.
Nesse cenário, a exposição pretende contribuir para uma divulgação internacional que reconheça a participação das periferias brasileiras na construção dessa linguagem musical.
Debate na WOMEX discute o futuro do baile funk
A programação inclui ainda o debate Is Baile Funk Here to Stay?, promovido no âmbito da Rádio WOMEX, com participação da emissora espanhola RBL (Rádio Banda Larga).
O encontro será realizado em 22 de outubro, das 16h15 às 17h45, pelo horário de Brasília. A conversa reunirá diferentes perspectivas sobre a circulação internacional do funk e os desafios para ampliar a presença de profissionais brasileiros nesse mercado.
Participam do debate Deize Tigrona, nome importante da história do funk carioca e atualmente baseada em Marselha, na França; Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur; e Allexia Galvão, supervisora de Economia Criativa da agência. A mediação ficará a cargo de Guilherme Tavares.
A transmissão será realizada pela internet, por meio do site da RBL Radio.
Favela Sounds completa dez anos em 2026
A participação na WOMEX integra a trajetória internacional do Favela Sounds, festival criado em Brasília, em 2016, pela Um Nome – Agência Criativa.
Ao longo de uma década, a iniciativa reuniu mais de 200 artistas brasileiros e representantes de outros 15 países. O projeto também promoveu atividades formativas, debates e ações voltadas à documentação das culturas periféricas.
Em 2026, o festival amplia sua atuação internacional com uma iniciativa dedicada ao funk, gênero que se tornou uma das expressões musicais brasileiras com circulação global.
A presença na WOMEX busca, portanto, aproximar a história das periferias brasileiras dos profissionais da indústria musical e ampliar o reconhecimento de quem participa da criação e da difusão do funk.
Serviço
Exposição Baile Funk Invasion
- Data: 21 a 24 de outubro de 2026.
- Local: WOMEX 2026, Las Palmas de Gran Canaria, Espanha.
- Acesso: exclusivo para pessoas credenciadas.
Debate Is Baile Funk Here to Stay?
- Data: 22 de outubro de 2026.
- Horário: das 16h15 às 17h45, no horário de Brasília.
- Transmissão: RBL Radio.
