Dia Nacional do Livro destaca desafios da alfabetização e da acessibilidade

O Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro, chama atenção para os desafios da alfabetização, da formação de leitores e do acesso à literatura no Brasil. Dados citados em levantamento do IBGE e na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostram que dificuldades de leitura e escrita ainda afetam milhões de pessoas e limitam o acesso à informação e aos direitos.

Segundo o Módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de analfabetismo absoluto no país ficou em 4,9% em 2025. Apesar da redução, cerca de 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabem ler e escrever, conforme os dados apresentados no material divulgado.

As desigualdades também aparecem nos recortes etários e raciais. Entre pessoas com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre pretos ou pardos é de 20,6%, enquanto entre brancos chega a 7,3%. A diferença evidencia a persistência de disparidades no acesso à educação.

Analfabetismo funcional limita a compreensão de textos

Além do analfabetismo absoluto, o Brasil enfrenta dificuldades relacionadas à compreensão e ao uso de informações escritas. De acordo com os números citados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2024, 53% da população foi classificada como não leitora. O material também aponta que cerca de 29% dos brasileiros enfrentam o analfabetismo funcional.

Esse quadro envolve pessoas que, mesmo sabendo ler e escrever palavras ou frases, podem ter dificuldade para interpretar textos e utilizar informações em situações cotidianas. A limitação afeta atividades como compreender orientações, avaliar informações e exercer plenamente a participação social.

Nesse cenário, o acesso aos livros e o incentivo à leitura fazem parte do debate sobre educação, cidadania e redução das desigualdades. A formação de leitores depende não apenas da disponibilidade de obras, mas também de condições que permitam à população desenvolver e manter suas habilidades de leitura.

Acessibilidade amplia o acesso à literatura

As barreiras são ainda maiores para pessoas com deficiência quando livros e materiais didáticos não estão disponíveis em formatos acessíveis. Obras em Braille, audiolivros, textos com fontes ampliadas e conteúdos em Linguagem Simples são algumas das alternativas que podem ampliar o acesso à informação.

A ausência desses recursos pode dificultar a autonomia de pessoas com deficiência em diferentes etapas da vida, incluindo a educação básica, o ensino superior e a participação no mercado de trabalho. Por isso, a acessibilidade editorial integra as discussões sobre igualdade de oportunidades e inclusão social.

Para o defensor público federal André Naves, especialista em direitos humanos, economia política e inclusão social, a leitura deve ser tratada como um instrumento de cidadania, e não apenas como entretenimento.

“A leitura não é mero entretenimento ou privilégio acadêmico; é uma ferramenta indispensável de emancipação humana e cidadania. Quando privamos uma parcela expressiva da população do letramento adequado e do acesso a livros em formatos acessíveis, estamos alimentando um ciclo de exclusão que trava o potencial produtivo e criativo do nosso país”, afirma.

Políticas públicas podem fortalecer a formação de leitores

Naves também defende que a democratização do acesso aos livros faça parte das políticas públicas e das estratégias de inclusão digital. Entre as medidas que destaca estão o investimento em bibliotecas comunitárias, a produção de materiais didáticos acessíveis e o incentivo à literatura como ferramenta de transformação social.

“A verdadeira inclusão passa pela democratização do saber. Investir na infraestrutura de bibliotecas comunitárias, em material didático acessível e na literatura como instrumento de transformação social é o único caminho para construir uma sociedade de fato justa, democrática e desenvolvida”, diz.

O Dia Nacional do Livro, portanto, também abre espaço para discutir as condições necessárias para que mais brasileiros tenham acesso à leitura. Além de ampliar o contato com a literatura, iniciativas de alfabetização e acessibilidade podem contribuir para reduzir barreiras educacionais e permitir uma participação mais ampla na vida social.

Saiba mais: informações sobre o trabalho de André Naves estão disponíveis no site oficial e no Instagram.