A ora-pro-nóbis, taioba e outras folhas tradicionais de Minas Gerais deixaram os quintais e ganharam novas interpretações em restaurantes do estado. Couve, peixinho da horta, azedinha e maria-gondó também aparecem em pratos que valorizam ingredientes ligados à cozinha mineira.
Embora a couve seja facilmente encontrada, algumas dessas plantas ainda circulam principalmente por hortas domésticas e pequenos produtores. Nas cozinhas profissionais, os ingredientes recebem diferentes técnicas de preparo.
Em Belo Horizonte e na Serra do Cipó, chefs incorporam essas folhas a pratos que vão de entradas e acompanhamentos a massas, risotos e carnes.
A proposta mantém uma relação direta com a tradição. Afinal, o consumo de folhas cultivadas em quintais faz parte da memória alimentar de muitas famílias mineiras.
Ora-pro-nóbis e taioba aparecem em pratos mineiros
Na Cozinha Santo Antônio, em Belo Horizonte, a couve, a taioba e o peixinho da horta aparecem em diferentes preparações.
A couve é servida crocante no prato Minha Vida de Menina. A preparação combina posta de bacalhau com angu de milho crioulo, abóbora e feijão-preto.
A taioba acompanha o barreado, cozido lentamente por várias horas. O prato também leva farofa e banana grelhada.
Já o peixinho da horta recebe empanamento e ganha aparência semelhante à de um peixe frito. A opção costuma aparecer entre as sugestões do dia do menu executivo.
Além de valorizar uma planta tradicional, o preparo oferece uma alternativa para pessoas que não consomem carne.
A ora-pro-nóbis entra no arroz cremoso
Na A Casa da Agnes, também no bairro Santo Antônio, a taioba assume outra função. A folha é usada para envolver um charutinho de galinha caipira.
A entrada é servida com vinagrete de cachaça e se tornou uma das preparações de destaque da casa.
A ora-pro-nóbis aparece em um arroz cremoso preparado com bochecha e costelinha defumada. O prato ainda recebe bacon caramelizado.
A receita foi apresentada pela chef no Minéra, restaurante montado na CasaCor Minas 2025. Depois da repercussão entre os clientes, a preparação passou a integrar o menu do bistrô.
Maria-gondó e azedinha ganham novas preparações
No Casca, restaurante localizado no bairro Carmo, em Belo Horizonte, a maria-gondó aparece em uma preparação inspirada na gremolata.
A folha é picada junto com cascas de frutas cítricas e utilizada para temperar o steak do dia. A proposta combina um ingrediente tradicional da cozinha de quintal com o aproveitamento de partes normalmente descartadas.
O conceito dialoga diretamente com o nome do restaurante e com a proposta de aproveitar diferentes elementos dos alimentos.
Casulo explora ingredientes do cerrado mineiro
Em Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho, na Serra do Cipó, o Casulo também trabalha com folhas tradicionais.
A ora-pro-nóbis acompanha o frango caipira servido com risoto de pequi. A preparação combina dois ingredientes associados à culinária regional.
A taioba, por sua vez, aparece em um omelete feito com ovos caipiras, mussarela de búfala e presunto caipira maturado.
A azedinha participa de outra criação. A folha, conhecida pelo sabor mais ácido, é combinada com boursin, tomate, pimenta, caju e rosas.
O prato integra o segundo momento do menu degustação da casa, que apresenta diferentes ingredientes associados ao cerrado mineiro.
Folhas tradicionais preservam a memória da cozinha mineira
O uso de ora-pro-nóbis, taioba, maria-gondó, azedinha e peixinho da horta mostra como ingredientes cotidianos podem assumir diferentes papéis na gastronomia.
Nas cozinhas domésticas, essas folhas costumam estar relacionadas a preparações simples e à produção de quintal. Nos restaurantes, porém, os chefs exploram novas técnicas e combinações.
A mudança não elimina a tradição. Pelo contrário, transforma ingredientes conhecidos em pratos capazes de apresentar a cultura alimentar mineira sob diferentes perspectivas.
Além disso, a presença dessas plantas nos cardápios ajuda a aproximar o público de espécies que nem sempre estão disponíveis em supermercados.
Serviço: restaurantes com ingredientes mineiros
A Casa da Agnes
Endereço: Rua Paulo Afonso, 833, Santo Antônio, Belo Horizonte.
Almoço: terça a sábado, das 12h às 15h.
A casa também realiza eventos fechados para até 60 pessoas.
Informações e delivery: (31) 98738-7066.
Instagram: @acasadaagnes.
Cozinha Santo Antônio
Endereço: Rua São Domingos do Prata, 453, Santo Antônio, Belo Horizonte.
Funcionamento: terça a sexta, das 12h às 15h.
Sábados, domingos e feriados: das 12h30 às 17h.
Quintas e sextas: das 19h às 23h.
Instagram: @cozinhasantoantonio.
Casulo
Endereço: Rua Olhos d’Água, 01, Lapinha da Serra, Santana do Riacho, MG.
Terça a quinta: das 12h às 21h.
Sexta: das 18h30 às 22h30.
Sábado: das 12h às 22h30.
Domingo: das 12h às 21h.
Informações: (31) 98408-0368.
Instagram: @casulolapinhadaserra.
Casca
Endereço: Rua Outono, 579, Carmo, Belo Horizonte.
Quarta e quinta: das 18h às 23h.
Sexta: das 18h à meia-noite.
Sábado: das 17h à meia-noite.
A cozinha encerra o atendimento 30 minutos antes do fechamento.
Instagram: @casca_bar.
