Yaku Urku lança álbum que une ancestralidade indígena e música andina
Realeza de Abya Yala, primeiro disco autoral de Yaku Urku, chega às plataformas com canções em quéchua, espanhol e português
O artista argentino radicado em Belo Horizonte, Yaku Urku, lançou nesta segunda-feira (8) o álbum Realeza de Abya Yala, seu primeiro trabalho autoral. O disco reúne dez faixas que dialogam com a música andina, a ancestralidade indígena e temas como espiritualidade, identidade, território e resistência cultural.
Nascido em Salta, no norte da Argentina, e vivendo no Brasil desde 2018, Yaku Urku apresenta uma obra que conecta diferentes territórios da América Latina. O álbum parte do conceito de Abya Yala, denominação utilizada por diversos povos originários para se referir ao continente americano antes da colonização.
Realeza de Abya Yala valoriza culturas originárias
A proposta do disco é construir uma ponte entre tradições ancestrais e sonoridades contemporâneas. Para isso, Yaku Urku incorpora ritmos tradicionais como huayno, tinkus, carnavalito e cumbia, além de referências acumuladas durante suas viagens por países latino-americanos.
Segundo o artista, a obra nasce da relação entre memória, território e futuro.
“A minha musicalidade é do povo e para o povo, vem do coração pulsante de Abya Yala, do mato e da periferia. O álbum é uma travessia entre memória, território e futuro, tecendo uma ponte entre o ancestral e o contemporâneo”, afirma.
Um dos diferenciais do trabalho está na utilização de três idiomas — quéchua, espanhol e português. A escolha reflete a própria trajetória do músico, que une suas raízes indígenas, sua origem argentina e a vivência construída no Brasil.
Faixas abordam natureza, amor e resistência
Ao longo do álbum, as músicas exploram diferentes dimensões da experiência humana e coletiva. A faixa-título, “Realeza de Abya Yala”, apresenta o conceito do bem viver e propõe uma reflexão sobre as estruturas herdadas do período colonial.
Já “Mãe Terra Mãe Primeira” homenageia a Pacha Mama e os saberes ancestrais. Em “Território Indígena”, o tom é mais político, abordando a luta dos povos originários e a defesa de seus territórios.
Canções como “Amor Originário”, “Olhar de Onça” e “Cobra do Vulcão” aproximam espiritualidade e afetividade, enquanto “Venas Abiertas de Abya Yala” e “Semillas de Cura” ampliam a discussão sobre memória coletiva, cura e resistência cultural.
Turnê de lançamento passa por Brasil, Argentina e Colômbia
Para apresentar o novo trabalho ao público, Yaku Urku já anunciou uma série de apresentações internacionais.
A agenda inclui show no dia 25 de julho, na Casa Tucum, no Rio de Janeiro. Em seguida, o artista se apresenta na Reserva Pataxó Jaqueira, em Porto Seguro (BA), no dia 30 de julho.
A turnê também passará por Salta, na Argentina, em 22 de agosto, e por Cali, na Colômbia, em 3 de setembro.
Mais do que um lançamento musical, Realeza de Abya Yala se apresenta como um manifesto artístico que reafirma a presença das culturas originárias na contemporaneidade, propondo novos olhares sobre identidade, pertencimento e relação com a natureza.
