A independência financeira está entre os principais motivos que levam brasileiros a empreender, inclusive no setor de gastronomia. Segundo o estudo Empreendedorismo 2026, do Consumer Insights UOL, 45% dos empreendedores brasileiros apontam a autonomia financeira como uma das razões para abrir um negócio.
Na sequência, aparecem a geração de renda, citada por 39% dos entrevistados, e a flexibilidade de horários, mencionada por 37%.
Na alimentação, esse movimento encontra um mercado de grande dimensão. O setor de alimentação fora do lar movimentou R$ 287,9 bilhões no Brasil em 2025, segundo levantamento da Wise Sales em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA).
Além disso, o país tinha cerca de 1,2 milhão de estabelecimentos ativos no segmento. Mais de 70% deles eram pequenos negócios.
Nesse cenário, a gastronomia e a confeitaria podem representar uma porta de entrada para quem pretende transformar uma habilidade em fonte de renda. Bolos, doces, salgados e marmitas estão entre os produtos que podem começar a ser produzidos em casa.
Gastronomia exige mais do que habilidade culinária
Para Glaucio Athayde, CEO do Instituto Gourmet, saber cozinhar é apenas uma parte do processo para transformar a atividade em negócio.
“Muitas pessoas começam porque sabem cozinhar bem e percebem que existe uma demanda pelo que produzem. O primeiro passo é identificar uma habilidade que pode gerar renda. A partir daí, porém, é preciso entender que existe uma diferença entre vender um produto e administrar um negócio”, afirma.
Com o aumento dos pedidos, o empreendedor passa a lidar com compras, produção, estoque, entregas, atendimento e definição de preços. Por isso, a organização se torna necessária mesmo quando a atividade continua dentro de casa.
Além disso, o empreendedor precisa diferenciar o dinheiro que entra no caixa do lucro efetivamente obtido.
“Um dos principais desafios é fazer o empreendedor entender que o dinheiro que entra não representa necessariamente o lucro. É preciso colocar na conta os ingredientes, embalagens, gás, energia, transporte, taxas e o valor do próprio trabalho”, explica Athayde.
Precificação começa pelo custo do produto
Definir preços apenas observando os valores cobrados pela concorrência pode comprometer o resultado de um pequeno negócio. Embora acompanhar o mercado seja importante, o cálculo precisa considerar a estrutura de custos de cada empreendimento.
Um bolo vendido por R$ 100 pode ter ingredientes que custam R$ 40. Entretanto, embalagem, gás, energia, transporte, taxas e o tempo utilizado na produção também precisam entrar na conta.
Por isso, não existe um preço universal para determinado produto. Cada negócio possui custos, público e condições diferentes.
Conhecer esses números também ajuda a identificar quais produtos apresentam melhores margens. Afinal, um item com alto volume de vendas não necessariamente é o que gera maior lucro.
Capacitação ajuda a estruturar o negócio
À medida que a atividade cresce, o empreendedor passa a precisar de conhecimentos que vão além das técnicas culinárias. Gestão financeira, precificação, atendimento, vendas e planejamento passam a fazer parte da rotina.
Uma pesquisa nacional do Sebrae sobre microempreendedores individuais do setor de alimentos e bebidas reforça a presença da alimentação entre as atividades exercidas por MEIs. Das 20 atividades mais comuns, sete estão relacionadas ao segmento.
Para Athayde, a capacitação pode ajudar o profissional a tomar decisões com base nos números do próprio negócio.
“Aprender uma técnica nova pode abrir uma oportunidade de venda, mas entender gestão é o que ajuda o profissional a tomar decisões melhores. Ele precisa saber o que vende, quanto custa, quanto sobra e onde faz sentido investir”, diz.
Cinco cuidados para empreender na gastronomia
Conheça o custo real de cada produto: considere ingredientes, embalagem, energia, gás, transporte, taxas e mão de obra.
Separe as contas pessoais das empresariais: mesmo trabalhando em casa, mantenha um controle financeiro específico para o negócio.
Baseie o preço em números: use a concorrência para acompanhar o mercado, mas considere os custos e a margem desejada.
Identifique os produtos mais rentáveis: o produto que apresenta maior volume de vendas não necessariamente oferece a melhor margem.
Invista em capacitação: desenvolva conhecimentos técnicos e também competências em gestão, atendimento e vendas.
Organização financeira deve começar cedo
A organização financeira pode acompanhar o negócio desde os primeiros pedidos, independentemente do tamanho da produção. Para isso, o empreendedor precisa registrar entradas, despesas e custos e acompanhar os resultados.
Segundo Athayde, a profissionalização depende da capacidade de compreender e controlar esses números.
“Vender o que você sabe fazer é só o começo. A independência financeira vem depois, quando esse trabalho vira algo que você entende, controla e consegue sustentar com o tempo”, conclui.
Instituto Gourmet
Criado em 2014, o Instituto Gourmet Brasil atua na formação profissional na área de gastronomia. A rede entrou no franchising em 2017 e possui mais de 100 unidades abertas no país.
A instituição oferece cursos de curta, média e longa duração para pessoas interessadas em empreender, ingressar no mercado gastronômico, buscar formação profissional ou aprender por hobby. As opções incluem aulas práticas e flexibilidade de horários.
