André That Hora lança EP “ZUADA” com influências do rock e da música afro-baiana

O músico baiano André That Hora lança o EP ZUADA em 3 de novembro de 2026, com seis faixas que combinam nu metal, groove metal, rap, trap, pagodão e samba-reggae. Produzido de forma independente pela MPN Records, o trabalho discute o racismo cultural, a ancestralidade negra do rock e as desigualdades no reconhecimento de diferentes manifestações musicais.

O projeto parte de uma questão central: por que a guitarra distorcida costuma ser associada à rebeldia, enquanto o som dos paredões nas periferias é frequentemente tratado como perturbação? A partir desse contraste, André propõe uma reflexão sobre os critérios que definem quais expressões são reconhecidas como arte.

EP ZUADA conecta rock e ritmos afro-baianos

O novo trabalho dá continuidade à pesquisa musical desenvolvida pelo artista nos projetos XX7 (2021), Traprock (2023) e Rockerz (2024). Em ZUADA, ele reúne referências do rock e do metal com sonoridades presentes na cultura musical de Salvador.

Entre as influências citadas estão Sepultura, Rage Against the Machine, Nação Zumbi e BaianaSystem. O repertório também considera a contribuição de artistas negros como Sister Rosetta Tharpe, Chuck Berry e Little Richard para a formação histórica do rock.

Segundo André, a proposta não é reivindicar a chegada do gênero à Bahia, mas explorar possibilidades criativas a partir de tradições musicais já existentes. O artista busca aproximar guitarras distorcidas, tambores, pagodão, samba-reggae e rap sem estabelecer hierarquias entre essas linguagens.

Faixas abordam desigualdade e violência policial

As seis músicas de ZUADA abordam temas como desigualdade social, violência policial, manipulação midiática, memória e autonomia. O repertório também estabelece conexões com a produção musical baiana.

A faixa “Acerto de Contas” revisita uma composição da banda Sangria. Já “Quebrando as Coisas” conta com a participação da cantora UNA e combina rap e nu metal com elementos do pagodão.

O título do EP funciona como uma provocação sobre a forma como diferentes manifestações sonoras são percebidas socialmente. A discussão envolve não apenas a música, mas também as desigualdades que influenciam a legitimidade atribuída às expressões culturais negras e periféricas.

Audição de pré-lançamento acontece em Salvador

Antes da chegada do EP às plataformas digitais, o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia), localizado no bairro da Graça, em Salvador, recebe uma audição para convidados em 1º de novembro, das 16h às 18h.

A atividade terá escuta comentada e um paredão integrado à cenografia. A proposta leva ao ambiente do museu uma aparelhagem associada às ruas e às festas populares, ampliando o debate sobre o direito à cidade e os espaços destinados às manifestações culturais.

Produção independente reúne música e cultura visual

André That Hora e Raonir Braz assinam a direção musical de ZUADA. A direção de arte fica a cargo de Sista Katia e André, enquanto Rafael, da marca Rolé 89, responde pela identidade visual. Pyedra Barbosa assina a produção executiva e a gestão do projeto.

A pesquisa visual incorpora referências dos zines e da cultura punk, conectando a apresentação estética do EP às discussões propostas pelo trabalho.

Artista, comunicador social, pesquisador, compositor e produtor musical, André iniciou sua trajetória no hip-hop e integrou a BTB Music, coletivo ligado aos primeiros movimentos do trap no Brasil. Nascido em Salvador, construiu uma identidade musical que transita entre rap, trap, hardcore, nu metal, reggae e musicalidades afro-baianas.

Serviço

EP: ZUADA, de André That Hora
Lançamento: 3 de novembro de 2026
Produção: MPN Records
Audição de pré-lançamento: 1º de novembro, das 16h às 18h
Local: Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia)
Endereço: Rua da Graça, 284, Graça, Salvador (BA)
Instagram: @andrethathora