CBL lança manual sobre IA no mercado editorial

CBL lança manual sobre IA no mercado editorial

A Câmara Brasileira do Livro lançou o Manual de Boas Práticas de Inteligência Artificial em Editoras Brasileiras. O documento apresenta diretrizes éticas e práticas para orientar o uso da inteligência artificial no mercado editorial nacional.

O lançamento aconteceu durante o 5º Encontro de Editores, Livreiros, Distribuidores e Gráficos. A iniciativa busca apoiar editoras diante da rápida expansão das tecnologias de IA generativa.

Manual de IA da CBL defende autoria humana

O novo manual da CBL destaca princípios ligados à autoria humana, aos direitos autorais e à transparência no uso da inteligência artificial.

Segundo a presidente da entidade, Sevani Matos, a proposta é equilibrar inovação tecnológica e responsabilidade cultural.

“Nosso objetivo é oferecer um guia que ajude as editoras brasileiras a avançarem com segurança, ética e consciência do seu papel cultural”, afirma Sevani Matos.

O documento ressalta que sistemas de IA generativa não produzem conteúdo original da mesma forma que seres humanos. Por isso, a autoria implica responsabilidade legal e moral atribuída apenas às pessoas.

Além disso, a publicação recomenda contratos claros entre editoras, autores e colaboradores sobre o uso de obras no treinamento de modelos de inteligência artificial.

CBL apresenta diretrizes práticas para editoras

O manual foi estruturado em quatro eixos principais. O primeiro aborda princípios fundamentais, como proteção de dados, combate a vieses e transparência.

Já o segundo reúne diretrizes práticas para situações específicas. O texto apresenta orientações sobre geração de textos, revisão, tradução, marketing e criação de imagens.

No caso da produção textual, a CBL autoriza o uso de IA para brainstorming e rascunhos. Entretanto, o documento exige revisão humana completa, checagem de fatos e reescrita para preservar a voz autoral.

Na criação de imagens, o manual recomenda priorizar artistas humanos. Quando houver uso de inteligência artificial, as editoras devem garantir que as ferramentas utilizem bases legais de treinamento.

Manual de IA discute desafios brasileiros

O documento também dedica um capítulo aos desafios enfrentados pelas editoras brasileiras diante das tecnologias globais.

Segundo a publicação, muitas ferramentas de IA refletem referências culturais e linguísticas do chamado Norte Global. Isso pode gerar distorções sobre a cultura brasileira e invisibilizar produções locais.

Por esse motivo, a CBL incentiva o desenvolvimento de tecnologias treinadas com dados nacionais e em português brasileiro.

A coordenadora da Comissão de Inovação e Tecnologia da CBL, Cinthya Müller, explica que o manual surgiu após debates recorrentes sobre o tema no setor editorial.

“A ideia do manual surgiu ao percebermos que nossas reuniões convergiam para o mesmo tema”, afirma.

Documento recomenda transparência no uso da IA

Outro ponto importante do manual envolve a comunicação com leitores, autores e funcionários.

A publicação orienta editoras a informar claramente quando o público estiver interagindo com sistemas automatizados, como atendimentos por IA ou audiolivros com voz sintética.

Além disso, o documento recomenda a criação de canais para denúncias de usos inadequados da tecnologia e exige maior transparência dos fornecedores de ferramentas digitais.

As recomendações de implementação seguem a norma internacional ABNT NBR ISO/IEC 42001, voltada à gestão ética e responsável da inteligência artificial.

O manual completo está disponível no site oficial da Câmara Brasileira do Livro.

CBL atua há 77 anos no setor editorial

A Câmara Brasileira do Livro representa editoras, livrarias, distribuidores e profissionais da cadeia do livro no Brasil.

Fundada há 77 anos, a entidade atua na promoção da leitura, no fortalecimento do mercado editorial e na difusão da literatura brasileira dentro e fora do país.

Desde 2020, a CBL também responde pela Agência Nacional do ISBN no Brasil.

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