Gêmeas Dias e Trupe Cirandá apresentam “Ciranda” gratuitamente em São Paulo neste fim de semana. O espetáculo combina circo, música, dança e manifestações da cultura popular brasileira.
Nesta sexta-feira (2), a montagem será apresentada às 19h na Casa Cultural Querosene, no Morro do Querosene. Já no sábado (3), às 17h, o grupo estará na Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus.
A circulação termina em 25 de outubro, às 16h, na Casa Mestre Ananias, na Bela Vista. O projeto foi contemplado pelo Prêmio de Fomento ao Circo da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.
Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da Trupe Cirandá, a iniciativa busca aproximar a produção artística de diferentes territórios da capital paulista.
“Ciranda” une circo e cultura popular
Com cerca de 50 minutos, “Ciranda” utiliza a geometria do picadeiro como ponto de partida para abordar união, igualdade, continuidade e coletividade.
A roda aparece tanto na estrutura da encenação quanto nas referências culturais presentes no espetáculo. A montagem dialoga com ciranda, coco, jongo, capoeira, samba de roda, maracatu e frevo.
No palco, artistas combinam música ao vivo, dança e diferentes técnicas circenses. Entre elas estão roda Cyr, lira aérea, bambolê, corda lisa, tecido acrobático e pernas de pau.
A proposta também ganhou novos elementos durante o processo de reformulação. A direção artística é de Ronaldo Aguiar, enquanto Renato Macedo assina a direção musical e Alisson Lima responde pela coreografia.
De acordo com Nayara Dias, integrante da Trupe Cirandá, o apoio do programa de fomento permitiu aprofundar aspectos artísticos que estavam presentes desde a criação da obra.
O trabalho também envolveu pesquisas sobre a origem e os significados das manifestações culturais incorporadas à montagem.
Espetáculo amplia diálogo com comunidades
A escolha dos locais faz parte da proposta da circulação. A Trupe Cirandá buscou espaços comunitários em diferentes regiões de São Paulo.
O objetivo é levar o espetáculo para além de áreas tradicionalmente concentradas no circuito cultural da cidade. Além disso, o projeto aproxima a programação de comunidades relacionadas aos mestres convidados.
“A Ciranda dos Saberes” integra essa proposta. Após as apresentações, rodas de conversa promovem encontros entre mestres da cultura popular, artistas circenses e público.
Nesta sexta-feira, Elsa Wolf participa da atividade. No sábado, os convidados serão Vitor Trindade e Paola Musati.
No encerramento, em 25 de outubro, a programação terá Minhoca e Claudio Santos.
Programação gratuita inclui oficinas
A circulação também oferece oficinas de percussão conduzidas pelo músico Gedeão Soares. A atividade é voltada para participantes a partir de 12 anos.
Durante as oficinas, os participantes entram em contato com instrumentos e fundamentos rítmicos associados à cultura popular brasileira.
Além disso, todas as apresentações contam com intérprete de Libras integrada à cena. O recurso acompanha músicas e movimentos desenvolvidos durante o espetáculo.
A programação terá ainda uma exibição virtual disponibilizada posteriormente pelas redes sociais dos espaços parceiros. A iniciativa amplia o acesso ao conteúdo para quem não acompanhar as apresentações presencialmente.
Antes das apresentações em Morro do Querosene e Perus, a circulação passou pelo CEU Campo Limpo e pela Casa Capuêra Novo Mundo, no Parque Novo Mundo.
Gêmeas Dias têm 21 anos de trajetória
A Trupe Cirandá foi criada em 2024 pelas irmãs Nathália e Nayara Dias, conhecidas artisticamente como Gêmeas Dias.
As artistas completam 21 anos de trajetória e iniciaram os estudos como acrobatas aéreas em São Bernardo do Campo. Desde então, construíram trabalhos que atravessam circo, dança, teatro e música.
A dupla também teve experiências internacionais na Turquia e no Egito. No Brasil, participou de produções de companhias como Cia. Diálogos Acrobáticos, Parlapatões, Circo Vox e Universo Casuo.
Em 2022, as artistas interpretaram Uirapuru e Nhanderuvussu no espetáculo musical “Uirapuru”. A montagem integrou a programação do Rock in Rio daquele ano e teve direção artística de Kiko Caldas.
A Trupe Cirandá também passou por unidades do Sesc São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2025, o coletivo integrou o Circuito Sesc de Artes.
Em 2026, “Ciranda” também foi contemplado pelo Projeto Pulsar, do Sesc Rio de Janeiro.
Novo espetáculo está em pesquisa
Depois da circulação de “Ciranda”, a Trupe Cirandá já pesquisa possibilidades para um novo espetáculo previsto para 2027.
A proposta mantém a cultura popular como eixo, mas direciona a pesquisa para manifestações relacionadas ao litoral, às águas e aos seus imaginários.
Segundo Nayara Dias, o grupo pretende aprofundar a investigação sobre a ciranda em sua origem. Entre as possibilidades está uma pesquisa em Itamaracá, em Pernambuco.
Assim, a companhia mantém a pesquisa cultural como parte central de seu processo criativo. A nova etapa ainda está em desenvolvimento.
Serviço: “Ciranda” em São Paulo
2 de outubro, sexta-feira, às 19h
Casa Cultural Querosene — Morro do Querosene
Convidada: Elsa Wolf
3 de outubro, sábado, às 17h
Comunidade Cultural Quilombaque — Perus
Convidados: Vitor Trindade e Paola Musati
25 de outubro, domingo, às 16h
Casa Mestre Ananias — Bela Vista
Convidados: Minhoca e Claudio Santos
Entrada: gratuita
Duração: 50 minutos
Classificação: livre
