A influenciadora brasileira Suellen Carey, de 38 anos, criticou a postura da criadora de conteúdo Malévola Alves durante uma viagem ao Egito. A manifestação ocorreu após Malévola e uma amiga serem detidas em Alexandria, em 20 de outubro, por causa de vídeos que, segundo as autoridades egípcias, continham supostos gestos obscenos, insinuações sexuais e assédio.
Moradora de Londres e participante do reality culinário romeno Chefi la cuțite, Suellen defendeu que viajantes conheçam as leis e os costumes dos destinos antes de produzir conteúdo em espaços públicos. Ao mesmo tempo, ressaltou que discordar da conduta de alguém não significa apoiar uma prisão ou aceitar desrespeito contra pessoas trans.
“Não é tudo por conteúdo. Fazer gestos de conotação sexual na rua não pode ser tratado como se o contexto ao redor não existisse”, afirmou a influenciadora.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, a defesa de Malévola acompanha a situação em contato com a Embaixada do Brasil no Cairo.
Suellen Carey comenta limites da produção de conteúdo no exterior
Para Suellen, a criação de vídeos durante viagens exige atenção às normas locais e às diferenças culturais. A influenciadora citou sua experiência profissional na Romênia para explicar que trabalhar diante das câmeras em outro país também envolve compreender o contexto em que se está inserido.
“Você não pode chegar a outro país achando que tudo funciona como no Brasil. Precisa conhecer as leis, a influência da religião nos costumes e as regras de comportamento em público”, declarou.
Ela também destacou que países com características culturais semelhantes não devem ser tratados como se tivessem regras idênticas. Por isso, considera importante pesquisar as particularidades de cada destino antes do embarque.
A participação de Suellen no Chefi la cuțite foi exibida em novembro de 2025. A experiência levou a brasileira a trabalhar em um ambiente televisivo fora do Reino Unido, onde vive atualmente.
Influenciadora diferencia crítica à conduta de apoio à prisão
Ao comentar o episódio envolvendo Malévola Alves, Suellen separou sua crítica aos vídeos de qualquer apoio à detenção. Para ela, questionar comportamentos em espaços públicos não significa defender medidas contra a liberdade individual ou tolerar discriminação.
“Discordar da postura dela não significa concordar com uma prisão ou aceitar que alguém seja desrespeitado por ser trans”, afirmou.
O posicionamento ocorre em meio à repercussão do caso nas redes sociais. A detenção foi atribuída pelas autoridades egípcias a conteúdos que estariam relacionados a gestos obscenos, insinuações sexuais e assédio. A defesa acompanha o caso junto à representação diplomática brasileira.
A situação também evidencia os desafios enfrentados por viajantes LGBTQIA+ em diferentes países. As normas legais e as condições de proteção variam de acordo com o destino, o que torna necessário consultar informações atualizadas antes de viajar.
Suellen Carey relata preocupação com segurança de pessoas trans
Suellen vive no Reino Unido desde 2025, onde está na condição de refugiada. Ela deixou o Brasil em 2015, após relatar perseguição e violência por ser uma mulher trans.
Ao relacionar sua trajetória às decisões de viagem, a influenciadora afirmou que a segurança é um fator determinante na escolha dos destinos. Segundo ela, conhecer as condições de proteção e os canais de assistência disponíveis faz parte do planejamento.
“Eu saí do Brasil porque tinha medo de continuar vivendo ali. Sei o peso de depender de outro país para estar protegida. Por isso, antes de viajar, quero saber como vou ser tratada e a quem posso recorrer”, declarou.
A brasileira também mencionou que sua experiência pessoal interfere na maneira como avalia a possibilidade de conhecer outros países. Para ela, a escolha de um destino não envolve apenas o interesse turístico, mas também a avaliação dos riscos e das condições de segurança.
Reality na Romênia marcou trajetória internacional
A participação de Suellen no Chefi la cuțite, programa culinário exibido na Romênia, ampliou sua experiência diante das câmeras em outro contexto cultural. A influenciadora usa essa vivência para defender que profissionais e criadores de conteúdo considerem as diferenças entre os países onde trabalham.
Suellen também mencionou o Rainbow Map 2026, levantamento da organização ILGA-Europe que compara leis e políticas relacionadas aos direitos LGBTQIA+ na Europa. A Romênia aparece na última posição entre os países da União Europeia no ranking.
A discussão sobre a viagem de Malévola ao Egito reúne questões relacionadas à produção de conteúdo, ao respeito às normas locais e à segurança de pessoas trans. Suellen defende que esses aspectos sejam considerados separadamente, sem transformar a crítica a uma conduta em justificativa para discriminação ou para presumir que uma detenção seja legítima.
