A exposição “Querido Pai”, de Danilo Zocatelli Cesco, chega a São Paulo para apresentar uma série fotográfica que aborda homofobia, masculinidade e afeto familiar. A mostra será inaugurada em 12 de setembro de 2026, na O Jardim, galeria de arte, na Mooca.
Com curadoria de Renato Negrão, a exposição reúne fotografias produzidas a partir da relação entre o artista e seu pai. A série parte de uma experiência pessoal para discutir expectativas sociais relacionadas à masculinidade, identidade queer e reconciliação dentro da família.
Radicado em Londres, onde concluiu o mestrado em fotografia pelo Royal College of Art, Zocatelli retorna ao Brasil para a abertura da mostra. A programação também terá performances das artistas queers Anuby Messias e PAVUNAGATOPRETO.
“Querido Pai” transforma relação familiar em arte
Nascido em 1989, Danilo Zocatelli cresceu em Marialva, no Paraná, em um ambiente rural. Durante a infância e a adolescência, conviveu com referências de masculinidade associadas ao trabalho no campo, futebol, religião e atividades comunitárias.
Segundo a proposta da obra, essas experiências contribuíram para a sensação de não pertencimento do artista ao modelo masculino predominante ao seu redor.
Posteriormente, ao encontrar na comunidade drag uma forma de expressão e pertencimento, Zocatelli utilizou essa linguagem para estabelecer uma aproximação com o pai.
O projeto registra o pai do artista caracterizado como drag. A ação, porém, não busca transformar sua personalidade. Em vez disso, utiliza a performance como uma maneira de compartilhar experiências e criar um espaço de diálogo.
Fotografia registra memória, identidade e reconciliação
A série também incorpora uma carta escrita por Danilo ao pai. Os fragmentos da correspondência dão nome às fotografias e ajudam a organizar a narrativa apresentada na exposição.
O conteúdo recupera episódios da infância e da juventude do artista, incluindo o receio de decepcionar o pai e situações relacionadas à homofobia.
Ao mesmo tempo, a obra registra uma lembrança importante para a trajetória familiar. Aos 17 anos, depois que sua mãe contou ao pai que ele havia se assumido gay, Danilo ouviu dele que era amado.
Assim, “Querido Pai” aproxima experiências de dor e medo de sentimentos como afeto, compreensão e aceitação.
Exposição ganhou espaço no circuito internacional
Embora tenha origem em uma experiência familiar, “Querido Pai” já circulou por diferentes instituições e eventos internacionais dedicados à fotografia e à arte contemporânea.
A série foi apresentada nos Rencontres d’Arles, na França, além da Saatchi Gallery e do Institute of Contemporary Arts (ICA), em Londres.
O trabalho também passou pela Embaixada do México em Londres, pela Embaixada Britânica em São Francisco e pelo PhotoBrussels Festival, na Bélgica.
Além disso, o projeto integrou o New Contemporaries, iniciativa britânica voltada à apresentação e ao reconhecimento de artistas emergentes. Em 2025, Zocatelli também foi selecionado para o Dior Photography and Visual Arts Award for Young Talents.
A seleção levou o trabalho à Luma, em Arles, e posteriormente à Suíça, ampliando a presença da série no circuito internacional.
Performances ampliam o debate sobre identidade queer
A abertura em São Paulo terá apresentações de Anuby Messias e PAVUNAGATOPRETO. As artistas foram escolhidas por meio de uma convocatória pública promovida pela galeria.
Anuby Messias atua como multiartista, cantora, cineasta e performer. Mulher trans e negra, criada na periferia de Guarulhos, desenvolve trabalhos que relacionam audiovisual, música, performance, transgeneridade e negritude.
Entre seus projetos está “Ira — A Travesti na Escravidão”, obra que aborda identidade negra e trans a partir da trajetória de Xica Manicongo, apontada como a primeira travesti do Brasil.
Já a participação de PAVUNAGATOPRETO aproxima a abertura de diferentes linguagens da performance contemporânea. Dessa maneira, o corpo aparece como instrumento de expressão e reflexão sobre identidade e resistência.
Danilo Zocatelli apresenta produção multidisciplinar
A produção de Danilo Zocatelli vai além da fotografia tradicional. O artista trabalha também com livros de artista, fotografia sem câmera, vídeo, som e escultura.
Sua pesquisa aborda temas relacionados à identidade, memória, experiências humanas, crimes de ódio, resiliência queer e reconexões familiares.
Mestre em fotografia pelo Royal College of Art, em 2024, Zocatelli já apresentou trabalhos no Reino Unido, França, Estados Unidos e outros países.
Em São Paulo, “Querido Pai” aproxima essa trajetória internacional de uma experiência familiar profundamente ligada à formação do artista.
O Jardim reúne arte, formação e fotografia
Localizada na Mooca, O Jardim, galeria de arte foi fundada por Malu Mesquita e Renato Negrão. O espaço é dedicado à fotografia contemporânea e reúne galeria, escola, biblioteca, laboratório analógico e editora.
A instituição desenvolve exposições, cursos, oficinas, publicações e projetos em parceria com organizações brasileiras e internacionais.
Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da instituição, a proposta do espaço é aproximar artistas, público e território por meio da fotografia e de diferentes projetos ligados à imagem.
Serviço
Exposição: “Querido Pai”, de Danilo Zocatelli
Curadoria: Renato Negrão
Local: O Jardim, galeria de arte
Endereço: Rua Ilansa, 185, Mooca, São Paulo (SP)
Abertura: 12 de setembro de 2026
Horário: 15h às 20h
Visitação: de 12 de setembro a 17 de outubro de 2026
Performances: Anuby Messias e PAVUNAGATOPRETO
