Entrevista: Rosana Decleva, psicóloga, treinadora comportamental e palestrante

Rosana Decleva lança o livro A chave para uma vida sem limites no dia 10 de abril, pela Editora Gente.
A obra é uma reflexão profunda sobre como nossas vivências familiares na infância refletem diretamente na nossa vida adulta, gerando crenças e comportamentos que não nos damos conta. Essa herança emocional pode carregar tanto atitudes positivas quanto negativas, por isso, na obra, Rosana convida o leitor a revisitar o passado de forma acolhedora e consciente para provocar mudanças significativas.
No livro, a psicóloga e treinadora comportamental Rosana Decleva compartilha toda sua sabedoria adquirida como terapeuta, além da experiência pessoal de superação de vida, após ter sofrido violência psicológica e doméstica na infância, e apresenta um método poderoso e prático que o ajudará a identificar as raízes dos seus bloqueios emocionais, desconstruir crenças limitantes e acessar a sua essência mais autêntica. A mudança começa ao decidir que você merece ser livre para ser quem realmente é. E este livro é o primeiro passo dessa jornada!
Um chamado para questionar as verdades, acessar emoções mais profundas e trilhar o caminho da cura emocional!
1. O que inspirou você a escrever “A chave para uma vida sem limites”? Qual foi a principal motivação por trás da obra?
A Chave para uma Vida Sem Limites veio da minha própria jornada de autoconhecimento e superação. Como psicóloga, eu percebi que as pessoas precisam se libertarem de crenças limitantes e padrões de comportamento assim como me libertei. Atendi muitas pessoas que tinham tudo mais ainda assim se sentiam tristes, ou pessoas que gostariam de se desenvolver mais carregavam certos comportamentos que não a levavam ao objetivo desejado.
2. Você menciona no livro que cresceu em um ambiente familiar desafiador, com violência psicológica e doméstica. Como isso moldou a sua visão sobre a importância do autoconhecimento e da superação pessoal?
Essas experiências impactaram profundamente minha vida, moldando minha visão. Durante muito tempo, não compreendia por que certos padrões se repetiam em minha vida. Inicialmente, acreditava que tinha que apenas aceitar e se adaptar às circunstâncias era a única opção. No entanto, ao longo da minha jornada de busca por respostas, percebi que a transformação verdadeira começa de dentro para fora. O autoconhecimento foi a chave que me permitiu entender como minhas experiências de infância influenciavam minhas crenças, comportamentos e escolhas.
3. A jornada de autoconhecimento é algo que você experimentou intensamente. Como foi esse processo para você, tanto no aspecto emocional quanto no prático? Quais foram os maiores desafios que você enfrentou nesse caminho?
Durante muitos anos, me senti perdida, presa a padrões de comportamento que não compreendia, e que pareciam se repetir em minha vida de forma inconsciente, eu não entendia. Tive vários desafios nessa jornada, mais acredito que o maior desafio foi perdoar o meu pai e perceber que por mais que ele tivesse me magoado esse peso quem carregava era eu. Eu precisei confrontar medos, rever padrões familiares, praticar o perdão (inclusive a mim mesma) e desenvolver novas formas de lidar com minhas emoções e relacionamentos.
4. O método apresentado no livro inclui quatro passos fundamentais. Você poderia nos contar um pouco mais sobre cada um desses passos e como eles podem transformar a vida de quem o segue?
1. Consciência de quem somos hoje
Esse primeiro passo é voltado para o autoconhecimento e a tomada de consciência sobre quem somos no presente. Isso inclui a identificação de padrões de comportamento automáticos, crenças limitantes e hábitos inconscientes que foram herdados da família e da sociedade. Para que a transformação aconteça, é necessário observar-se com honestidade e compreender como as experiências do passado moldaram a forma como pensamos, sentimos e agimos hoje.
2. A Transferência – quando vemos no outro algo que é nosso
Aqui, trago o conceito de projeção psicológica, onde muitas vezes enxergamos em outras pessoas aspectos que, na verdade, pertencem a nós mesmos. Esse passo ensina a identificar e trabalhar as projeções, reconhecendo que o que nos incomoda ou admiramos nos outros pode ser um reflexo de algo interno. Ao tomar consciência disso, podemos usar essas percepções para nosso crescimento pessoal e para a desconstrução de crenças limitantes que chamo de gravados.
3. Lei da atração e desconstrução de padrões e reprogramação
Após tomar consciência de quem é (passo 1) e entender como projeta seus gravados nos outros (passo 2), chega o momento de reestruturar a identidade e direcionar a vida para aquilo que realmente se deseja. Essa etapa envolve:
. Identificar e ressignificar crenças limitantes – O primeiro passo dessa fase é entender como as crenças internas afetam a forma como nos relacionamos com o mundo e como podemos mudá-las.
