21 jul 2026, ter

O resgate da memória e da produção de intelectuais que moldaram o pensamento social brasileiro ganha um importante aliado na era da informação. A trajetória de uma das principais vozes do ativismo e da pesquisa do país passa a estar acessível a um público muito mais amplo a partir desta semana.

Conforme divulgado pela assessoria de imprensa da Fundação Rosa Luxemburgo, o livro Eu Sou Atlântica: lugares e rotas de Beatriz Nascimento, de autoria do geógrafo e antropólogo Alex Ratts, ganhou uma versão digital com download totalmente gratuito. A iniciativa busca democratizar o acesso à pesquisa e colocar em circulação conceitos fundamentais sobre território, ancestralidade e resistência.

O retorno de um clássico esgotado por quase duas décadas

Publicada originalmente no ano de 2007, a obra biográfica e analítica permaneceu esgotada no mercado editorial por 18 anos. Em 2025, o livro ganhou as livrarias em formato físico revisado e ampliado. Agora, em julho de 2026, a distribuição em PDF resulta de uma cooperação mútua entre o autor, a Editora Oralituras e a fundação alemã.

Para Christiane Gomes, coordenadora de projetos de Raça e Gênero da instituição, disponibilizar o acervo na internet é urgente para municiar novas gerações de pesquisadores. As análises de Beatriz sobre o racismo estrutural, a diáspora africana e o feminismo negro permanecem perfeitamente atuais para decifrar a estrutura social contemporânea do Brasil.

Ficha Técnica do Lançamento:
• Título: Eu Sou Atlântica: lugares e rotas de Beatriz Nascimento
• Autor: Alex Ratts
• Formato: E-book digital gratuito
• Parceria: Editora Oralituras e Fundação Rosa Luxemburgo
• Projeto Gráfico: Estúdio Aruêra (Silvana Martins)

O conceito por trás do título “Eu Sou Atlântica”

O nome dado ao livro reflete diretamente a tese defendida por Beatriz em seus ensaios, que interliga o corpo negro, o território e a travessia oceânica da diáspora. Em seus estudos historiográficos, o quilombo deixou de ser visto apenas como um sítio arqueológico ou um refúgio estático do período colonial.

A autora o ressignificou como um modelo contínuo de organização social, espaço de afeto e manutenção da identidade negra no cotidiano das periferias urbanas brasileiras.

Quem foi Beatriz Nascimento: o legado de uma pioneira

Historiadora, poeta, roteirista e ativista nascida em Aracaju (SE), Beatriz completaria 84 anos de idade no dia 12 de julho de 2026. Ela graduou-se em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi uma das fundadoras do Grupo de Trabalho André Rebouças na década de 1970, estimulando a presença de estudantes negros nas universidades.

Sua brilhante trajetória intelectual foi tragicamente interrompida no ano de 1995, aos 53 anos, quando foi vítima de feminicídio na capital fluminense ao intervir para proteger uma amiga que sofria violência doméstica. A liberação do e-book ajuda a imortalizar suas ideias de vanguarda nas ciências humanas.

Atuação institucional da Fundação Rosa Luxemburgo

Fundada em 1990 na cidade de Berlim, a Fundação Rosa Luxemburgo é uma instituição sem fins lucrativos vinculada ao partido de esquerda alemão Die Linke. O escritório regional responsável pelos projetos no Brasil e no Paraguai foi aberto em São Paulo no ano de 2003.

A entidade financia projetos de formação política, economia solidária e sustentabilidade ecológica em mais de 24 países. O download do livro digital e o acesso aos materiais de apoio estão disponíveis diretamente no portal oficial da instituição.