O podcast O Samba Tem História, da Rádio Samba, apresenta dois episódios dedicados às trajetórias de Nilze Carvalho e Gabrielzinho do Irajá. Os artistas começaram a se aproximar da música ainda na infância e compartilham histórias sobre suas formações, encontros com nomes importantes do samba e experiências que marcaram suas carreiras.
Apresentado pelo jornalista e pesquisador Pedro Paulo Malta, o programa teve o episódio com Nilze Carvalho publicado em 9 de outubro. Já a conversa com Gabrielzinho do Irajá estreia nesta sexta-feira, 16 de outubro, no canal da Rádio Samba no YouTube e no aplicativo da emissora.
Nilze Carvalho começou no cavaquinho aos sete anos
Nascida em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Nilze Carvalho teve os primeiros contatos com a música por meio de um cavaquinho levado para casa pelo pai, Cristino Ricardo, trompetista e compositor mineiro. Os dois aprenderam a tocar juntos, utilizando discos de Jacob do Bandolim e Pixinguinha como referência.
Aos sete anos, depois de se apresentar em um programa infantil de rádio em Nova Iguaçu, Nilze virou reportagem do Fantástico, em 1979. Na sequência, passou a tocar nos intervalos da gafieira da Portela e gravou seu primeiro disco, produzido por Jorginho do Pandeiro.
No podcast, a artista relembra a trajetória no choro e a importância de manter o gênero em seus projetos. “Mesmo que eu vá tocar num festival de jazz, tem que ter o choro. Vai ter o choro sempre”, afirma.
Outro episódio marcante foi a viagem ao Japão, em 1991. Um convite surgiu após uma apresentação de choro em um restaurante da Barra da Tijuca. O que seria uma temporada de seis meses acabou durando seis anos, período em que seu pai também atuou como curador de músicos brasileiros que se apresentavam em restaurantes.
Ao retornar ao Rio de Janeiro, Nilze ingressou na UniRio e, em 2002, participou do espetáculo O Samba é Minha Nobreza, de Hermínio Bello de Carvalho, apresentado no Cine Odeon.
A conversa também aborda o grupo Sururu na Roda, o projeto Lembranças Cariocas e os encontros com Dona Ivone Lara e Áurea Martins. A cantora ainda apresenta o projeto A Vida que se Quer, ao lado de Ana Costa e Paulino Dias.
Gabrielzinho do Irajá conheceu Dorival Caymmi ainda criança
A relação de Gabrielzinho do Irajá com a música começou aos dois anos e meio, quando ele se encantou com a abertura da minissérie Hilda Furacão, interpretada por Nana Caymmi. A mãe conseguiu levá-lo para conhecer a cantora no Canecão, e o menino pediu discos dela como presente de aniversário aos três anos. A partir daí, chegou à obra de Dorival Caymmi.
Anos depois, durante sua participação na novela América, Gabrielzinho falou sobre o compositor no Domingão do Faustão. A família de Caymmi entrou em contato com a emissora, e Dorival participou ao vivo, cantando “Rosa Morena” com o jovem artista. Na mesma semana, Gabrielzinho visitou a casa do compositor e de Stella Maris.
“Foi um sonho de verdade. Jamais vou me esquecer desse momento”, recorda.
Em 2006, aos dez anos, lançou o álbum Ninar Meu Samba em um show no Canecão. A apresentação contou com a participação de Nana Caymmi e reuniu nomes como Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Dorina, integrantes da Velha Guarda da Portela, Fundo de Quintal e Almir Guineto.
A aproximação com a Portela aconteceu por meio de Dorina. Gabrielzinho conviveu com sambistas como Monarco, Tia Surica e Jair do Cavaquinho e participou da fundação da escola mirim Filhos da Águia. O hino da agremiação é um samba composto por ele em parceria com Juninho Thybau.
Partido-alto e histórias do samba carioca
O episódio também aborda a formação de Gabrielzinho no partido-alto. Durante três anos, ele teve aulas com Renatinho Partideiro no Cacique de Ramos, onde aprendeu fundamentos do improviso e regras de convivência nas rodas de samba.
“Canta três e rala. Seja educado”, resume o artista ao falar sobre a dinâmica das rodas.
Gabrielzinho relembra ainda a parceria com Marquinhos Diniz em homenagem à Portela, a repercussão de “Chuva no Sertão” e o encontro com Xande de Pilares, com quem mantém amizade e parceria musical. Durante o programa, ele improvisa versos para o apresentador e encerra a participação com “Vai que Vai”, composição com Xande e Valtinho Zacarias.
Podcast reúne diferentes gerações do samba
A temporada atual de O Samba Tem História começou em 4 de setembro, com uma conversa com Nei Lopes, e segue até 20 de novembro. Os episódios têm cerca de 60 minutos e reúnem intérpretes, compositores e pesquisadores ligados à história do samba carioca.
Depois do programa com Gabrielzinho do Irajá, a programação prevê episódios com Marquynhos Diniz, em 23 de outubro; Milton Manhães, em 6 de novembro; Paulinho Resende, em 13 de novembro; e Marcos Sacramento, em 20 de novembro.
A Rádio Samba também divulgou números de audiência do canal no YouTube. Nas quatro semanas anteriores à divulgação, a plataforma registrou 929 mil visualizações e 135,8 mil espectadores únicos. Desde a inauguração, em dezembro de 2023, o canal acumulou mais de 3,4 milhões de visualizações e aproximadamente 25 mil horas assistidas.
Sobre a Rádio Samba
Idealizada por Dudu Pagodinho, diretor artístico e audiovisual, e Maurício Barzilai, publicitário e mestre em inovação, a Rádio Samba foi inaugurada em 2 de dezembro de 2023. A emissora reúne música, memória, gastronomia, audiovisual e iniciativas sociais, com programação gratuita disponível 24 horas por dia.
Entre seus projetos está uma oficina gratuita de percussão realizada em parceria com a Rio Brasil Terminal e o CRAS XV de Maio, no Caju, no Rio de Janeiro. Coordenada por Marcelinho Moreira, a iniciativa oferece iniciação musical a crianças e jovens da comunidade.
Serviço: O Samba Tem História
Onde ouvir: aplicativo Rádio Samba, disponível para iOS e Android.
Site: www.radiosambaoficial.com.br
Instagram: @radiosambaoficial
Contato: contato@radiosambaoficial.com.br.
Próximos episódios:
- 16/10 — Gabrielzinho do Irajá
- 23/10 — Marquynhos Diniz
- 06/11 — Milton Manhães
- 13/11 — Paulinho Resende
- 20/11 — Marcos Sacramento.
