Longitude 33º Oeste, novo romance de Roberto Basílio de Matos, mergulha na vida de uma família isolada no Atol das Rocas, em pleno Oceano Atlântico. Publicada pela Editora Urutau, a obra combina lirismo, memória e sobrevivência em uma narrativa marcada pelo silêncio e pela força da natureza.
O livro transforma o isolamento extremo em metáfora da condição humana. Ao longo da trama, o autor constrói uma experiência sensorial sobre pertencimento, resistência e fragilidade emocional.
A história acompanha o faroleiro João, sua esposa Maria e as filhas Joana e Janaína. A família vive no Atol das Rocas no início do século XX, enfrentando escassez de água, calor intenso e solidão constante.
O ambiente hostil molda o comportamento de cada personagem. João desenvolve uma relação quase espiritual com o mar e o atol. Já Maria representa a força silenciosa da maternidade em meio às dificuldades diárias.
Enquanto isso, Joana utiliza a imaginação para enfrentar a realidade dura do isolamento. Janaína, por outro lado, observa o mundo com inquietação e desejo de descoberta.
A narrativa também aborda o medo do abandono e a luta pela sobrevivência em um território praticamente invisível no mapa brasileiro.
Com capítulos fragmentados e diferentes pontos de vista, Longitude 33º Oeste alterna perspectivas para aprofundar os sentimentos dos personagens.
A linguagem do romance mistura oralidade, regionalismo e poesia. O resultado é uma escrita marcada pela musicalidade das palavras e por imagens intensas ligadas ao oceano e à natureza.
Além do drama familiar, o livro revisita episódios da história marítima brasileira. A narrativa menciona antigos naufrágios, exploradores e a importância estratégica do Atol das Rocas.
Segundo Roberto Basílio de Matos, o romance também reflete sobre a fragilidade humana diante do isolamento. “Somos seres sociais, não isolados. O livro aborda essa fragilidade do humano perante o outro e a si mesmo”, afirma o autor.
Ao transformar um espaço remoto em cenário literário, o romance amplia reflexões sobre deslocamento, memória e existência.
O silêncio do oceano e a passagem do tempo moldam os destinos da família retratada no livro. Dessa forma, o Atol das Rocas deixa de ser apenas um cenário geográfico e passa a simbolizar os desafios da convivência humana.
A obra também reforça a relação entre homem e natureza. O mar surge tanto como ameaça quanto como elemento de contemplação e sobrevivência.
Conhecido também como Beto Matos, Roberto Basílio de Matos possui trajetória consolidada nas artes cênicas e na literatura.
O autor foi cofundador da companhia de teatro Phila7 e venceu o Prêmio Funarte de Dramaturgia em 2005. Além disso, publicou obras como Guarda-chuva? Guarda-chuva! e Nosso Diário.
Em Longitude 33º Oeste, o escritor utiliza sua experiência teatral e seu olhar biológico sobre a natureza para construir uma narrativa sensível e contemplativa.
Livro: Longitude 33º Oeste
Autor: Roberto Basílio de Matos
Editora: Editora Urutau
Disponível para compra: consulte os canais oficiais da editora.

