Daniel Munduruku reflete sobre ancestralidade em novo livro

Em “Ser um bom ancestral hoje”, escritor indígena questiona a relação contemporânea com o tempo, a memória e a responsabilidade coletiva

O escritor, educador e ativista indígena Daniel Munduruku lança Ser um bom ancestral hoje, terceiro volume da Coleção Reticências, da Editora Planeta. A obra propõe uma reflexão sobre tempo, memória, ancestralidade e o legado deixado para as próximas gerações.

Com 112 páginas, o livro parte da experiência e dos saberes indígenas para discutir como as escolhas realizadas no presente participam da construção do futuro. A publicação também questiona a visão linear e produtivista do tempo predominante no pensamento ocidental.

Daniel Munduruku aborda tempo e ancestralidade

Em Ser um bom ancestral hoje, Munduruku apresenta o presente como espaço de experiência, aprendizado e responsabilidade coletiva. Em vez de tratar o passado como algo que deve ser deixado para trás, o autor o apresenta como fonte de ensinamentos para a vida contemporânea.

“O passado, é bom que se entenda, na verdade é um instrumento pedagógico; ele não é uma prisão.”

A partir dessa perspectiva, a memória ganha papel central na preservação de conhecimentos e na construção de relações mais equilibradas com a natureza e a comunidade.

O livro também aproxima temas como educação e filosofia de situações do cotidiano. Dessa forma, a obra propõe uma reflexão sobre como cada pessoa pode contribuir para o mundo que será recebido pelas próximas gerações.

Coleção Reticências propõe novos olhares

Como terceiro título da Coleção Reticências, Ser um bom ancestral hoje segue a proposta de transformar questões contemporâneas em oportunidades de diálogo e reflexão.

Na obra, conceitos relacionados à ancestralidade, à coletividade e à responsabilidade são apresentados a partir de uma perspectiva que valoriza a escuta, a reciprocidade e o cuidado com diferentes formas de vida.

Para Munduruku, pensar no futuro também significa compreender os conhecimentos transmitidos pelas gerações anteriores e reconhecer sua importância para as decisões tomadas no presente.

Quem é Daniel Munduruku

Uma das principais vozes da literatura indígena brasileira, Daniel Munduruku nasceu em Belém (PA), em 1964. O escritor é graduado em Filosofia, História e Psicologia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Com cerca de três décadas de carreira literária, Munduruku já publicou mais de 70 livros destinados a crianças, jovens e educadores. Seus trabalhos receberam reconhecimentos no Brasil e no exterior, incluindo três Prêmios Jabuti.

Suas obras também foram traduzidas para países como Canadá, Estados Unidos, Áustria, México e Coreia do Sul. Em 2025, tornou-se o primeiro autor indígena eleito para a Academia Paulista de Letras.

“Ser um bom ancestral hoje”: ficha técnica

Título: Ser um bom ancestral hoje
Autor: Daniel Munduruku
Editora: Planeta
ISBN: 978-85-422-4349-9
Páginas: 112
Preço: R$ 59,90
Coleção: Reticências