“Caixa Baixa” chega em um momento de mudanças na sua carreira. O que você acredita que esse álbum revela sobre o GBZ7N que o público ainda não conhecia?
Revela minha versatilidade lírica de diferentes formas. Tem faixas de boombap, outras mais melódicas, tem funk e tem o GBZ7N em camadas que ainda não tinham sido vistas pelo público.
Sou muito ciumento com minhas rimas. Queria que o público escutasse todas as músicas prestando bastante atenção em cada linha, porque eu sempre tento contar algo. Nunca é uma música “vazia”.
O título do álbum dialoga com a ideia de jovens que precisam encontrar seus próprios caminhos enquanto amadurecem. Em que medida essa trajetória também representa a sua própria experiência?
Acho que definiram bem na pergunta. É isso. Eu me considero um “mlk caixa baixa”, porque sou um jovem sonhador no meio de toda essa indústria musical e artística, que vem amadurecendo com os aprendizados, barreiras, estrada, shows, problemas que surgem, falsas promessas, situações profissionais e coisas que acontecem nessa vida de artista.
A ideia do nome do álbum é passar essa impressão de ser um jovem sonhador no começo de uma grande estrada e, até por isso, o nome da primeira música é “Bicho Solto”, que é onde eu explico melhor sobre isso que falei também.
Você fala no release sobre inseguranças, obstáculos, fé e persistência. Houve alguma situação específica durante a produção do álbum que fez você perceber o quanto estava amadurecendo como artista?
A cada música eu amadureço mais. Todo artista fala que a melhor música é a próxima, porque a gente está sempre em constante evolução.
Eu quis colocar mais meu lado lírico nas faixas. Eu estava escutando muito algumas referências minhas, como Sabotage, muito BK’, “Vinil” do Racionais, as antigas do Ret e Cazuza.
E sinto que consegui fazer o que queria e que essas referências me atravessaram de certa forma para amadurecer e melhorar minha escrita.
Faixas como “Bicho Solto”, “Cheio de Marra” e “Dança Samba” apresentam lados diferentes da sua personalidade. Como você equilibrou o artista determinado a vencer com o Gabriel que vive experiências comuns da juventude?
São faixas que têm escritas diferentes, mas falam de dificuldades que podem ser diferentes e, ao mesmo tempo, únicas.
“Bicho Solto” fala de dificuldades sobre morar na favela, crescer sem pai, viver situações difíceis dentro de casa, conviver com o tráfico na porta de casa e saber se virar sozinho.
“Dança Samba” fala de uma personagem que tem traumas adolescentes e adultos, traumas amorosos, brigas com a família e precisa saber se virar sozinha.
“Cheio de Marra” fala sobre marra, ego, noite, festa, rua e curtição. É onde a gente vê esses traumas saindo do pensamento por um tempo.
Acho que as músicas, por mais que pareçam distantes umas das outras, ainda se coincidem.
Todas essas faixas representam o GBZ7N. O Gabriel, só quem conhece mesmo é minha família. Mas o Gabriel é o mesmo do GBZ.
Só que tem coisas que o Gabriel faria que o GBZ7N não faria. Por exemplo, o Gabriel é mais sensível emocionalmente, e o GBZ7N teve que aprender a ser forte. O GBZ7N nunca vai querer mostrar um lado vulnerável.
“Bicho Solto” traz o verso “eu tive que ser bicho solto pra andar no meio dos homens”. O que essa frase significa para você hoje, olhando para a sua trajetória desde a Cidade de Deus?
Mostra um jovem sonhador que aprendeu a ser forte, não desistir, ter mais fé e não se mostrar fraco no meio dos monstros dessa indústria.
Você é cria da Cidade de Deus e agora leva suas vivências para um palco como o do Rock in Rio. O que significa ocupar o Espaço Favela justamente com um trabalho tão ligado à sua história e às suas ambições?
Significa um começo grandioso pra um mlk que sempre pensou grande nesse nível.
Significa esperança pra mim e pros meus. É uma confirmação de que, se a gente trabalhar e tiver fé, a gente pode.
É a oportunidade que eu sempre quis. Eu sou apaixonado por shows e quero ter o melhor show possível. Acho que foi um bom começo.
Eu já trouxe um pouco do que eu quero trazer nas próximas apresentações futuramente. Claro, em uma proporção menor, mas já foi maravilhoso.
Como foi preparar o show do Rock in Rio e escolher as músicas que representariam sua trajetória para um público tão grande? Existe alguma música que ganhou um significado especial para essa apresentação?
As músicas foram fáceis, porque acabei de lançar “Caixa Baixa” e queria já cantar.
Uma música que já mexia muito comigo e foi a que mais mexeu no show foi “Sonhos”. É uma música difícil, o tom dela é difícil, e eu estava tendo que cantar com a Camille, que tem uma voz linda. Então foi difícil demais pra mim, mas o resultado foi maravilhoso.
L7NNON e TOKIODK participam de “Caixa Baixa”. O que você buscava acrescentar ao álbum ao dividir essas faixas com outros artistas da cena urbana?
Só tenho a agradecer esses dois irmãos que a vida me deu.
São pessoas que eu admiro muito e são artistas que combinam com a estética e a lírica que eu queria trazer.
Você afirma que quer que quem está correndo atrás de um sonho se sinta representado pelo álbum. Que mensagem gostaria que um jovem que está começando agora levasse de “Caixa Baixa”?
A ter persistência e aprender a ser homem rápido. E não no sentido masculino, se pá nem é a palavra certa. Acho que a palavra certa é maturidade.
Aprender a ser responsável, profissional e tratar como um trabalho CLT qualquer sonho, qualquer estudo. Porque, pra dar certo, tem que dar 1000% de sangue.
Além da música, você também integra o elenco da série “Os Donos do Jogo”, do Netflix. Como a experiência como ator tem influenciado sua maneira de se expressar e construir sua identidade artística?
Ser ator é o que me mantém vivo. Eu amo atuar, assim como amo fazer show. Só quero melhorar mais e mais.
Ser ator tem uma etiqueta maior, parece até mais glamouroso na minha visão. A roupa é diferente, tem que ser mais apresentável, tem que saber falar, ter conhecimento artístico e entender mais sobre diferentes assuntos. E eu quero trazer isso pro mundo do rap/trap. Acho que é uma coisa que pode agregar muito ao nosso mundo. Acho que isso me deixa mais profissional.
Música e audiovisual são linguagens diferentes, mas ambas trabalham com narrativa e interpretação. Você pretende aproximar cada vez mais essas duas áreas na sua carreira?
Sim, acabei de confirmar isso. Eu quero ser cantor e ator.
Atuar nos clipes e nos palcos, mas também cantar em novelas, filmes, séries e peças.
Depois de um álbum autoral, uma apresentação no Rock in Rio e uma participação em uma produção da Netflix, qual é o próximo desafio que o GBZ7N quer enfrentar? O que você ainda sente que precisa conquistar?
Preciso melhorar meus conhecimentos artísticos.
Acho que esse é o meu próximo desafio: ser melhor a cada mês, a cada ano.
