Marilou Winograd apresenta exposição no Centro Cultural Correios

A exposição de Marilou Winograd “Um Sonho em Noite de Insônia” ocupa o Centro Cultural Correios RJ, no Centro do Rio de Janeiro, até 26 de setembro de 2026. A mostra tem curadoria de Osvaldo Carvalho e participação do artista convidado Mario Camargo.

Com entrada gratuita e classificação livre, a exposição reúne trabalhos desenvolvidos especialmente para o projeto. A proposta parte da relação entre vigília e sonho para investigar memória, fragmentação, matéria e processos de criação.

A visitação acontece de terça a sábado, das 12h às 19h. O projeto também estabelece um diálogo entre as pesquisas de Winograd e Camargo, artistas que mantêm uma trajetória de colaboração e proximidade no campo das artes visuais.

Exposição de Marilou Winograd transforma fragmentos em linguagem

Em “Um Sonho em Noite de Insônia”, Marilou Winograd utiliza materiais e procedimentos que remetem à ideia de ruptura e reconstrução. Rasgos, transparências, colagens e costuras fazem parte da linguagem apresentada na mostra.

A artista trabalha com fotografias de obras produzidas durante processos anteriores, além de lã de acrílico, algodão cru, seda sintética e papel. O espelho também aparece entre os elementos utilizados.

O fio de cobre funciona como um dos componentes recorrentes da produção. Já a agulha representa a possibilidade de reconectar fragmentos e estabelecer novas relações entre os materiais.

Nesse contexto, o rasgo deixa de representar apenas uma ruptura. Ele passa a funcionar como procedimento artístico capaz de abrir novas possibilidades para a imagem e para o suporte.

Wabi-sabi e kintsugi aparecem como referências

A exposição também dialoga com conceitos da estética japonesa, especialmente o wabi-sabi, associado à valorização da imperfeição, da impermanência e da incompletude.

Outro conceito relacionado à mostra é o kintsugi, técnica japonesa tradicional de reparo de cerâmicas quebradas. Nesse processo, as rachaduras são evidenciadas em vez de escondidas.

Para o curador Osvaldo Carvalho, essas referências ajudam a compreender trabalhos que reaproveitam fragmentos e marcas do cotidiano. As obras incorporam imperfeições e transformações como parte de sua própria construção.

A proposta, portanto, questiona a busca por uma ideia absoluta de acabamento. Em seu lugar, valoriza processos, marcas, mudanças e possibilidades de recomeço.

Mario Camargo participa como artista convidado

O artista Mario Camargo participa da exposição como convidado. Sua produção também investiga memória, reaproveitamento de materiais e transformação de objetos e elementos descartados.

Em seus trabalhos, Camargo utiliza refugos e componentes provenientes de antigos artefatos. A intenção é criar novas obras sem eliminar completamente as marcas de seus estados anteriores.

Nos desenhos, a linha pode se transformar em costura realizada com máquina industrial. O procedimento produz pequenos movimentos e uma dimensão tátil que integra a linguagem dos trabalhos.

A trajetória do artista inclui exposições no Brasil e no exterior. Camargo apresentou trabalhos em cidades como Santiago do Chile e Paris.

Ele também participou da feira MAC 2000, em Paris, onde foi o único artista brasileiro entre 100 participantes franceses. Na ocasião, recebeu uma observação do crítico francês Pierre Restany sobre os rumos de sua produção.

Arte e encontro orientam a curadoria da exposição

O projeto curatorial de Osvaldo Carvalho parte da relação construída entre Marilou Winograd e Mario Camargo. Os dois artistas mantêm vínculos de colaboração e respeito ao longo de suas trajetórias.

A mostra também reflete o envolvimento de Winograd com projetos que reuniram diferentes artistas. Sua atuação inclui iniciativas voltadas à pesquisa, à curadoria e à difusão das artes visuais.

O conceito de encontro aparece, assim, como um dos eixos da exposição. A participação de Camargo amplia a investigação proposta por Winograd e estabelece uma relação entre diferentes processos criativos.

Carvalho observa ainda que os trabalhos dos dois artistas desafiam padrões convencionais de criação. Acúmulos, fragmentos, texturas e rearranjos criam novas possibilidades de leitura para o público.

Marilou Winograd tem trajetória ligada às artes visuais

Nascida no Cairo, no Egito, Marilou Winograd chegou ao Rio de Janeiro em 1958. Sua formação artística passou pelo Centro de Arte Contemporânea, pelo Instituto de Belas Artes e pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Desde 1971, a artista participa de exposições individuais e coletivas, além de congressos e seminários no Brasil e no exterior.

Winograd também atuou em projetos curatoriais. Entre eles estão Zona Oculta – entre o público e o privado, realizado entre 2004 e 2014, e Acesso Arte Contemporânea, desenvolvido de 2014 a 2024.

Em 2004, publicou o livro “O Silêncio do Branco”, relacionado a uma viagem à Antártica e ao diálogo entre essa experiência e sua produção artística.

Curador Osvaldo Carvalho reúne experiência em artes visuais

Osvaldo Carvalho vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formado em Direito pela UFRJ e mestre em Poéticas Visuais pela ECA-USP, iniciou sua atuação artística em 2000.

Desde 2010, desenvolve curadorias para o projeto Vitrine Efêmera do Estúdio Dezenove, em Santa Teresa. Entre 2011 e 2019, também atuou como curador da Galeria de Arte Solar.

Sua trajetória inclui textos, resenhas e participação em iniciativas relacionadas à pesquisa e à crítica de arte.

Serviço: exposição Um Sonho em Noite de Insônia

Exposição: “Um Sonho em Noite de Insônia”
Artista: Marilou Winograd
Artista convidado: Mario Camargo
Curadoria: Osvaldo Carvalho
Produção: Carlos Bertão
Comunicação visual: Marcelo Rezende
Visitação: até 26 de setembro de 2026
Dias e horários: terça a sábado, das 12h às 19h
Local: Centro Cultural Correios RJ
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro (RJ)
Entrada: gratuita
Classificação: livre

As informações sobre a exposição foram divulgadas pela assessoria de imprensa do projeto.