. Utilizar técnicas para reprogramação mental – Aqui entram práticas como visualização criativa, afirmações positivas e mudanças no diálogo interno.
. Aplicar a Lei da Atração de forma prática – Ensino no livro que ao alinhar pensamentos, emoções e ações, é possível atrair situações e oportunidades compatíveis com essa nova energia.
4. O Novo Eu – a consolidação da transformação
O último passo, “O Novo Eu”, é onde ocorre a consolidação da transformação. Aqui, enfatizo a importância de fortalecer essa nova identidade e de sustentar as mudanças conquistadas ao longo do processo. Isso inclui:
. Incorporar os novos hábitos e padrões de pensamento no dia a dia
. Praticar a autenticidade, vivendo alinhado com sua essência
. Criar um ambiente emocional e físico que apoie essa nova fase
. Celebrar as pequenas e grandes conquistas
Essa etapa também envolve a integração de tudo o que foi aprendido, garantindo que as mudanças não sejam passageiras, mas sim um novo estilo de vida. O “Novo Eu” é, uma versão mais consciente, fortalecida e livre do peso do passado, capaz de viver de forma plena e alinhada com seus verdadeiros desejos.
5. Você fala sobre como os padrões familiares influenciam as nossas escolhas na vida adulta. Como podemos começar a identificar esses padrões e o que fazer para rompê-los?
Para reconhecer os padrões herdados da família, precisamos refletir e práticas:
1. Observar padrões recorrentes na própria vida
Como você lida com relacionamentos, dinheiro, trabalho e autoestima?
Você percebe que repete comportamentos ou enfrenta os mesmos desafios que seus pais?
2. Analisar crenças transmitidas pela família
Quais frases você ouviu com frequência na infância? (“Dinheiro é difícil de ganhar”, “Relacionamentos sempre acabam em sofrimento”, “Você precisa ser forte e não demonstrar emoções” etc.)
Essas crenças ainda fazem sentido para você ou estão limitando sua vida?
3. Reconhecer comportamentos automáticos
Você já percebeu que às vezes age exatamente como seus pais ou cuidadores agiriam?
4. Observar as emoções ligadas ao passado
Há lembranças da infância que despertam sentimentos intensos, como raiva, medo ou tristeza?
Esses sentimentos influenciam suas decisões atuais?
5. Como romper com padrões limitantes?
. Tomar consciência – O primeiro passo para a mudança é reconhecer os padrões e compreender sua origem. Só assim será possível transformá-los.
. Questionar as crenças limitantes – Pergunte-se: essa crença é realmente verdade? Ou é apenas algo que aprendi e nunca questionei?
. Praticar a ressignificação – Em vez de ver sua história apenas como um fardo, tente enxergar o aprendizado por trás das experiências e transformar a dor em crescimento.
. Criar novos hábitos e pensamentos – Substitua padrões destrutivos por novas formas de agir. Se aprendeu que “dinheiro é escasso”, comece a trabalhar uma nova mentalidade sobre prosperidade e abundância.
. Praticar o perdão – Perdoar a família (e a si mesmo) não significa justificar atitudes erradas, mas sim libertar-se emocionalmente do peso do passado.
. Agir de forma diferente – A mudança acontece na prática. Se percebe que repete um padrão familiar negativo, experimente agir de maneira oposta e veja os resultados.
Ao seguir essas etapas, é possível se libertar de condicionamentos antigos e viver com mais autenticidade, tomando decisões alinhadas com sua verdadeira essência, e não apenas com o que foi herdado da família .
6. Em seu livro, você destaca a importância do perdão, especialmente em relação aos pais. Como o perdão pode ser o primeiro passo para a liberdade emocional e a mudança de vida?
Por que o perdão é essencial para a mudança de vida?
1. Libertação do passado
• Muitas pessoas permanecem presas emocionalmente a traumas e ressentimentos por não conseguirem perdoar.
• O perdão permite que essa energia estagnada seja liberada, abrindo espaço para novas experiências.
2. Romper ciclos de dor
• Sem perceber, tendemos a repetir padrões familiares inconscientes.
• Quando perdoamos, damos um passo para quebrar esses ciclos e evitar que padrões negativos se perpetuem em nossas vidas e relações.
3. Desenvolvimento de autocompaixão
• O perdão nos ensina a olhar para nossa história com mais compreensão, aceitando que todos – inclusive nossos pais – têm limitações e falhas.
• Esse processo ajuda a aliviar a culpa e a criar um novo caminho de amor-próprio.
4. Reconstrução da identidade e da autoestima
• Guardar ressentimento mantém a pessoa conectada ao papel de vítima.
