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Suraras do Tapajós faz show gratuito em Belo Horizonte - Marramaque

Suraras do Tapajós faz show gratuito em Belo Horizonte

O grupo Suraras do Tapajós, primeiro conjunto de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil, se apresenta gratuitamente em Belo Horizonte no dia 7 de novembro de 2026. O show integra a turnê Suraras do Tapajós – Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência, que percorre 12 cidades das regiões Norte, Nordeste e Sudeste, unindo música, ancestralidade e defesa dos territórios indígenas.

A apresentação será realizada no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, no bairro Itapoã. A programação começa às 11h e inclui atividades culturais, feira indígena, sarau e conversas sobre tradições originárias.

Às 15h, o grupo paraense encerra o sarau com uma apresentação de carimbó. A iniciativa também prevê oficinas gratuitas de moda consciente e de técnica de som, com informações disponíveis no Instagram oficial das artistas.

Suraras do Tapajós leva carimbó indígena a 12 cidades

Criado em 2018, o grupo surgiu a partir da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, em Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará. Formado por mulheres indígenas, o conjunto utiliza o carimbó para expressar suas identidades culturais e defender os direitos dos povos originários.

A turnê começou em 19 de abril, em São Paulo, e integra a Seleção Petrobras Cultural, com patrocínio da Petrobras, realização do Ministério da Cultura e recursos da Lei Rouanet. A produção é da Alter do Som.

Além de Belo Horizonte, a circulação prevê apresentações em cidades como Salvador, Manaus, Natal, Rio Branco e São Luís. O projeto busca ampliar o alcance da música indígena contemporânea e promover encontros com comunidades locais.

A trajetória internacional também faz parte do percurso das artistas. Em 2025, elas realizaram apresentações na França, participaram da Womex, na Finlândia, e estiveram no Festival Mate, em Portugal. Em 2024, o grupo integrou a programação comemorativa dos 50 anos do Rock in Rio.

Repertório mistura carimbó, ancestralidade e música autoral

O espetáculo reúne composições próprias e músicas tradicionais paraenses, incluindo obras associadas a nomes importantes do carimbó, como Dona Onete. As canções abordam temas como natureza, protagonismo feminino, ancestralidade e relação dos povos amazônicos com os rios e seus territórios.

O repertório também incorpora referências ao Nheengatu, idioma ainda utilizado em comunidades da região do Baixo Tapajós. A presença da língua nas músicas e nas falas do grupo contribui para a valorização dos saberes originários.

No palco, as integrantes utilizam instrumentos como curimbós, maracas de cuia, banjo e violão. Os arranjos vocais alternam interpretações individuais e coletivas, enquanto as coreografias convidam o público a participar das danças.

Outra experiência prevista nos espetáculos é o banho de cheiro com ervas medicinais, prática tradicional amazônica associada à proteção e ao bem-estar. A atividade integra música, dança e espiritualidade.

As apresentações também valorizam elementos da identidade visual indígena, com grafismos corporais, saias artesanais, cocares e biojoias. Esses componentes reforçam a conexão entre a expressão artística e os conhecimentos transmitidos entre gerações.

Grupo defende protagonismo das mulheres indígenas

A atuação das Suraras do Tapajós vai além da música. O grupo surgiu em um gênero tradicionalmente associado à presença masculina e passou a ocupar esse espaço com composições, performances e ações voltadas à valorização das mulheres indígenas.

Val Munduruku, artista, ativista socioambiental e presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, destaca a relação entre a produção cultural e a defesa dos territórios amazônicos.

Para as integrantes, cantar também significa fortalecer as tradições de seus povos e ampliar a visibilidade das questões indígenas. A música funciona, assim, como instrumento de mobilização social e preservação cultural.

O carimbó, manifestação tradicional do Pará, recebeu em 2014 o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Ao incorporar experiências e perspectivas de mulheres indígenas, o grupo contribui para a continuidade dessa expressão musical e para sua conexão com novos públicos.

Programação gratuita inclui feira, sarau e oficinas

Em Belo Horizonte, a programação começa pela manhã e reúne diferentes atividades ligadas à cultura popular e aos conhecimentos indígenas. A proposta é proporcionar ao público contato com expressões artísticas, práticas tradicionais e iniciativas de formação.

Confira os horários previstos:

  • 11h: Conversa ao Pé do Fogão, com Núbia dos Santos Kamaka Mongoio, sobre tradições indígenas.
  • 13h: Feira Indígena e Sarau da Cultura Popular, com palco aberto.
  • 15h: Apresentação das Suraras do Tapajós, encerrando o sarau.

As atividades paralelas incluem oficinas gratuitas de técnica de som e moda consciente. A iniciativa também prevê encontros e diálogos com coletivos indígenas e convidados locais nas cidades contempladas pela turnê.

As ações da circulação contam com intérpretes de Libras, de acordo com as informações divulgadas pela produção.

Serviço: Suraras do Tapajós em Belo Horizonte

Evento: Suraras do Tapajós – Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência

Data: 7 de novembro de 2026, sábado.

Horário: a partir das 11h; show às 15h.

Local: Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado.

Endereço: Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, bairro Itapoã, Belo Horizonte (MG).

Entrada: gratuita.

Oficinas e informações: Instagram @surarasdotapajos.

A turnê é realizada pela Alter do Som, com patrocínio da Petrobras e realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.