O livro Um Inferno em Mianmar – Os perigos da escravidão moderna, de Ricardo Viveiros e Laura de Araújo Cordeiro, aborda as formas contemporâneas de exploração humana e tráfico internacional de pessoas.
Publicado pela Editora Reflexão, o livro será lançado em 15 de outubro, às 19h, na Livraria Drummond, no Conjunto Nacional, em São Paulo. A obra parte da história real de um brasileiro vítima de tráfico internacional de pessoas para investigar estruturas de exploração instaladas no Sudeste Asiático.
Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Walk Free Foundation, 49,6 milhões de pessoas viviam em situação de escravidão em 2021.
Desse total, 27,6 milhões estavam submetidas ao trabalho forçado e 22 milhões a casamentos indesejados. No Brasil, mais de 60 mil trabalhadores foram resgatados desde 1995, quando o país estruturou sua política nacional de combate ao trabalho análogo à escravidão.
Livro parte de caso de tráfico internacional
A obra acompanha a história de Phelipe, brasileiro que recebeu uma proposta profissional no exterior e acabou levado para Mianmar. No país, ele foi privado da liberdade e submetido a meses de violência.
Segundo o livro, Phelipe foi obrigado a participar de fraudes financeiras realizadas pela internet contra vítimas de diferentes países. O resgate ocorreu com a atuação de uma organização não governamental voltada ao enfrentamento do tráfico internacional de pessoas.
A investigação também apresenta mecanismos utilizados pelas organizações criminosas para recrutar e controlar vítimas. Entre eles estão falsas ofertas de emprego, anúncios em redes sociais, retenção de documentos, isolamento, ameaças, dívidas e violência física e psicológica.
Exploração humana utiliza internet para recrutar vítimas
Os autores destacam uma transformação nas formas de atuação do tráfico internacional de pessoas. Organizações criminosas passaram a utilizar redes sociais e plataformas digitais para atrair trabalhadores com promessas de empregos bem remunerados.
As ofertas podem envolver áreas como tecnologia, atendimento ao cliente e marketing digital. Após a chegada ao destino, as vítimas podem ter documentos e celulares confiscados e passar a ser submetidas a ameaças e violência.
Na apresentação do livro, Ricardo Viveiros afirma que a escravidão contemporânea não depende dos mecanismos associados historicamente à escravidão. Segundo ele, redes criminosas utilizam diferentes formas de coerção para impedir que as vítimas deixem os locais de exploração.
A investigação busca apresentar o fenômeno sem transformar os relatos das vítimas em espetáculo. Para isso, reúne entrevistas, documentos, dados e informações históricas.
Depoimentos ampliam análise sobre a escravidão moderna
Além do relato de Phelipe Ferreira, a obra reúne depoimentos de familiares, pesquisadores, jornalistas, profissionais do Direito, especialistas em história, direitos humanos e saúde mental.
Entre os entrevistados estão Antônio Carlos Ferreira, pai de Phelipe; Antônio Claudio Mariz de Oliveira, advogado criminalista; Cíntia Meirelles, diretora da ONG The Exodus Road; e Emiliano Unzer, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e especialista em História da Ásia.
Também participam Daniel Carvalho de Paula, Francisco Lellis, Júlio Lancellotti, Maurício Zanoide de Moraes, Paulo Baía, Ricardo Rezende Figueira e Valmir Salaro.
A diversidade de depoimentos busca abordar a escravidão contemporânea a partir de perspectivas jurídicas, sociais, históricas, psicológicas e humanas.
Para preservar a identidade de pessoas envolvidas nos relatos, os autores informam que alguns nomes foram modificados.
Autores investigam diferentes dimensões do problema
Ricardo Viveiros é jornalista, professor e escritor. Ao longo da carreira, trabalhou em jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, além de ter coberto quatro guerras civis para agências internacionais.
Autor de 60 livros, Viveiros é doutor stricto sensu em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Também lecionou Comunicação durante 25 anos em instituições públicas e privadas.
Laura de Araújo Cordeiro é jornalista, historiadora e pesquisadora. Formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e em História pela Universidade de São Paulo, atua há mais de 14 anos com pesquisa, produção editorial e desenvolvimento de conteúdo.
A autora é pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em História Social da USP. Seus estudos abordam relações de trabalho, migrações, populações e dinâmicas culturais entre os séculos XIX e XX.
Serviço
Lançamento de Um Inferno em Mianmar – Os perigos da escravidão moderna
Autores: Ricardo Viveiros e Laura de Araújo Cordeiro
Editora: Reflexão
Data: 15 de outubro
Horário: 19h
Local: Livraria Drummond, Conjunto Nacional
Endereço: Avenida Paulista, 2.073, Loja 153, São Paulo (SP)
ISBN: 978-65-5619-258-1
Páginas: 170
Formato: Capa brochura
Preço de capa: R$ 99,90
