A cantora baiana Nara Couto lançou Travessia Vol. 1, seu terceiro álbum, com sete faixas e participações de artistas da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, além do brasileiro Tiganá Santana. O trabalho explora as conexões culturais entre a Bahia e países africanos de língua portuguesa, a partir das experiências e dos intercâmbios musicais construídos pela artista.
Produzido principalmente em Cabo Verde pelo músico angolano Ndu Carlos, o disco reúne composições próprias, parcerias e músicas de autores de diferentes países. A proposta é estabelecer diálogos entre heranças culturais, ritmos e histórias que conectam a música brasileira à África Lusófona.
Travessia Vol. 1 reúne artistas da Guiné-Bissau e de Cabo Verde
O álbum conta com participações de Mû Mbana, da Guiné-Bissau, e das cabo-verdianas Kady e Zidi Andrade. Tiganá Santana também participa do projeto, que reúne músicos ligados a diferentes trajetórias e referências culturais.
Nara Couto desenvolveu parte do trabalho a partir de viagens e relações construídas em países africanos de língua portuguesa. A cantora apresenta o disco como resultado desses encontros e da continuidade de uma pesquisa artística ligada às suas raízes.
“Fiz a travessia para lugares que quando cheguei eu já existia, porque têm lugares que a gente não conhece, a gente reconhece, e foi bem assim”, afirma a artista.
Ela explica que o projeto busca criar novas conexões entre histórias e canções. “Não é apenas atravessar o mar, é permitir que o encontro transforme o caminho e foi desse movimento que nasce Travessia”, completa.
Álbum tem composições de diferentes países
O repertório divulgado reúne músicas de Nara Couto e de parceiros como Mateus Aleluia, Sued Nunes, François Muleka, Rafael Mike e Lucas Ramaciotti. O disco também inclui composições de Zidi Andrade, Juca Delgado, Admir Lopes, conhecido como Mimito, e dos portugueses Ricardo Alves e Ricardo Quintas.
Entre as sete faixas apresentadas na lista de repertório estão “Laço Ancestral”, de Mateus Aleluia, com participação de Mû Mbana; “Promessa”, de Nara Couto e Sued Nunes, com Tiganá Santana; e “Djunto”, de Zidi Andrade, com a participação da própria compositora.
O álbum também inclui “Preta Portê”, “Mindjer Doce Mel”, “Si Ma Bô” e “Herança Sagrada”, esta última com participação de Kady.
A produção musical ficou principalmente a cargo de Ndu Carlos. Nara Couto e Otis Selimane produziram inicialmente três faixas no Brasil, que receberam contribuições instrumentais do produtor angolano. A mixagem e a masterização foram realizadas por Aquiles Jorge Freire Carvalho, e a distribuição digital ficou sob responsabilidade da Alta Fonte.
Nara Couto prepara segundo volume para 2027
Travessia Vol. 1 também abre caminho para uma continuação. O segundo volume está previsto para 2027 e deverá ampliar o percurso musical iniciado neste lançamento, mantendo o foco nas relações com a África Lusófona.
Cantora baiana residente em São Paulo, Nara Couto iniciou sua trajetória artística como bailarina do Balé Folclórico da Bahia. Mais tarde, integrou a Orquestra Afrosinfônica como uma das vocalistas antes de desenvolver sua carreira solo.
Em 2018, lançou o EP Contipurânia, que apresentou as músicas “Linda e Preta” e “Brilho do Mar”. Depois, lançou os álbuns Retinta e Ori, de 2024.
A pesquisa sobre as conexões entre a Bahia e os países africanos de língua portuguesa ocupa espaço central em seu trabalho. Com o novo disco, a artista dá continuidade a esse percurso por meio de composições e parcerias que atravessam fronteiras geográficas e culturais.
