Livro aborda vítimas esquecidas do nazismo no Brasil
O livro “As vítimas esquecidas em Tempos de Intolerância: o Nazismo”, de Silvia Lerner, amplia o debate sobre o Holocausto ao revelar perseguições pouco abordadas pela historiografia tradicional. A obra já lançada é a primeira publicação brasileira dedicada exclusivamente às minorias não judaicas perseguidas pelo regime nazista.
Livro sobre vítimas esquecidas do nazismo amplia a memória histórica
Além dos judeus, o nazismo perseguiu diversos grupos considerados “indesejáveis”. Pessoas com nanismo, ciganos, deficientes físicos e mentais, homossexuais, negros, comunistas, intelectuais, maçons e Testemunhas de Jeová foram alvos do regime.
Silvia Lerner contextualiza historicamente a ideologia racial nazista. Em seguida, organiza o livro em capítulos dedicados a cada minoria, em ordem alfabética. Assim, o leitor compreende a dimensão ampla da violência de Estado.
Segundo a autora, o projeto nasceu de uma inquietação pessoal. Durante uma visita ao Museu do Holocausto, em Jerusalém, uma pergunta da filha provocou o início da pesquisa. A ausência de respostas familiares também impulsionou a investigação.
Pesquisa histórica revela perseguições pouco estudadas
Um dos maiores desafios foi reunir material em português. Grande parte das fontes estava disponível apenas em inglês. Por isso, Silvia construiu ao longo de anos uma biblioteca própria sobre o tema.
Entre os relatos mais impactantes estão os experimentos médicos conduzidos por Josef Mengele, especialmente com gêmeos e pessoas com nanismo. A autora destaca a brutalidade dessas práticas, baseadas em uma falsa ciência racial.
Outro capítulo aborda a perseguição aos ciganos. Estima-se que metade da população cigana europeia tenha sido exterminada. O livro descreve experiências desumanas realizadas em campos como Dachau e Auschwitz.
Mulheres, crianças e resistência também ganham destaque
A obra dedica atenção especial às crianças, arrancadas de suas famílias. Silvia Lerner ressalta o impacto emocional desse tema, sobretudo por sua vivência familiar.
As mulheres também ocupam papel central. Elas foram responsáveis pela sobrevivência dos lares e participaram de ações de resistência. Esse tema dialoga com pesquisas anteriores da autora.
Além disso, o livro aborda o projeto Stolpersteine, conhecido como “pedras de tropeço”. Essas placas preservam a memória das vítimas nos locais onde viveram. Atualmente, existem mais de 105 mil no mundo.
Livro conecta obras anteriores da autora sobre intolerância
“As vítimas esquecidas em Tempos de Intolerância: o Nazismo” integra um conjunto de estudos sobre o Holocausto. As obras anteriores trataram da arte, da música e da resistência armada.
Segundo Silvia Lerner, todas as pesquisas dialogam com um eixo comum. A intolerância ao outro permanece como ameaça constante. Conhecer a História é essencial para evitar sua repetição.
Por fim, a autora espera que o livro provoque reflexão. Em tempos de intolerância crescente, a memória histórica torna-se uma ferramenta de conscientização e esperança.