• Quando perdoamos, assumimos o protagonismo da nossa história, fortalecendo nossa autoestima e empoderamento.
Como começar o processo de perdão?
. Reconheça sua dor sem negá-la
. Reflita sobre a história dos seus pais
. Escreva uma carta de perdão (mesmo que não a entregue)
. Visualize-se soltando esse peso
. Pratique afirmações e autoconhecimento
• Frases como “Eu me liberto do passado e escolho a paz” ou “Eu sou livre para viver plenamente” ajudam a reprogramar a mente para a nova realidade.
O perdão não é apenas um ato de generosidade com o outro, mas um presente para si mesmo. Quando perdoamos, nos libertamos do peso do passado e ganhamos espaço para criar uma nova vida, mais leve e autêntica dentro de nós, e o perdão é um dos passos mais poderosos para essa mudança .
7. Um dos conceitos que você aborda é a Lei da Atração. Como ela se encaixa no processo de autoconhecimento e na construção de uma vida mais autêntica?
A Lei da Atração é baseada no princípio de que aquilo em que focamos nossa atenção cresce. ,Ao reprogramarmos a mente nos concentraremos em possibilidades positivas e no que se desejamos alcançar, é possível criar uma nova realidade. Esse processo envolve três pilares principais:
1. Clareza sobre o que se deseja manifestar – Em vez de focar no que não quer, o leitor é incentivado a visualizar e sentir exatamente como gostaria que sua vida fosse.
2. Mudança de pensamentos e emoções – O livro propõe exercícios para substituir pensamentos negativos por positivos e alinhar as emoções com a realidade que se deseja criar.
3. Ação alinhada ao desejo – Diferente da ideia de que basta desejar algo para que aconteça, reforçar que é fundamental tomar atitudes coerentes com seus objetivos.
8. Você fala sobre a importância de desprogramar a mente para sair de ciclos viciosos. Como alguém pode começar esse processo de desprogramação e o que é necessário para que seja eficaz?
Desprogramar a mente é um processo de libertação, no qual deixamos para trás aquilo que nos limita e criamos espaço para novas possibilidades. Ao mudar pensamentos e ações, transformamos nossa vida. Com os passos do livro, o poder da mudança está em nossas mãos, e a reprogramação mental é o caminho para uma vida sem limites
9. Quais são as técnicas mais eficazes para desconstruir crenças limitantes e comportamentos automáticos que aprendemos ao longo da vida?
Nem todo mundo aprende técnicas para desconstruir crenças limitantes.
Mais muitas pessoas se questionam:
Qual pensamento negativo me limita?
Essa crença veio de onde?
Essa crença é uma verdade absoluta ou apenas uma percepção?
10. Você menciona que o autoconhecimento foi uma grande chave para a sua transformação pessoal. O que você diria para alguém que está começando essa jornada, mas ainda não sabe por onde começar?
Comece com a autoconsciência: observe-se sem julgamento
• Preste atenção aos seus pensamentos, emoções e comportamentos diários.
• Pergunte-se:
• O que me motiva?
• O que me irrita ou me causa frustração?
• Quais padrões de comportamento percebo em minha vida?
• Não tente mudar nada de imediato, apenas observe. O primeiro passo é tomar consciência de si mesmo.
11. O livro combina ciência, espiritualidade e vivências pessoais. Como você equilibrar esses três elementos de forma que eles se complementem para o processo de cura e transformação do leitor?
A ciência, especialmente a Psicologia, Neurociência e Terapias Comportamentais, fornece a estrutura lógica para entender como funcionamos.
A espiritualidade no livro não está ligada a uma religião específica, mas sim à importância de acreditar em algo além de si mesmo.
Compartilhar minha própria jornada de superação, mostrando que passei por desafios emocionais e conseguiu transformar minha vida traz motivação e exemplo de ferramentas que usei comigo pra mudar a minha própria vida.
12. O seu trabalho tem impactado muitas pessoas ao redor do mundo. Como você enxerga a relação entre autoconhecimento e o desenvolvimento humano coletivo?
Quando uma pessoa se transforma internamente, ela impacta sua família, seu ambiente de trabalho, sua comunidade e, consequentemente, o mundo ao seu redor.
13. Por fim, quais são os maiores aprendizados que você espera que os leitores levem para suas vidas após a leitura de “A chave para uma vida sem limites”?
O autoconhecimento te da poder de escolha. É importante se questionar, pois muitas das barreiras que enfrentamos não são externas, mas mentais e emocionais. O perdão como chave para a liberdade emocional.Todo mundo tem a capacidade de criar sua própria realidade, basta querer. O ciclo do passado pode ser rompido! Pequenas ações geram grandes mudanças. E não se esqueçam esse caminho é uma trajetória.