Venda de livros cresce 11,2% no Brasil, mas diversidade cai

O mercado editorial brasileiro registrou aumento nas vendas de livros em 2026, mas a variedade de títulos comercializados diminuiu. Dados do Painel do Varejo de Livros no Brasil apontam que o setor faturou R$ 2,13 bilhões no acumulado do ano até o início de agosto, alta de 11,2% em relação ao período comparável.

O levantamento, realizado pela NielsenIQ BookScan e divulgado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), também contabilizou 40,1 milhões de exemplares vendidos, crescimento de 7,9%. Por outro lado, a bibliodiversidade recuou 4,4%, após uma queda de 17,7% em 2025.

O cenário chama a atenção para a concentração das vendas em um número menor de títulos. Nesse contexto, a editora independente AME Letras afirma ter ampliado a quantidade de autoras com lançamentos no último semestre, com foco em obras de temas especializados.

Mercado editorial registra queda na bibliodiversidade

A bibliodiversidade considera a variedade de títulos diferentes vendidos no mercado. A redução do indicador pode apontar para uma concentração das compras em menos obras, mesmo diante do crescimento do faturamento e do volume de exemplares comercializados.

Para Andrea Jaguaribe, fundadora da AME Letras, esse cenário dificulta a circulação de livros sobre assuntos específicos, especialmente aqueles escritos por profissionais que atuam diretamente nas áreas abordadas.

Segundo Andrea, muitos especialistas possuem conhecimento e conteúdo para publicar, mas não sabem como transformar suas pesquisas e experiências em livros. A editora trabalha justamente nesse processo, acompanhando autores desde o desenvolvimento do original até a produção e a divulgação.

Mulheres ampliam participação no consumo de livros

As mulheres representam 61% dos consumidores de livros no Brasil e 62% das pessoas que compraram mais de dez títulos no período analisado. Os dados são do Panorama do Consumo de Livros, elaborado pela Nielsen BookData para a Câmara Brasileira do Livro (CBL).

O mesmo levantamento indica que a penetração do consumo de livros entre as mulheres passou de 17% para 21% entre 2024 e 2025. Nesse último ano, o mercado também recebeu cerca de 3 milhões de novos compradores.

Na AME Letras, a quantidade de autoras com lançamentos dobrou no semestre, de acordo com a editora. Os livros publicados abordam temas como direito, saúde, longevidade e relações de trabalho.

Andrea explica que o trabalho editorial inclui ajudar as autoras a estruturar o conteúdo sem descaracterizar suas formas de expressão.

Livros abordam direito ao trabalho na velhice

Entre os lançamentos está Perspectivas do Direito Fundamental ao Trabalho das Pessoas Idosas no Século XXI, de Dayana Magalhães. A obra discute o direito de pessoas idosas permanecerem no mercado de trabalho, tema pesquisado pela autora na área jurídica.

Dayana busca ampliar o debate para além do meio acadêmico e jurídico, especialmente diante do envelhecimento da população. A autora apresentou o livro na Bienal do Livro de São Paulo, no espaço Escreva, Garota!, onde a AME Letras levou seis autoras.

Outro lançamento citado é o da estrategista de comunicação Vera Martins, que publicou pela editora Entre Palavras uma obra baseada em reflexões desenvolvidas ao longo de mais de 20 anos de atuação em branding e relações corporativas.

Inteligência artificial pode aumentar a procura por especialistas

Andrea Jaguaribe também avalia que a expansão da inteligência artificial pode levar leitores a prestar mais atenção à autoria e à experiência de quem escreve.

Na visão da editora, a facilidade de gerar textos com ferramentas digitais pode ampliar o interesse por livros assinados por profissionais com conhecimento comprovado sobre os temas abordados.

A AME Letras é uma editora independente fundada por Andrea Jaguaribe, formada em Letras e Direito e com experiência executiva no ambiente corporativo. A empresa acompanha autores em diferentes etapas da publicação, do desenvolvimento do original ao lançamento e à divulgação.