Oficina gratuita capacita artesãs em estamparia e upcycling

Uma oficina gratuita de estamparia e upcycling realizada pelo Ateliê 11, em parceria com o programa Mãos e Mentes Paulistanas, oferece novas possibilidades de criação e geração de renda para artesãs de São Paulo. A formação reúne 25 participantes no Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (CATe Central) e combina técnicas artísticas com conhecimentos de empreendedorismo.

Iniciada em 29 de setembro, a atividade tem encerramento previsto para 10 de novembro, seguido de duas aulas voltadas à gestão dos negócios. A proposta é ajudar mulheres que já trabalham com atividades manuais a diversificar seus produtos, conquistar clientes e agregar valor às próprias criações.

O projeto chegou à capital depois de realizar oficinas em três cidades do interior paulista. Na turma do Mãos e Mentes Paulistanas, as participantes já atuam em áreas como costura, crochê, bordado e pintura. Com a estamparia, elas podem incorporar novos recursos ao trabalho que desenvolvem.

Estamparia e upcycling ampliam oportunidades para artesãs

A formação combina técnicas de estêncil, pintura, produção de moldes, corte e acabamento. O estêncil permite reproduzir desenhos e padrões em diferentes superfícies, como roupas, tecidos, acessórios e objetos decorativos.

A estilista Sandra Pena Gonçalves, proprietária da Pena Atelier, já conseguiu aplicar o aprendizado em uma peça apresentada em um desfile de moda. Ela utilizou a técnica para estampar uma bermuda masculina e recebeu comentários positivos do público.

Sandra trabalha há quatro anos com costura e há dois anos e meio com upcycling, prática que transforma peças usadas em novos produtos. Seu negócio inclui roupas jeans, brincos e customização de calçados, comercializados por indicação de clientes e em feiras.

A participação na oficina surgiu como uma oportunidade de ampliar suas possibilidades criativas. Segundo Sandra, a experiência permitiu incorporar uma nova técnica ao trabalho antes mesmo do término do curso.

Outra participante, Juliana Sintra, pretende utilizar a estamparia para diversificar os produtos da Concrecriar, empresa criada em 2024. Ela produz objetos decorativos de concreto e comercializa as peças em feiras e espaços de venda, incluindo shoppings.

A artesã vê na combinação entre concreto e estamparia uma oportunidade de diferenciação. A proposta é explorar novas possibilidades visuais e desenvolver produtos personalizados para o público consumidor.

Artesanato movimenta R$ 100 bilhões por ano no Brasil

A qualificação profissional acompanha a importância econômica do artesanato brasileiro. Estimativas divulgadas pelo Sebrae indicam que o setor movimenta aproximadamente R$ 100 bilhões por ano no país, o equivalente a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

As mulheres representam mais de 77% dos artesãos profissionais cadastrados no Brasil, segundo dados citados pelo Sebrae. Nesse cenário, iniciativas que associam formação técnica e empreendedorismo podem contribuir para ampliar as oportunidades de trabalho e a autonomia financeira das profissionais.

Criado em 2019 pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, o programa Mãos e Mentes Paulistanas busca fortalecer o setor de artesanato e manualidades na capital paulista.

Além das capacitações, a iniciativa oferece oportunidades de comercialização. Os participantes podem concorrer a espaços em feiras, eventos, lojas e quiosques vinculados ao programa, instalados em centros comerciais e shoppings da cidade.

Dessa maneira, a formação pode conectar o aprendizado técnico a oportunidades de divulgação e venda. Para quem já possui um negócio, diversificar o catálogo pode representar uma alternativa para alcançar novos consumidores.

Upcycling estimula reaproveitamento de materiais

O reaproveitamento de materiais é um dos eixos da oficina do Ateliê 11. Por meio do upcycling e dos princípios da economia circular, as participantes aprendem a transformar peças sem uso em produtos com novas funções e possibilidades de comercialização.

Uma roupa antiga, por exemplo, pode ganhar outra aparência com a aplicação de estampas e intervenções artísticas. O processo prolonga a vida útil do material e permite criar peças personalizadas.

O educador Eduardo Fugisse, que atua há cerca de cinco anos com oficinas de estamparia, explica que a técnica de estêncil pode ser aprendida por pessoas sem experiência prévia. Entretanto, o trabalho exige atenção, especialmente durante o recorte dos moldes com estilete.

Todos os materiais utilizados na formação são fornecidos gratuitamente. Assim, as participantes podem experimentar as técnicas sem precisar comprar insumos ou equipamentos para acompanhar as atividades.

Aulas de empreendedorismo complementam formação artística

Após as oficinas técnicas, o Ateliê 11 oferece duas aulas de empreendedorismo. Os encontros também são abertos a pessoas que não participaram da formação em estamparia.

O conteúdo aborda aspectos necessários à organização de um negócio, como planejamento da produção, formação de preços, negociação, comercialização e relacionamento com clientes.

Para Ana Silvia Forgiarini, idealizadora do Ateliê 11 e responsável pela Frida! Produtora Cultural, a combinação entre aprendizado artístico e gestão ajuda a transformar habilidades manuais em oportunidades econômicas.

O projeto conta com patrocínio exclusivo do Grupo Cury. Segundo Leonardo Mesquita, copresidente executivo da empresa, a iniciativa associa qualificação profissional e arte para ampliar oportunidades de renda.

Ateliê 11 realizou oficinas em quatro cidades paulistas

Ao todo, o Ateliê 11 realizou cinco oficinas em quatro cidades do estado de São Paulo, capacitando aproximadamente 125 pessoas em mais de 220 horas de atividades. Além da capital, o projeto passou por Cerquilho, Lençóis Paulista e Nova Odessa.

Em São Paulo, foram organizadas duas formações com públicos diferentes. Além da turma do Mãos e Mentes Paulistanas, o projeto promoveu uma oficina no Centro de Referência LGBTI+ Brunna Valin, na região central da cidade.

Essa segunda atividade foi direcionada principalmente a mulheres cis e trans em situação de vulnerabilidade social. Nesse contexto, a formação busca apresentar conhecimentos que possam contribuir para a inserção profissional.

A iniciativa é viabilizada pelo Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (PROMAC), realizada pela Frida! Produtora Cultural e patrocinada exclusivamente pelo Grupo Cury. O projeto reúne formação artística, reaproveitamento de materiais e empreendedorismo como caminhos para ampliar as possibilidades de trabalho no artesanato.