Andreia Andrade, membro da terceira geração de ceramistas do Vale, reconhece talento dos filhos e possibilidade de iniciarem a quarta geração de artesãos
Um dos pontos altos da valorização do artesanato de tradição brasileiro está na importância de o ofício ser ensinado de geração em geração, como é o caso da ceramista e artesã Andreia Andrade, de Santana do Araçuaí, em Minas Gerais, formada em Artes Plásticas, que aprendeu aos 12 anos com sua mãe Glória e sua avó, dona Isabel Mendes, grande mestra de cerâmica do Vale do Jequitinhonha, a arte de criar sua própria narrativa sobre a história do seu lugar e seu povo.
Andreia, que faz parte da terceira geração de artesãos populares da cerâmica no Vale do Jequitinhonha, já consegue enxergar a potência na arte de seu filho mais novo, Mateus, de 7 anos, que adora ajudá-la a pintar suas peças. “Lucas, meu filho mais velho, as vezes me ajuda a preparar o barro, uma parte um pouco mais simples do processo da cerâmica que ele consegue fazer. Mas vejo que o Mateus leva jeito e gosta de ouvir minhas histórias com minha avó Izabel Mendes. Ele modela em um pouco de argila, fazendo miniaturas de bonecos, como um aprendiz, e me ajuda na pintura de algumas das minhas obras. Nos próximos meses o Mateus participará pela primeira vez de uma exposição em Belo Horizonte com toda a família”, conta Andreia orgulhosa.
O aprimoramento da atuação das artesãs no Brasil se deve, principalmente, ao esforço incessante das comunidades e organizações de suporte, tais como a Rede Artesol – uma ONG criada há 25 anos com o propósito de estimular todo o ciclo produtivo artesanal no país. Uma grande parcela das comunidades artesanais apoiadas pela Artesol está situada em regiões com poucas perspectivas de emprego e em localidades afastadas dos núcleos urbanos. A ONG tem como propósito o mapeamento, capacitação e promoção dos artesãos e grupos artesanais brasileiros para o mundo. Para Josiane Masson, diretora executiva da Rede Artesol, “motivar novas gerações a manter vivo o patrimônio do artesanato de tradição, além de valorizar e projetar nacionalmente o trabalho artesanal, mostrando o talento e a criatividade dos artesãos, a diversidade de técnicas e matérias-primas utilizadas, é a nossa missão.”
Desde a infância, Andreia já mostrava aptidão para modelar a argila. Aos 14 anos, ela vendeu sua primeira peça em uma exposição no Rio de Janeiro, onde a produção artesanal era compartilhada com sua família. Ela decidiu seguir os passos da mãe e da avó, tornando-se a terceira geração da família dedicada ao ofício. No entanto, ela foi a primeira a buscar orientação fora do âmbito familiar, mudando-se para Belo Horizonte com o objetivo de estudar artes plásticas na Escola Guignard. Durante sua formação, ela se especializou em pintura e cerâmica e, juntamente com seus colegas, construiu um forno de barro tradicional dos artesãos de Jequitinhonha. Depois de concluir seus estudos, ela lecionou em Portugal e Espanha, mas retornou a Santana do Araçuaí para continuar a tradição local da arte familiar.
Andreia fortaleceu suas raízes ancestrais, buscando aprimorar-se como artista. “Agradeço a Deus pela minha avó-mãe que tem mãos abençoadas e um dom divinal. E o mínimo que posso fazer é agradecer à minha querida avó Izabel e mãe Glória, um pouquinho do que aprendi com ela e que Deus me permita dividir esse aprendizado que me orgulha tanto”, comenta emocionada Andreia, que agora faz ainda mais pelo nome de sua avó Izabel, estimulando o amor, envolvimento e participação de seus filhos para que uma nova geração de artesãos seja formada.
Sobre a Artesol
A Artesol é uma ONG concebida em 1998 cujo objetivo é salvaguardar o artesanato de tradição cultural brasileiro e gerar oportunidades de trabalho e renda para comunidades artesãs de todo o Brasil.
Artesol
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