Lisa Gomes celebra 6 anos do Bloco da Lisa e faz desabafo

Lisa Gomes celebra 6 anos do Bloco da Lisa e faz desabafo

A comemoração pelos seis anos do Bloco da Lisa vem acompanhada de um desabafo sincero de Lisa Gomes. Às vésperas de mais um Carnaval, a jornalista e apresentadora celebra a trajetória do bloco, que desfila no dia 14 de fevereiro, na Rua Augusta, em São Paulo, mas também chama atenção para os desafios enfrentados longe da festa e dos holofotes.

Atualmente no Aqui Agora, do SBT, Lisa vive um momento de consolidação profissional, mas reforça que o reconhecimento não elimina as dificuldades. Primeira jornalista transexual da TV aberta brasileira, ela afirma que precisou provar sua capacidade mais de uma vez, especialmente após a transição do entretenimento para o jornalismo.

“Nada veio fácil”

Lisa relembra que, durante 12 anos no entretenimento, construiu visibilidade, mas enfrentou desconfiança ao migrar para o jornalismo. “Muita gente duvidou que eu fosse capaz”, afirma. Segundo ela, o convite para integrar o SBT representou uma virada importante, mas também exigiu coragem.

“Quando a Daniela Abravanel me chamou, eu sabia que era uma oportunidade única. Mas também sabia que teria que trabalhar dobrado para ser respeitada”, diz.

Carnaval também é luta

Ao falar do Bloco da Lisa, Lisa Gomes deixa claro que a folia vai além da música e da diversão. Em 2026, o bloco leva às ruas o tema ‘Carnaval do Respeito: Amor não machuca’, com foco no combate à violência contra a mulher.

Ela ressalta que o Carnaval é um espaço de liberdade, mas também revela um lado duro da realidade. “É um período em que aumentam os casos de agressão. Muitas mulheres sofrem dentro de casa depois da festa”, alerta. Para ela, o bloco precisa ocupar as ruas também como instrumento de conscientização.

Falta apoio aos blocos menores

O tom de celebração dá lugar à crítica quando Lisa fala sobre os bastidores do Carnaval paulistano. Segundo ela, blocos independentes enfrentam boicotes velados, dificuldades burocráticas e falta de apoio financeiro.

Grande parte do investimento do Bloco da Lisa, afirma, sai do próprio bolso. “As marcas só querem os megablocos. Quem faz Carnaval com propósito acaba invisibilizado”, desabafa. Para Lisa, falta organização, incentivo e respeito com quem mantém a diversidade da festa viva.

Resistência e pioneirismo

Primeira mulher trans a comandar um bloco de Carnaval em São Paulo, Lisa não esconde o orgulho da trajetória, mas reforça que o pioneirismo também cobra um preço. A preparação para a folia começa meses antes e exige dedicação total. Além da rotina intensa como repórter, ela passou por uma reeducação alimentar com acompanhamento médico.

“Sou merecedora do que conquistei. Nada veio fácil. Lutei muito e sigo lutando, sem passar por cima de ninguém”, afirma.

Mesmo diante das dificuldades, Lisa Gomes segue firme. Para ela, o Bloco da Lisa é mais do que Carnaval: é resistência, voz ativa e prova de que ocupar espaços também é uma forma de transformação.

marramaqueadmin