A obra Protagonistas e intérpretes de 1968: silenciamento, ocultamento e memória, da pesquisadora Maria Ribeiro do Valle, resgata episódios marcantes da resistência à ditadura militar brasileira ao analisar a atuação de operários e estudantes durante o ano de 1968. Lançado pela Editora Unesp, o livro reúne pesquisa histórica, entrevistas e documentos para discutir a construção da memória sobre um dos períodos mais emblemáticos da história recente do país. As informações foram divulgadas pela assessoria de imprensa da Editora Unesp.
Com 376 páginas, a publicação investiga as conexões entre os movimentos operário e estudantil no Brasil, destacando acontecimentos frequentemente ofuscados por narrativas internacionais sobre o ano de 1968. A autora propõe uma reflexão sobre como esses acontecimentos permanecem relevantes para compreender a sociedade brasileira contemporânea.
O foco da pesquisa recai sobre as greves de Contagem (MG) e Osasco (SP), consideradas dois dos principais movimentos operários ocorridos em 1968 durante a ditadura militar.
Segundo a autora, essas mobilizações surgiram em um contexto de restrições aos direitos trabalhistas e de reorganização do movimento sindical após o golpe de 1964. Mesmo com a proibição de greves pelo regime militar, trabalhadores passaram a construir novas formas de articulação e resistência.
Ao longo da obra, Maria Ribeiro do Valle demonstra como diferentes setores do sindicalismo romperam com antigas lideranças e desenvolveram estratégias de atuação dentro das fábricas, nos bairros e em espaços de convivência dos trabalhadores.
Um dos diferenciais da publicação é a combinação entre pesquisa documental e história oral. Para reconstruir os acontecimentos de 1968, a autora entrevistou protagonistas que participaram das mobilizações e confrontou esses relatos com documentos históricos e estudos de especialistas.
Essa metodologia permite compreender como operários e estudantes estabeleceram aproximações em meio ao contexto de repressão política, além de revelar diferentes interpretações sobre os acontecimentos daquele período.
Maria Ribeiro do Valle também analisa os processos de silenciamento e ocultamento presentes na construção da memória da ditadura militar, discutindo como narrativas históricas são elaboradas ao longo do tempo.
Ao final do livro, a autora disponibiliza integralmente as entrevistas realizadas durante a pesquisa.
A inclusão desse material oferece ao leitor acesso direto aos depoimentos dos participantes das mobilizações de 1968, permitindo conhecer diferentes perspectivas sobre os acontecimentos e seus desdobramentos.
Segundo a pesquisadora, preservar essas narrativas representa uma forma de fortalecer o debate histórico e enfrentar interpretações que minimizam ou negam as violações ocorridas durante a ditadura militar.
Natural de Guaxupé (MG), Maria Ribeiro do Valle é graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e possui mestrado e doutorado pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Professora da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, no campus de Araraquara, ela também coordena o Centro de Documentação e Memória da Unesp (CEDEM).
A pesquisadora já publicou o livro 1968: O diálogo é a violência: movimento estudantil e ditadura militar no Brasil, lançado pela Editora da Unicamp em 1999, consolidando sua trajetória acadêmica dedicada ao estudo da resistência política durante o regime militar brasileiro.
Livro: Protagonistas e intérpretes de 1968: silenciamento, ocultamento e memória
Autora: Maria Ribeiro do Valle
Editora: Editora Unesp
Páginas: 376
Formato: 13,7 x 21 cm
Preço sugerido: R$ 74,00
ISBN: 978-65-5711-375-2

