23 jul 2026, qui

A receita original da canjica ganha uma releitura que valoriza a história e as tradições da culinária brasileira. A chef Marina Leite, do restaurante Casulo, em Lapinha da Serra (MG), propõe um retorno às origens do doce típico ao substituir ingredientes industrializados por preparos artesanais e especiarias que fazem parte da formação da gastronomia nacional.

Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da chef Marina Leite, a proposta busca mostrar que a canjica vai muito além da versão popularizada com leite condensado, resgatando influências indígenas, africanas e portuguesas que marcaram a construção da receita ao longo dos séculos.

Receita original da canjica preserva influências culturais

Embora a canjica seja presença constante nas festas juninas e durante o inverno, a versão consumida atualmente em boa parte do Sudeste brasileiro difere da preparação tradicional.

De acordo com Marina Leite, o uso do leite condensado tornou-se comum apenas a partir do início do século XX, impulsionado pela expansão da indústria alimentícia. Antes disso, o doce era preparado com ingredientes mais próximos das tradições culinárias herdadas de diferentes povos.

A chef explica que tanto o termo canjica quanto mungunzá têm origem em línguas do grupo banta, faladas em Angola, e faziam referência a preparos elaborados com milho. Enquanto o Nordeste preservou receitas que utilizam ingredientes como coco, o Sudeste passou a incorporar produtos industrializados, alterando parte da identidade do prato.

Chef propõe resgate da canjica tradicional

Para Marina Leite, revisitar a receita original não significa rejeitar versões contemporâneas, mas compreender a evolução da culinária brasileira.

Segundo ela, a popularização do leite condensado acabou padronizando um preparo que historicamente reunia diferentes ingredientes e técnicas culinárias. O resgate da receita, afirma a chef, também representa uma forma de preservar a memória alimentar do país.

Essa valorização da cozinha tradicional faz parte da proposta do Casulo, restaurante localizado em Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho (MG), que prioriza ingredientes regionais e preparações ligadas à cultura alimentar brasileira.

Especiarias substituem ingredientes industrializados

Na versão criada por Marina Leite, o leite fresco substitui produtos industrializados e recebe infusões de gengibre, cardamomo, anis-estrelado, canela, cravo e baunilha.

O preparo também leva amendoim torrado, açúcar demerara, manteiga, raspas e suco de limão, criando camadas de sabor que, segundo a chef, aproximam a receita das tradições culinárias brasileiras.

Outro diferencial está na forma de preparo. O milho branco, deixado de molho previamente, cozinha lentamente no leite, que é acrescentado aos poucos para garantir maior cremosidade e absorção dos sabores.

Receita valoriza memória afetiva e gastronomia brasileira

A proposta da chef reforça um movimento crescente de valorização das receitas tradicionais brasileiras, que busca recuperar ingredientes, técnicas e histórias muitas vezes deixadas de lado pela industrialização dos alimentos.

Ao resgatar a receita original da canjica, Marina Leite convida o público a revisitar um dos doces mais populares das festas juninas sob uma perspectiva histórica e cultural, evidenciando a riqueza das influências indígenas, africanas e portuguesas na formação da gastronomia nacional.