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<strong>Por que existe tanta desigualdade quando falamos de mulheres negras?</strong>

Por que existe tanta desigualdade quando falamos de mulheres negras?

*Por Daniela Benoit

Quando falamos de mulheres negras com mais de 40, do qual me incluo, temos que falar da desigualdade entre pessoas negras e brancas no Brasil, pelo recorte social de ser prejudicada nas condições de equidade e oportunidades.

Na desigualdade por gênero e raça, vai muito além de ganhar menos que o homem, mas de não ter grana para pagar uma faculdade cara, não ter tempo para investir em cursos, ter uma vida sem oportunidades por ser mãe solo, manter a casa, ter uma qualificação profissional mais tardia.

Nós trabalhamos mais, temos jornadas duplas e talvez até triplas, saímos do mercado de trabalho mais tarde, durante a aposentadoria ganhamos em menores proporções que os homens, sendo que exeiste mais mulheres negras idosas que não recebem nenhum tipo de aposentadoria e nem pensão. Isto reflete as condições em que todas elas estão no mercado brasileiro.

Por que existe tanta desigualdade quando falamos de mulheres negras?

A população negra está em desvantagem no mercado de trabalho, segundo pesquisas feitas pelo IBGE e pelo Dieese, os resultados apontam para a realidade do nosso país. O que é ainda mais gritante quando a ocupação diz respeito a cargos administrativos, gerenciais e cargos executivos. Hoje, as mulheres negras, com ensino superior concluído, necessitam de políticas que possibilitem suas oportunidades, pois apenas 0,4% estão em cargos executivos segundo o instituto ETHOS.

A parcela negra por sua vez se encontra proporcionalmente mais presente entre os assalariados sem carteira assinada – que conhecemos como subempregos -, ou que trabalham por conta própria – empreendedores por necessidade, principalmente se somarmos o número de homens negros. Dentre os não assalariados, inseridos em posições de maior prestígio, status e ganhos-empregadoras, há proporcionalmente menos mulheres.

Mulheres negras possuem uma jornada onde há a necessidade de conciliar filhos, casa, trabalho, família, tudo junto e sem a oportunidade de uma melhora de questões financeiras pela falta de oportunidade de realizar cursos de pós-graduação, networking, viagens, entre outros.

Esta mulher não tem espaço na sua agenda para sonhar com algo maior devido a falta de oportunidades decorrente da sua origem. É comum ouvir que quem é determinado sempre alcança algo, que a “meritocracia” é mais importante, mas para uma mulher negra que já vem de uma comunidade, já cresceu sabendo que suas oportunidades estão restritas, sair dessa bolha e ter uma carreira de sucesso é muito distante, quando acontece é tardiamente, já no início da velhice.

Hoje, temos organizações não governamentais, movimentos sociais e alguns setores da sociedade que têm realizado um esforço conjunto para discutir as ferramentas primordiais para a erradicação dos males do racismo e da valorização da mulher negra e seu espaço no mercado de trabalho, porém temos um longo caminho a ser percorrido e conquistado para que esta mulher possa ocupar com naturalidade o espaço de governança em grandes empresas do mercado.

Podemos perceber então, que a questão racial debatida no interior do movimento de mulheres negras, não deixou de provocar nas organizações a necessidade de assumir para si um posicionamento acerca dos males provocados pelo preconceito, pela discriminação e pelo racismo presentes na sociedade brasileira.

O que vemos é mais iniciativas em projetos que valorizam a mulher negra colocando oportunidades para que as e empresas as busquem como profissionais qualificadas para cargos que em momentos atrás eram majoritariamente ocupados por homens.

O que não é destacado é o esgotamento da mulher negra pelo seu esforço extremo em conciliar tudo sem ter a oportunidade de olhar para sim, como ser humano.

*Daniela Benoit – é mulher negra e mãe de duas meninas. Publicitária, passou por grandes agências como Havas, Isobar e DDB, head de vendas em empresas de mídia e atualmente é sócia da Alma 360, agência de marketing de influência digital.

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